Ferry or no ferry esta é a questão nas ilhas

Outro navio-ferry atrasado… (Cron. Rádio Atlant. 20/05/2019)

Quem vive em ilhas, está sempre sujeito às contrariedades do tempo, do estado do mar, das operações marítimas, das avarias, dos atrasos, dos cancelamentos das viagens aéreas e marítimas, da falta de condições para acorrer ao cuidados de saúde básicos e sobretudo diferenciados, sujeito à falta de bens necessários à qualidade de vida, às dificuldades na colocação dos produtos, enfim…é um rol de lamúrias que nunca mais acaba, mas que normalmente se mantém no discurso das populações, nomeadamente das ilhas mais pequenas carenciadas.
Mais uma dificuldade surge agora aos habitantes das antigamente chamadas ilhas de baixo. O barco ferry da Atlanticoline (Azores Express), que deveria iniciar as viagens de verão antes das festas do Senhor Santo Cristo, ainda não apareceu e não se sabe quando virá.
O caso, se pouco importa aos habitantes desta Ilha Grande, prejudica fortemente os outros açorianos que já tinham acertado viagem para as festas maiores.
E não fosse alguém a informar-se, ainda hoje estaríamos à espera do barco, olhando o horizonte, à espera do D. Sebastião…
Não pode ser assim. Quem gere os bens públicos e cuida do bem-estar das populações, tem de respeitar a vida das pessoas.
Não vale dizer que há um barco de substituição que transporta para a Terceira os passageiros lesados do Faial, Pico, São Jorge, e que depois serão trasportados na SATA para São Miguel; esse transporte alternativo só transporta passageiros e tem qualidade e velocidade inferiores. O que fizeram foi atamancar a situação, pois não há transporte de viaturas.
Para estes percalços normais, deve estar assegurada uma solução alternativa identica, que não afete a vida das populações e os gastos do erário público.
Quem vem a terreiro explicar com detalhe o que de fato aconteceu e quem falhou? Quem vem à praça pública dizer quanto tempo mais os açorianos vão esperar para adequarem a sua vida ao habitual meio de transporte marítimo de passageiros e viaturas?
Programar não é só fazer horários que depois não se cumprem. Programar é prever, equacionar problemas e encontrar soluções que não lesem os cidadãos, sobretudo os mais fracos e com menor poder de compra.
Ao longo destes anos, continuam as contrariedade e desculpas, e os cidadãos a acreditarem sempre que este ano é que vai ser!…
Chega de tanta incúria!
Estamos longe de tudo, e os barcos disponíveis estão longe, é verdade. Mas compete a quem de direito acautelar situações imprevisíveis, para que a gestão e administração públicas não caiam no descrédito.
É que, por um navio a navegar se ganha credibilidade política, e por um navio que não chega a tempo, se perde credibilidade governativa.
Num caso ou noutro, o cidadão aponta sempre o dedo e as culpas a quem governa. E tem toda a razão!

José Gabriel Ávila
20/05/2019

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chrys chrystello

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL