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Venezuela: Compreender a guerra que aí vem

Posted: 11 Jun 2019 04:42 AM PDT

Elementos estrangeiros do exército das sombras (paramilitares, mercenários e forças especiais)

Romain Migus *

A ofensiva imperialista contra a Venezuela segue em muitos aspectos um modelo bem conhecido. Aliás, a administração Trump confirmou-o quando encarregou Elliott Abrams da questão venezuelana. A cúpula imperialista há muito tem como aliado preferencial a escumalha do mundo do crime organizado e da extrema-direita. Da Colômbia a Israel, mobiliza-a e arma-a contra o processo bolivariano. E paga-a com os milhões roubados à nação venezuelana, parte dos quais passa por Portugal.

Em 14 de Março de 2018, Erick Prince, fundador da empresa privada Blackwater Military Company, reuniu cerca de cem celebridades no seu rancho de Virgínia. O convidado de honra naquele dia não era outro senão Oliver North, a figura principal juntamente com Elliott Abrams – o actual enviado especial dos EUA à Venezuela – para a guerra suja contra a Nicarágua na década de 1980 ( ). Este retorno de Erick Prince ao centro das atenções, depois de ter sido marginalizado pelos governos dos EUA (tal como o seu colega Abrams), deveria ter sido um sinal de alerta. Mas é apenas um ano depois que descobrimos que o fundador da Blackwater se estava a preparar para recrutar 5.000 mercenários por conta de Juan Guaidó (). Este plano macabro não teria, por agora, encontrado eco na Casa Branca, todavia sensível à influência de Prince, nem o financiamento necessário de 40 milhões, soma ridícula se se considerar o roubo pela administração dos EUA de milhares de milhões pertencentes ao Estado venezuelano.

No entanto, o recrutamento de mercenários já começou. Em 29 de Novembro de 2018, o presidente Maduro denunciou num discurso televisionado a constituição de um batalhão de 734 cães de guerra nas bases militares de Eglin na Flórida, e de Tolemaida, na Colômbia. Em 23 de Março de 2019 o ministro das Comunicações, Jorge Rodríguez, anunciava que 48 mercenários recrutados em El Salvador, Honduras e Guatemala tinham entrado em território venezuelano a fim de levar a cabo atentados contra as mais altas autoridades do país, bem como actos de sabotagem e operações de bandeira falsa (). Segundo os serviços de informações da Venezuela, esses mercenários tinham sido recrutados por Roberto Marrero, o braço direito de Juan Guaido (). Quer seja via Erick Prince ou por outros meios, o recrutamento de mercenários para desestabilizar a Venezuela é uma sinistra realidade.

No dia da prisão de Marrero, os serviços de segurança venezuelanos capturaram Wilfrido Torres Gómez, aliás Necocli, chefe do bando narco-paramilitar colombiano “Los Rastrojos”. Tal como os mercenários, os paramilitares colombianos são um actor estrangeiro fundamental no futuro exército de que Guaido poderia dispor.

Paramilitares são uma excrescência do conflito colombiano. Criados primeiro por proprietários de terras e por militares, ou na esteira dos cartéis da droga, estes grupos encarregados ​​das tarefas mais inconfessáveis foram reunidos sob o comando das Forças de Autodefesa Unidas da Colômbia (AUC). De 1997 a 2006, fizeram o terror reinar, deslocando populações inteiras em território colombiano e encarregando-se dos abusos que os serviços do Estado não queriam assumir. Sob o governo de Álvaro Uribe (2002-2010), os paramilitares adquiriram presença real na cena política, forjando laços com responsáveis políticos e económicos e chegando até a financiar um terço dos parlamentares deste país, como mostraram os documentos capturados no computador do líder paramilitar Jorge 40 (). Se a sua principal actividade continua ligada ao tráfico de cocaína, os paramilitares actuam como um estado paralelo e influente. Dotados de uma autoridade adquirida através de uma extrema violência e terror psicológico, eles impõem as suas normas sociais, políticas e económicas aos territórios que controlam. A “desmobilização” das AUC em 2006 teve por consequência a sua implosão em estruturas menores, que mantiveram o mesmo modus operandi.

Os paramilitares colombianos chegam à Venezuela depois do golpe de Estado contra Hugo Chávez em 2002. Primeiro como assassinos a soldo de certos proprietários de terras, preocupados em eliminar os líderes camponeses que reivindicavam a aplicação da reforma agrária. Começam a investir sobre certas zonas das grandes cidades enquanto permanecendo muito activos na fronteira venezolano-colombiana.

Tornam-se conhecidos dos venezuelanos em Maio de 2004, depois de 124 paramilitares serem presos nos arredores de Caracas. Tinham sido trazidos por Roberto Alonso, um político da oposição, com o objectivo de assassinar Hugo Chávez e altos responsáveis da Revolução. Ao longo dos anos, a sua presença reforçou-se ao longo da fronteira (), tal como em algumas áreas das grandes cidades, onde constituíram várias células dormentes. Sem esquecer o eixo de comunicação estratégica que leva dos Andes à costa caribenha, corredor essencial para a distribuição da cocaína. É nessa parte do território que a maioria dos líderes paramilitares que estavam na Venezuela foram presos ou mortos. É também neste eixo que se encontram, e isso não é coincidência, as cidades onde ocorreram os confrontos mais duros quando das guarimbas de 2014 e 2017.

Ao contrário do crime organizado “clássico”, os paramilitares dispõem de uma hierarquia militar, de um aparelho de informações, de um armamento adequado, mas, principalmente, agem em função de uma politização marcado pelo seu anticomunismo, adquirida a partir da sua gênese na luta contra a guerrilha. Eles impõem a sua orientação ideológica às populações que submetem. Ao contrário do submundo, mantêm muito boas relações com as elites colombianas, para quem desempenham o papel de um exército paralelo. A sua utilização contra a Venezuela permitiria à Colômbia não desguarnecer as frentes internas que o seu exército mantém com a guerrilha.

Na fronteira com a Venezuela, os paramilitares controlam o tráfico de drogas bem como o contrabando de gasolina e alimentos. Como Freddy Bernal, prefeito desta região, nos lembrou em entrevista exclusiva “A Colômbia produz 900 toneladas de cocaína. Para produzir um quilo, necessitas de 36,5 litros de gasolina e a Colômbia não produz o suficiente. Os paramilitares são encarregados de encaminhar ​​pela via do contrabando 36 milhões de litros de gasolina provenientes da Venezuela destinada em grande parte à produção de cocaína “() e em troca controlam a distribuição de drogas no país vizinho, através de gangues criminosos venezuelanos.

Os confrontos do Estado Bolivariano com os paramilitares são cada vez mais recorrentes. Não apenas para lutar contra os seus múltiplos tráficos mas sobretudo para defender a soberania do Estado sobre o território. Segundo Freddy Bernal, “os paramilitares desempenham o mesmo papel que o Daesh desempenhou no Iraque, na Líbia e na Síria. Visam fragmentar o nosso território. São o Daesh da América Latina “(). São uma engrenagem essencial na atomização do Estado-nação venezuelano, um dos principais objectivos da guerra que se anuncia.

De Roberto Alonso a Roberto Marrero, há muitos exemplos mostrando que os paramilitares colombianos estão ligados à oposição venezuelana. Mas eles respondem também aos planos do Pentágono nas suas ações planeadas contra a Venezuela. Como nos revelou um documento do SouthCom, a força militar dos Estados Unidos responsável pela América Latina, os estrategas militares estado-unidense preconizam “recrutar paramilitares principalmente nos campos de refugiados em Cúcuta, La Guajira e no norte da província de Santander, vastas zonas povoadas por cidadãos colombianos que emigraram para a Venezuela e agora regressam ao seu país para escapar a um regime que aumentou a instabilidade nas fronteiras, aproveitando o espaço vazio deixado pelas FARC, o ELN ainda beligerante e as actividades [paramilitares] na região do Cartel do Golfo “().

Como pode ver-se, os Estados Unidos e seus aliados latino-americanos dispõem já de um exército. É composto por um punhado de desertores e de combatentes civis venezuelanos, de membros do crime organizado, de mercenários estrangeiros e paramilitares colombianos, tudo estruturado por forças especiais dos Estados Unidos, já presentes na região () e pelo apoio táctico dos exércitos de países vizinhos. Outros actores poderiam mesmo fazer-se convidar para este conflito. O que explicaria a presença de várias centenas de soldados israelitas no Brasil e em Honduras.

O armamento dessa força militar irregular está também em curso. Como denunciou o governo russo pela voz de Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros daquele país, “os Estados Unidos e seus aliados da NATO estão actualmente a estudar a possibilidade de adquirir a um país da Europa de leste um importante lote de armas e munições destinado aos opositores venezuelanos. Trata-se de metralhadoras pesadas, de lança-granadas integrados e automáticos, de mísseis terra-ar portáteis, de diferentes munições para arma de fogo e peças de artilharia. Este carregamento deveria ser transportado para a Venezuela através do território de um país vizinho com a ajuda de aviões de carga da empresa estatal ucraniana Antonov “(). Não é necessário ser um especialista militar para compreender que esse tipo de arsenal é o mesmo que é usado pelos beligerantes que combatem contra a República Árabe da Síria. Neste caso, os Estados Unidos ou países vizinhos não teriam sequer que assumir um proeminente papel protagonista na guerra irregular contra a Venezuela.

Caso o estrangulamento económico, político e financeiro da Venezuela e as diferentes pressões psicológicas e diplomáticas não sejam suficientes para derrubar o presidente Maduro, então o cenário que descrevemos será inevitavelmente aplicado. Os diferentes componentes da frente militar terão a tarefa de desmantelar a Venezuela sem necessariamente responder a um comando central, mas com o objetivo comum de tornar impossível o controlo do território pelo poder legítimo. É conveniente analisar agora as estratégias para alcançar tais fins.

*O Diário

Moçambique | Levantamento sobre rendimento das famílias vai custar USD 5 milhões

Posted: 11 Jun 2019 03:29 AM PDT

O Inquérito aos Orçamentos Familiares (IOF 2019/20) arranca em Outubro próximo, e está orçado em cinco milhões de dólares, metade do valor gasto no levantamento anterior.

Trata-se de uma actividade que tem como objectivo principal, recolher informação respeitante as receitas e despesas dos agregados familiares e outras características socioeconómicas. O objectivo final é obter vários indicadores sobre as condições de vida dos agregados familiares em Moçambique.

O IOF irá abranger um total de 13.560 agregados familiares, sendo 7.152 na zona urbana e 6.408 na zona rural, numa amostra que foi desenhada para ser representativa a nível nacional, provincial e áreas de residência urbano-rural, indica o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Espera-se igualmente que através do IOF seja possível a disponibilização de base para a actualização da estrutura e características de consumo dos agregados familiares, elementos essenciais para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).

Outros indicadores a serem incorporados neste inquérito que leva um ano, serão a obtenção de informação actualizada dos agregados familiares sobre habitação, posse de bens duráveis, saúde, emprego, educação e turismo.

Integrado nos preparativos deste levantamento, teve lugar esta segunda-feira, um seminário de auscultação aos usuários, com a finalidade de recolher subsídios para enriquecer os instrumentos que serão utilizados na recolha de dados.

Esta terça-feira, arranca uma acção de formação dos inquiridores, que terão a missão de realizar o inquérito piloto, durante o próximo mês de Julho. A recolha de dados do inquérito principal está agendada para 21 de Outubro de 2019 à 20 de Outubro de 2020.

Refira-se que os últimos quatro Inquéritos aos Orçamentos Familiares realizados entre 1996 e 2015 custaram cerca de 21 milhões de dólares.

Edson Arante | O País

Eleições em Moçambique: Helder Mendonça é eleito candidato do PODEMOS

Posted: 11 Jun 2019 03:15 AM PDT

Partido criado recentemente em Moçambique elege neto do histórico combatente da luta de libertação Francisco Manyanga como candidato às eleições gerais de outubro. “País precisa de visão estrutural”, diz comunicado.

O Partido Otimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), criado recentemente em Moçambique, elegeu esta segunda-feira (10.06) Helder Mendonça como candidato daquela formação à Presidência da República nas eleições de 15 outubro.

Helder Mendonça, neto do histórico combatente da luta de libertação de Moçambique Francisco Manyanga, foi eleito num grupo composto por três candidatos durante a primeira sessão do Conselho Central daquele partido.

“O país precisa sem dúvida de uma outra visão estrutural de funcionamento bem como de gestão inspirada numa cultura virada aos interesses do Estado unitário, inclusivo e que respeite o bem público”, disse em comunicado o presidente do partido, Albino Forquilha.

Os criadores do PODEMOS, registado a 14 de maio, são antigos membros da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o partido no poder, que pediam mais “inclusão económica”, mas hoje dizem estar “desencantados, porque não era possível a mudança de rumo a partir de dentro do partido”.

Renovação política

No fim de semana, o secretário provincial do PODEMOS, Valdemiro Mussoco, referiu que o surgimento do partido partiu da reprovação da candidatura de Samora Machel Júnior no ano passado pelo município de Maputo.

O objetivo do partido é introduzir um novo modelo de governação, que garanta maior separação entre assuntos partidários e os assuntos de governação. Valdemiro Mussoco sublinha que o Presidente da República de Moçambique, Felipe Nyusi, muitas vezes “vira as suas atenções só para os membros do seu partido”.

A nova organização é integrada por membros da Associação de Ajuda ao Desenvolvimento de Moçambique (AJUDEM), que tentou concorrer, sem sucesso, às eleições autárquicas de 2018, em Maputo, com uma lista encabeçada por Samora Machel Júnior, filho do primeiro Presidente do país e militante destacado da FRELIMO.

Deutsche Welle | Agência Lusa, kg

Angola | E o dinheiro aqui ao lado

Posted: 11 Jun 2019 03:07 AM PDT

O País | editorial

Da mesma forma que os políticos, os empresários angolanos, mesmo os que não são igualmente políticos, normalmente têm os olhos virados para longe, quer para compras, quer para vendas.

Se para aquisições o lema é o esbanjamento, e, portanto, até é fácil, já para as vendas o obstáculo reside na competitividade.

De facto, vender para a Europa ou para os Estados Unidos da América requer cuidados muito apurados na qualidade dos produtos e serviços, requer custos de produção que permitam a oferta de bons preços. Mas há em África, disse o ministro do Comércio, Jofre Van-Dunem, um mercado de um bilião de consumidores, é mais próximo, tem menos exigências e é até mais carente. O dinheiro está mesmo aqui ao lado.

“Ataques” de Tchizé dos Santos antes do Congresso do MPLA provocam leituras em Luanda

Posted: 11 Jun 2019 02:50 AM PDT

Analistas angolanos não colocam de lado mais “ataques” entre as alas afectas a José Eduardo dos Santos e João Lourenço no seio do MPLA, partido no poder em Angola, mas admitem, também, que não devem colocar em causa nem o partido nem o Presidente da Repúbica.

Na sexta-feira, 7, a deputada do MPLA Welwitschia dos Santos “Tchizé” acusou o Comité Central do partido no poder de golpe baixo e de estar a fazer tudo para afastá-la do congresso porque os dirigentes “têm medo” dela.

“Eu sou, talvez, a única militante com coragem para ir ao congresso e pôr em causa e impugnar isso que está a ser proposto e que estão a fazer um golpe baixo para eu não ir ao congresso”, afirmou a filha de José Eduardo dos Santos, ao reagir à decisão tomada no mesmo dia pelo Comité Central, de a suspender do órgão e de lhe abrir um processo disciplinar.

O consultor jurídico e coordenador da Plataforma para a Cidadania, Walter Ferreira, considera que a briga entre João Lourenço e a Tchizé dos Santos “não vai pôr em causa o futuro do MPLA, nem mesmo a governação de João Lourenço”.

Por seu lado, o politólogo Rui Kandove diz que a suspensão vem mostrar um claro braço-de-ferro entre João Lourenço e a família Dos Santos.

“Depois do congresso, quando tudo ficar claro, certamente os ataques à governação podem intensificar-se”, adverte.

Kandove admite que, num eleitorado cuja maioria possui entre 18 e 40 anos, com estes “ataques” Tchize dos Santos pode conseguir apoios à sua luta.

Coque Mukuta | VOA – Voz da América

HÁ PESSOAS BOAS RACISTAS?

Posted: 11 Jun 2019 02:38 AM PDT

Gostaria de responder que não até porque silogisticamente seria uma contradição – na medida em que ser-se boa pessoa implicaria não ter preconceitos raciais – mas de facto há sim, e, de ambos os lados da barricada.

Brandão de Pinho | Folha 8 | opinião

O que não há, garanto, é pessoas boas e inteligentes e honestas que sejam racistas. Mas nem todas as pessoas são inteligentes (até acho que somos uma minoria), e há mais pessoas más do que boas e quanto à honestidade… bem nunca saberemos, pois as pessoas só a poderiam revelar se expostas às circunstâncias apropriadas, pelo que há mais pessoas desonestas do que aquilo que possamos ajuizar.

O tema da guerra colonial ou de libertação conforme o ponto de vista, ainda é nas gerações nascidas antes da década de setenta ou nos cidadãos mais informados, um tema polémico, uma ferida aberta, enfim um desastre pior que Alcácer-Quibir e que todos os erros que sucessivos governantes lusos (reis em sua maioria) realizaram.

Ou de forma não propositada apenas por falta de qualificações ou excesso de romantismo patriótico e demasiada leitura de clássicos da cavalaria (como D. Sebastião); ou por incompetência e ignorâncias puras quase a roçar a demência senil e a menoridade intelectual (como D. Henrique I), ou por excesso de “magnanimidade” e mais zelo nos engates e “affaires” do que nas questões do reino (como D. João V), ou por outros defeitos de outros reis dos quais há quem aponte (eu não) D. José I por ter posto o despótico Marquês a mandar nos Tugas ou o meu homónimo D. Fernando I, último rei da I dinastia, por basicamente tudo o que fez ter sido errado, mesmo o facto de não ter filhos ou ter casado com uma espanhola.

Mas há dois governantes em plena república que ainda foram piores. Salazar, no século passado, é óbvio pela forma como manteve o país na ignorância e o transformou numa plutocracia (governo do país pelas famílias ricas e poderosas) e porque não compreendeu que o Império tinha acabado, arrastando portugueses e africanos para um carnificina que ainda hoje condiciona o desenvolvimento de Portugal, Angola, Moçambique e Guiné-Portuguesa.

Desenvolvimento inexistente mesmo que portugueses celebrem hoje o seu dia com pompa e circunstância e tenham ganho a Liga das Nações da Europa (com representantes de Cabo Verde, Guiné, Angola, Brasil, dos arquipélagos e da diáspora – eis o verdadeiro Portugal), dia que outrora chamavam Dia da Raça Portuguesa (conceito eivado de imperiosidades ridículas, imprecisões biológicas e históricas gritantes, para não falar do racismo subjacente) mas Portugal, bem lá no seu fundo, ainda é aquele Portugal Imperialista que explorou durante séculos os angolanos e que – orgulhosamente só – não deixa de ser o país mais atrasado da Europa dentre os países mais desenvolvidos do velho continente.

Desenvolvimento inexistente igualmente em Angola e Moçambique que devido à teimosia de Salazar que transformou estas duas nações em dois autênticos fantoches de EUA e URSS e que a seguir a uma guerra de libertação tiveram uma guerra civil, mais uma vez como parte de uma grande experiência para aferir quem mandava mais nesses tempos de guerra fria, se os capitalistas se os socialistas… tudo – na sua origem – por culpa da teimosia de Salazar e Marcelo.

Já do desenvolvimento da Guiné – rodeada de países francófonos libertados do jugo gaulês muito antes do 25 de Abril e com os quais, atempadamente, começaram a ter intrincadas relações – pode dizer-se que não existe. Nem muito, nem pouco. É um não país. É uma Somália ou uma Líbia. Um narco-estado. Culpados?: os portugueses.

Mas o pior de todos eles, o mais miserável e corrompido dos governantes, já neste século e milénio, – com tentáculos no Brasil, Angola, Venezuela e em qualquer coisa vagamente similar a um estado que tivesse ladrões e corruptos preferencialmente de esquerda – foi Sócrates (o filósofo que escrevia livros sem saber sequer do que falavam e depois os mandava comprar aos magotes para liderar os “ranking’s” de não-ficção). Esse mesmo Sócrates que esteve, juntamente com Ricardo Salgado e o seu lacaio Álvaro Sobrinho, o pessoal da PT, e dos bancos, e dos meios de comunicação social, e o das empresas de construção e tudo o que desabou após a queda do BES, envolvido em todas as grandes trafulhices que quase comprometiam Portugal como nação soberana. Suponho que pouco tempo lhe sobrasse para tratar do governo da nação com tantos esquemas e segredos que ocupariam, certamente, muito tempo e mil cuidados.

Mas esse pouquíssimo tempo sobejante, que deveria dedicar à pátria, esse infame, aplicava-o doutra maneira como se pode ouvir nas escutas que “vazaram”, aplicava-o de tal maneira e com tanta frequência em casos com mulheres, amantes, namoradas, meretrizes, rameiras, senhoras jornalistas amancebadas e chupistas e familiares (alguns foragidos cá em Angola) e também em decoração de interiores, que verdadeiramente não teria um minuto para fazer a única coisa para a qual democraticamente o povo português o elegeu: governar Portugal.

Sócrates foi o pior dos piores, desde Afonso Henriques até António Costa e Ticelito. Mérito lhe seja reconhecido pelo menos por isso.

Portugal, hoje, dia 10 de Junho de 2019, celebra o seu dia mas também o dia das suas comunidades na diáspora, o dia de Camões e sobretudo o dia da Língua Portuguesa.

Língua Portuguesa essa que é reconhecidamente – por todos os linguistas que conheço – melhor tratada em Angola do que na própria nação mau-grado todo o esforço do MPLA em tentar manter os angolanos ignorantes para melhor os dominar, da mesma forma que repetia incessantemente pelos seus meios que a UNITA tinha matado, comido criancinhas, atacado aldeias inocentes, e, feito todo o tipo de maldades para fazer uma lavagem cerebral os jovens de então, adultos de hoje, de tal forma que como num reflexo de Pavlov, o nome de Savimbi os faz pensar em coisas más tal como a campainha fazia o cão salivar.

Mas dediquemo-nos ao tema do título deste híbrido de ensaio, artigo de opinião e crónica que já tenho poucas linhas e se começo a divagar não o faço pouco e nada devagar. Adiante.

Eu posso falar de racismo porque já fui vítima dele. Apesar do meu irmão ser loiro, de olhos azuis e branco, já eu tenho um perfil mais mediterrâneo e apanhando sol e com o cabelo meio encrespado, rapado e de barba farta como costumo andar, posso passar por uma espécie de não europeu e foi o que aconteceu uma vez numas férias na Turquia numa instância frequentada sobretudo por iranianos, russos e escandinavos.

Dessa forma quando eu não andava acompanhado pela minha ebúrnea companheira de então, o que era sempre para ser honesto (a paciência afinal tem finitude), muitos russos catalogavam-me logo como iraniano, e ouvia-os a sussurrar quando eu passava, ou as mulheres a apertar mais os filhos para me cederem passagem, ou quando eu aparecia num bar as pessoas instintivamente pegavam nos seus pertences, ou a ficarem espantadas por me verem ler um livro ou a escrever, ou então como achavam estranho eu ser tão gentil para os empregados, ou como ficavam assustadas quando entabulava uma qualquer conversa em inglês para matar o tédio.

Mas o auge, foi num jogo de futebol onde se escolhiam 5 elementos para cada equipa apesar de sermos 12 e necessariamente um de cada equipa ficar de fora como suplente… de repente instala-se uma preocupação nos restantes dez “companheiros” todos eles russos ou ex-soviéticos, ou finlandeses ou noruegueses e talvez um inglês ou dois (afinal eles são uma praga que está em todo lado desde que haja sol e cerveja) porque as carteiras e os telefones iriam ficar pousados num sítio, à sombra, onde provavelmente ficariam os jogadores suplentes, que iriam rodando estando assim à mão de serem roubados, por alguém porventura com mais melanina na cara do que qualquer um deles. Obviamente recusei-me a jogar e pedagogicamente insultei-os em todas as línguas que sabia e que pudessem compreender não deixando de dar uma entediante palestra sobre biologia, genética, moral, filosofia e história.

O que me levou a esta tema foi o facto de um meu fornecedor de serviços muito competente, ter respondido na semana passada -à minha pergunta sobre se iria trabalhar hoje – que não trabalhava no Dia da Raça (por acaso ele foi ex-combatente na Guiné-Bissau, na área vagamente médica onde tratavam tão bem os feridos portugueses como os -ao tempo – inimigos guineenses, como ele não se cansava de me dizer amiúde) e a partir daí – e eu que o tinha como bom, inteligente e honesto – me ter dito toda uma sorte de impropérios sobre africanos e negros em geral, que visivelmente me incomodavam, mas que ao invés de o deter, lhe espicaçou mais a verborreia estridente e que culminou com o seu aforismo: “ A mim não me incomoda ver um branco a andar com uma preta e até acho bem (usou aqui linguagem vernacular que prefiro não reproduzir) mas quando vejo um preto a –digamos – andar com uma branca, fico doente, não concebo, não me entra na cabeça…”

Estive a pensar nessa frase até ao dia em que escolhi o tema para o meu artigo de opinião e até discuti com alguns doentes, retornados sobretudo, que fui atendendo, o que eles achavam dos nativos e todos me disseram que eram seus iguais e semelhantes, mas claro que no contexto em que estava não poderia aprofundar a questão: “O que achava se a sua filha branca como a neve namorasse com um preto como o azeviche…?”

Porque a questão do racismo, meus caros, resume-se a duas coisas.

A primeira é não falar dela, eliminar a palavra, parar de a usar para desculpar ou especular qualquer coisa ou o que quer que seja.

A segunda tem a ver com o que é que um pai faria se a sua filha escolhesse para companheiro um ser humano de uma cor diferente, de uma outra etnia, de uma cultura distinta.

A haver dia da raça portuguesa, seria um dia de todas as raças do mundo, porque os portugueses primeiro, são fruto de todos os fugitivos da Europa, Médio-Oriente e Norte de África que chegando a Portugal não tinham mais para onde fugir, e estou a citar o grande historiador José Hermano Saraiva, segundo porque – não num sentido literal (as pessoas usam esta palavra bem como o adverbio “literalmente” pensando que significa exactamente o contrário do que quer dizer) mas num sentido estrito – os portugueses estiveram em todo o mundo e miscigenaram-se com todos os povos.

Mas lá está, eram marinheiros e aventureiros: homens; que cortejavam as mulheres de todas as raças e de qualquer latitude e mais que houvessem. Gostaria de saber se em circunstâncias contrárias, se as senhoras portuguesas os acompanhassem nas suas demandas marítimas, os tugas seriam assim tão liberalmente multi-culturais ou multi-étnicos ao ponto de se ufanarem de serem os criadores de mulatos e mestiços por essas duas vias?

Brasil | Sergio Moro tem a “total confiança” de Bolsonaro

Posted: 11 Jun 2019 01:34 AM PDT

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, disse que o ministro da Justiça, Sergio Moro, é uma pessoa “da mais ilibada confiança do presidente”, na sequência de reportagens do Intercept que puseram em causa a imparcialidade da Operação Lava-Jato.

“Conversa privada é conversa privada, né? E descontextualizada ela traz qualquer número de ilações”, afirmou Mourão aos jornalistas ao deixar o Palácio do Planalto.

“Então o ministro [Sergio] Moro é um cara da mais ilibada confiança do presidente, é uma pessoa que, dentro do país, tem um respeito enorme por parteda população”, acrescentou.

Sergio Moro, que ocupa o cargo de ministro da Justiça e da Segurança Pública no governo liderado pelo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi citado neste domingo numa série de reportagens sobre a Operação Lava-Jato do site The Intercept.

O portal de investigação publicou textos com supostas mensagens e conversas privadas entre promotores e juízes brasileiros na aplicação Telegram, denunciadas por uma fonte anónima, que apontariam falta de imparcialidade e colaboração ilegal na maior operação contra a corrupção do Brasil.

Segundo o Intercept, conversas privadas revelam que o ex-juiz Sergio Moro sugeriu ao procurador e responsável pelas investigações da Lava-Jato, Deltan Dallagnol, que alterasse a ordem das fases da operação Lava-Jato, deu conselhos, indicou caminhos de investigação e deu orientações aos promotores encarregados do caso, ou seja, teria ajudado a acusação, o que viola a legislação brasileira que exige imparcialidade aos juízes.

As mensagens também indicariam, segundo o The Intercept, que os promotores da Lava-Jato tinham sérias dúvidas sobre a qualidade das provas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva num processo em que foi condenado em três instâncias da justiça brasileira de receber um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS.

Lula da Silva foi preso em abril do ano passado, para cumprir pena desta condenação em regime fechado, sendo posteriormente proibido de concorrer na eleição presidencial realizada em 2018, quando era o candidato favorito da população, segundo as sondagens realizadas à época.

Moro alegou, neste domingo, que no conteúdo das mensagens que o citam nas reportagens “não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava-Jato”.

Noutras conversas reveladas pelo Intercept, um grupo de promotores da Jato-Lava discute formas de impedir uma entrevista que Lula da Silva deveria dar ao jornal Folha de S. Paulo alegando que a mesma poderia beneficiar o Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições.

Num comunicado enviado à imprensa na madrugada de hoje, a task-force da Lava-Jato afirmou que as reportagens são fruto de uma publicação “tendenciosa e indica o intuito de atacar a operação”.

“Nenhum pedido de esclarecimento ocorreu antes das publicações [das reportagens do Intercept], o que surpreende e contraria as melhores práticas jornalísticas”, lê-se no comunicado da Lava-Jato.

“Além disso, é digno de nota o viés tendencioso do conteúdo divulgado, o que é um indicativo que pode confirmar o objetivo original do hacker de, efetivamente, atacar a operação Lava-Jato, aspeto reforçado pelo facto de as notícias estarem sendo divulgadas por site com nítida orientação ideológica”, acrescentou.

Os procuradores da Lava-Jato também alegaram ter “preocupação com possíveis mensagens fraudulentas ou retiradas do devido contexto” nas reportagens.

Os advogados de Lula da Silva consideraram que as reportagens publicadas pelo portal Intercept sobre a Lava-Jato reiteraram que houve uma atuação combinada entre os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro para condenar o ex-presidente brasileiro.

Já o Intercept enfatizou que fará ainda outras reportagens e que todo o material divulgado vem de uma fonte anónima que os contactou e forneceu mensagens trocadas na rede social Telegram, vídeos, fotos e arquivos de áudio.

Diário de Notícias | Lusa

Brasil | Moro e Ministério Público incriminaram Lula da Silva

Posted: 11 Jun 2019 01:35 AM PDT

Sérgio Moro, comprovadamente juiz com mau caráter e inescrupuloso

Mensagens divulgadas pelo site “The Intercept” mostram o ex-juiz a combinar troca de ordem de fases da Lava-Jato, a exigir realização de novas operações, a dar conselhos e pistas e a antecipar uma decisão judicial aos procuradores

O ex-juiz Sergio Moro e membros do Ministério Público do Brasil trocaram informações e colaboraram na Operação Lava-Jato, incluindo nos processos que levaram à condenação de Lula da Silva, revela uma investigação do site “The Intercept”.

O site mostra mensagens de Moro a sugerir ao MPF trocar a ordem de fases da Lava Jato, a exigir a realização de novas operações, a dar conselhos e pistas e a antecipar-lhe, pelo menos, uma decisão judicial. Numa das trocas, o ex-juiz discorda até da tentativa do MPF de adiar um depoimento de Lula. “Vocês devem estar brincando. Não tem nulidade nenhum, é só um monte de bobagens”, diz.

Noutra conversa intercetada, procuradores combinam manobras para impedir que Lula desse uma entrevista a meio da pré-campanha eleitoral. Uma das procuradoras, Laura Tessler, comenta que se o antigo presidente falasse poderia até eleger Fernando Haddad, candidato do PT que disputou as eleições, e acabou por perder, com Jair Bolsonaro.

Os diálogos mencionam mesmo detalhes do processo que condenou o líder histórico do PT.

Perante a divulgação das mensagens trocadas entre o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Força-Tarefa da Lava Jato o Partido dos Trabalhadores acusa Moro e O Ministério Público de agirem de forma “combinada para criar uma farsa judicial, forjando acusações com o objetivo político de impedir a vitória de Lula da Silva e do PT nas eleições presidenciais”.

Moro divulgou domingo uma nota a negar haver “anormalidades ou direcionamento” nas investigações e chamou o conteúdo dos artigos dos jornais de “sensacionalismo”. Já a procuradoria, diz-se vítima de ataques de hackers.

O PT reage também ao desmentido que Moro e os procuradores da Lava Jato afirmando que ” ultrapassaram todas as fronteiras da legalidade e do estado democrático de direito. Cometeram crimes contra a liberdade de Lula, contra o direito de defesa e o devido processo legal e, principalmente, contra a soberania do povo no processo eleitoral”.

E a defesa de Lula pede o imediato “restabelecimento da liberdade plena de Lula” e afirma que o ex-presidente é vítima da “manipulação de leis com fins de perseguição política”.

Alexandra Carita | Expresso

Leia em Página Global todas “As conversas secretas da Lava Jato” no título “Judiciário brasileiro, a nojeira ao mais alto nível com Dallagnol, Moro e outros” e fique por dentro de como a trama que vitima Lula da Silva foi construída por Moro e apaniguados

Leia mais em Página Global no título sobre posição de juízes democráticos brasileiros: “Associação de juízes exige imediata soltura de Lula e demissão de Moro

Lusofonia | Por uma irmandade da língua

Posted: 11 Jun 2019 12:54 AM PDT

José Eduardo Agualusa | Expresso | opinião

É um dos mais conceituados escritores de língua portuguesa, com vários prémios no currículo. Aceitou o repto do Expresso e na data em que se assinala o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas escreve sobre a lusofonia

Testemunhei em diversas ocasiões o genuíno espanto de cidadãos portugueses, em visita a Angola ou a Moçambique, quando percebem que a palavra lusofonia está longe de ser consensual, podendo levantar, pelo contrário, acesa polémica.

Em primeiro lugar, é importante ter em conta que em todos os países africanos, mas também no Brasil, em Timor-Leste, e até em Portugal, a língua portuguesa não está sozinha. Em Portugal o mirandês é a segunda língua oficial do país, desde 1999, lado a lado com a língua portuguesa. Além disso, há hoje largos milhares de portugueses que têm como língua materna o crioulo de Cabo Verde. Talvez seja altura de considerar também esta língua como idioma oficial. No Brasil, são línguas oficiais, além do português, o nheengatu, o tukano, o baniwa, o macuxi, o wapixana e o akwê xerente. Muitas outras deveriam beneficiar de idêntico estatuto.

Temos, portanto, no interior da lusofonia, inúmeras comunidades linguísticas que se esforçam por preservar identidades próprias, e que, em alguns casos, olham para a língua portuguesa como uma ameaça. Não se trata de paranoia. O português já foi língua de extermínio no Brasil, onde em cinco séculos se perderam muitas centenas de idiomas indígenas, alguns absolutamente originais, isto é, sem parentesco com outros. Em Angola, as línguas nacionais resistiram ao colonialismo, mas enfrentam agora a enorme pressão do português, que teve um crescimento assombroso nos últimos anos.

Antes da independência, o português era falado em Angola, enquanto língua materna, por uma percentagem muito reduzida de angolanos — no máximo cinco por cento. Hoje, mais de metade dos jovens e crianças já só fala a nossa língua. Creio não existir em África nenhum outro exemplo de um idioma colonial que se tenha enraizado com tanto sucesso. O problema é que a expansão do português se fez à custa de outras línguas, em particular do quimbundo. Hoje, nas ruas de Luanda, é muito mais fácil encontrar quem tenha o português como língua materna do que quem fale quimbundo.

Trata-se de um retrocesso imenso, considerando que no século XIX todos os habitantes de Luanda, fossem eles angolanos ou portugueses, falavam quimbundo. Naquela época chegaram a ser publicados jornais escritos inteiramente em quimbundo, e nas restantes publicações periódicas surgiam com frequência poemas, contos e artigos de opinião nesta bela e sonora língua.

Nas últimas décadas aumentou muito o trânsito de pessoas dentro do território da lusofonia. São movimentos complexos e plurais, que acontecem em todos os sentidos: há portugueses em Angola e angolanos em Portugal; brasileiros em Portugal e Angola e portugueses e angolanos no Brasil. Por outro, as novas tecnologias vieram facilitar a troca de informação em português. Vivendo na ilha de Moçambique, começo o meu dia lendo jornais angolanos, moçambicanos, brasileiros e portugueses. Nunca como hoje nos conhecemos (e reconhecemos) tão bem uns aos outros. Nunca houve tanta gente trabalhando em conjunto na construção de uma identidade comum.

Comparando com a francofonia e a Commonwealth, há diferenças importantes que explicam o sucesso do caso lusófono. Um deles é, por paradoxal que pareça, a fragilidade da antiga potência colonial. A não existência de um centro forte permitiu a emergência e a afirmação de vários outros núcleos de expansão da lusofonia, num movimento mais amplo e democrático. Basta pensar, por exemplo, na influência da cultura angolana em Portugal (e da variante do português angolano), através, sobretudo, da música popular urbana.

Estamos criando um espaço de língua portuguesa em que todas as partes participam de forma livre, em situação de relativa igualdade, sem dominados nem dominadores. Uma lusofonia horizontal, que não se esgota, longe disso, na língua comum. Uma irmandade autêntica.

O principal desafio que enfrentamos na construção desta irmandade passa pela forma como a língua portuguesa é percebida no espaço lusófono. O português tem de avançar em conjunto com as restantes línguas nacionais de cada país. Não pode ser percebido como inimigo, mas como parceiro. Apoiar a língua portuguesa em Angola, Timor-Leste, Guiné-Bissau ou Moçambique significa reconhecer a dignidade dos restantes idiomas nacionais e criar políticas para que essas línguas ganhem força e recuperem o prestígio. O desafio, portanto, é conseguir que a lusofonia seja encarada como uma dinâmica positiva em todos os territórios de língua portuguesa, pelas diferentes comunidades linguísticas que neles vivem.

Há que lutar também pela livre circulação de pessoas e ideias em todo o espaço da lusofonia. Precisamos forçar os nossos governos a instituir o tão falado “passaporte lusófono”. Parece-me igualmente importante facilitar a circulação do livro em português. Portugal, que foi capaz de desenvolver uma excelente rede de bibliotecas públicas, poderia ajudar os países africanos (e até o Brasil) a fazer o mesmo.

A língua portuguesa é uma construção conjunta de todos aqueles que a falam — e é assim desde há séculos. A minha língua — aquela de que me sirvo para escrever —, não se restringe às fronteiras de Angola, de Portugal ou do Brasil. A minha língua é a soma de todas as suas variantes. É plural e democrática. A sua imensa riqueza está nessa diversidade e na capacidade de se afeiçoar a geografias diversas, na forma como vem namorando outros idiomas, recolhendo deles palavras e emoções. Aprisionar a língua portuguesa às fronteiras de Portugal (ou de Angola ou do Brasil) seria mutilá-la, roubar-lhe memória e destino.

Com o colapso do Império, o português libertou-se. É nessa língua livre que eu me reconheço, e é por ela que luto.

Portugal | PCP reafirma impedimento de novas PPP na Lei de Bases da Saúde

Posted: 11 Jun 2019 12:15 AM PDT

O PCP reafirmou hoje a intenção de impedir novas parcerias público-privadas (PPP) no âmbito da revisão da Lei de Bases da Saúde, em discussão no parlamento, e defendeu que a questão deve ser assumida na atual legislatura.

“Para nós a gestão das unidades do SNS é pública, ponto final. Não há gestão privada das unidades do serviço público de saúde”, afirmou, em conferência de imprensa, Jorge Pires, do comité central do PCP.

O dirigente da comissão política comunista, confrontado com a intenção do Bloco de Esquerda de remeter a questão das PPP para uma fase posterior à Lei de Bases da Saúde, como forma de viabilizar um acordo com o PS, disse não conhecer ainda a proposta em concreto.

Segundo Jorge Pires, o PCP não apoiará “um salto no escuro” e não se mostra favorável a deixar para o futuro “a discussão de um problema” sem que se possa saber qual será a próxima composição da Assembleia da República.

“Se este problema ficar definido agora é a garantia de que será muito mais difícil, enfim, aprovar legislação que vá no sentido de favorecer o aparecimento de novas PPP”, salientou.

O dirigente comunista considerou que, “desde o principio, o PS se tem oposto a uma revisão progressista da lei”, que valorize o Serviço Nacional de Saúde (SNS), quando nada tem feito “para impedir que as PPP se mantivessem”.

Os comunistas assumem que, no parlamento, irão “até ao limite temporal” para chegar a um acordo relativamente à revisão da lei de bases, responsabilizando os socialistas por não ter sido possível garantir o entendimento necessário e não se demarcarem das opções que têm vindo a concretizar ao longo dos anos.

“Manter a possibilidade dos grupos económicos privados gerirem unidades do SNS é manter a promiscuidade entre o público e o privado, uma das principais causas para a situação que se vive hoje no SNS”, acusou Jorge Pires.

No seu entendimento, a opção pelas PPP tem como objetivo “drenar milhares de milhões de euros para os grupos económicos”, com a sequente “estagnação da construção hospitalar pública”.

Para o dirigente do PCP, a intervenção dos privados deve limitar-se à “contratação da prestação de cuidados de saúde e não da gestão de estabelecimentos de saúde”, vincando que “o PS ainda está a tempo de refletir” e apoiar uma lei de bases que assegure uma “separação entre os setores” e garanta as necessidades de investimento do SNS.

A posição dos comunistas surge após a coordenadora do BE, Catarina Martins, ter garantido, no sábado, que aprova a proposta da Lei de Bases da Saúde se as parcerias público-privadas forem retiradas da lei, para serem discutidas mais tarde, e se o atual regime jurídico das PPP for revogado.

A proposta do BE visa “ultrapassar o impasse criado e a salvar a Lei de Bases da Saúde”, salvaguardando assim que os “passos dados e que são positivos não sejam postos em causa”.

“Se o Partido Socialista aceitar esta proposta, poderemos ter uma Lei de Bases aprovada à esquerda, ficará assegurada a revogação da lei de Cavaco Silva, que é danosa para o Serviço Nacional de Saúde, e será possível em tempo próprio uma decisão clara sobre o regime de gestão das unidades do SNS”, disse.

No parlamento, o grupo de trabalho da Nova Lei de Bases de Saúde deverá prosseguir na terça-feira com a “discussão das propostas de alteração” e votações indiciárias (ou indicativas) no âmbito da proposta de lei.

Notícias ao Minuto | Lusa

Portugal | Uma solução para o impasse da Lei de Bases da Saúde

Posted: 11 Jun 2019 12:07 AM PDT

Mariana Mortágua | Jornal de Notícias | opinião

Quando o Bloco de Esquerda decidiu transformar em projeto de lei a proposta de Luís Arnaut e João Semedo para uma nova Lei de Bases da Saúde, não o fez apenas para marcar uma posição.

Fizemo-lo à procura de uma maioria parlamentar que se unisse em torno de uma solução de longo prazo para o SNS. Uma solução que recuperasse o seu caráter público e universal, afastando de vez a predação dos privados imposta por Cavaco Silva, autor da atual Lei de Bases.

Foi em nome dessa convergência que aceitámos depois trabalhar a partir de um texto proposto pelo PS, que não correspondia à nossa redação original. Desde o início que colocámos, no entanto, três condições para uma negociação: o fim das PPP, a eliminação das taxas moderadoras, e o caráter supletivo do privado (ou seja, que o SNS só contrate com o privado quando ainda não tem capacidade). O Governo aceitou todas estas condições, para depois recuar numa delas, o fim das PPP.

Não é este o momento de discutir esta mudança de posição. O facto é que ela criou um impasse nas negociações. O PS não quer colocar na lei a garantia da gestão pública dos hospitais públicos, mas não pode impor ao Bloco a aceitação das PPP como condição para uma nova Lei de Bases. O Bloco não votará uma lei que abre as portas à gestão privada de hospitais públicos. Essa era, desde início, uma das três condições que muito claramente colocámos em cima da mesa.

O impasse tem, pois, que ser resolvido, pois seria triste que a Lei de Bases inspirada por Semedo e Arnaut ficasse pelo caminho pela insistência do PS em manter a possibilidade de futuros hospitais PPP.

Para procurar um consenso que salve o trabalho que já foi feito, o Bloco propôs ao PS uma solução. A nova Lei de Bases não se pronunciará sobre as PPP, que ficarão remetidas para lei própria, a aprovar na próxima legislatura. Em contrapartida, o atual regime jurídico das PPP, aprovado pelo Governo de Durão Barroso, deve ser revogado, garantido que as atuais PPP não poderão ser renovadas.

Se não existe neste momento uma maioria parlamentar que garanta que a gestão do SNS no futuro será pública, então essa decisão deverá ser tomada pela maioria que se formar na próxima legislatura. É por isso importante que todos os partidos assumam com transparência as suas posições sobre esta matéria. Até lá, o país terá ganho uma nova Lei de Bases da Saúde, aprovada à Esquerda, que afaste de vez o fantasma do Governo de Cavaco Silva do SNS.

*Deputada do BE

Portugal | Inicia-se hoje votação indiciária de propostas de alteração à lei laboral

Posted: 10 Jun 2019 11:54 PM PDT

O grupo de trabalho parlamentar sobre a lei laboral inicia hoje as votações indiciárias das propostas de alteração ao Código do Trabalho, que incluem novas limitações aos contratos a prazo ou o alargamento do período experimental.

Em causa está a proposta do Governo que altera o Código do Trabalho aprovada no parlamento, na generalidade, em 18 de julho, bem como as propostas de vários partidos, incluindo do PS, que apresentou, em 12 de abril, um conjunto de clarificações à proposta inicial do Governo.

As várias alterações em cima da mesa deram origem a um guião de votações de mais de 200 páginas, pelo que os deputados que integram este grupo de trabalho, no âmbito da Comissão de Trabalho e Segurança Social, antecipam uma maratona de votações para que o processo possa ficar concluído e o diploma possa ser sujeito a votação final global até 19 de julho, último plenário antes das férias parlamentares.

Este processo de votação, no âmbito do grupo de trabalho foi inicialmente marcado para 28 de maio, tendo sido adiado para hoje.

A proposta do Governo que altera o Código do Trabalho foi aprovada na generalidade, com os votos favoráveis do PS, a abstenção do PSD, CDS-PP e PAN, e a rejeição do BE, PCP e PEV.

O documento foi a votos na Assembleia da República após um acordo celebrado há quase um ano, na Concertação Social, com a UGT e as confederações patronais, no dia 30 de maio de 2018.

Entre as alterações propostas pelo Governo estão o alargamento do período experimental de 90 dias para 180 dias para contratos sem termo de jovens à procura do primeiro emprego ou desempregados de longa duração e o fim do banco de horas individual, criando a possibilidade de um novo regime de banco de horas por acordos de grupo.

A proposta prevê ainda a redução de três para dois anos do prazo máximo dos contratos a termo certo e de seis para quatro anos o dos contratos a termo incerto e cria uma taxa para as empresas que registem elevados níveis de rotatividade dos trabalhadores.

Está ainda prevista a generalização dos contratos de muito curta duração (que não têm de ser escritos) a vários setores de atividade.

Algumas destas medidas propostas pelo Governo desagradaram aos partidos à esquerda do PS, nomeadamente a questão do alargamento do período experimental, a criação do banco de horas grupal ou a generalização dos contratos de muito curta duração, ambas contestadas pelo BE e pelo PCP.

O Partido Comunista também tem sublinhado a sua oposição à criação da taxa para as empresas que mais recorrem à contratação a termo.

As limitações e clarificações àquelas matérias previstas nas propostas de alteração do PS não deverão ser suficientes para inverter a oposição do PCP e do BE.

Em declarações à Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro precisou que o seu partido não apoiará alterações que piorem o enquadramento legal face ao que agora vigora.

“O Bloco de Esquerda tem dito que acompanhará as medidas que melhoram a lei, mas as que a pioram, obviamente, não podemos acompanhá-las”, disse o deputado do BE, precisando que esta posição não se alterou com as “mitigações introduzidas” com a proposta de alteração do PS.

Notícias ao Minuto | Lusa | Foto: Global Imagens

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