JOE BERARDO TESTA DE FERRO CONTRA A OPA?

For my Portuguese friends: Subscrevo as palavras de Filipe Alves, Director do Jornal Económico. Relembro que o actual Primeiro-Ministro era o número dois do governo liderado por um bandido, José Sócrates. Esse governo opôs-se activamente à OPA da SONAE sobre a PT e planeou/liderou o assalto ao BCP, o maior e melhor banco à data. Para tal usou agentes como Berardo. Como Berardo não iniciou os negócios, protegeu-se e bem. Não é a ele que devemos dirigir a nossa indignação mas sim aos políticos, banqueiros e reguladores à época, por terem sido cúmplices de negociatas e situações onde imperaram incompetência e corrupção (o SIRESP também é disso um exemplo). Em países desenvolvidos essas negociatas e situações teriam dado cadeia.

O grave, em Portugal, não é existir incompetência e corrupção nas mais elevadas esferas do poder. O grave é existir impunidade. O mais grave ainda é essa impunidade proteger selectivamente quem habita ou está próximo do poder, a começar por quem quis controlar o BCP: José Sócrates, vários políticos socialistas (de nome apenas) dentro e fora do seu governo e vários agentes e/ou cúmplices, incluindo Armando Vara, Antonio Mexia, Carlos Santos Ferreira, Vitor Constâncio, Zeinal Bava e outros mais ou menos visíveis quer do lado da política quer dos negócios. O actual Primeiro-Ministro também foi cúmplice nestes assaltos e negociatas.

Escreve Filipe Alves:

“Nos últimos dias tem-nos sido vendida a ideia de que Berardo é apenas mais um grande devedor que não quer pagar o que a banca lhe emprestou. O estilo invulgar do homem e a forma como se dirigiu aos deputados ajudaram a desviar atenções e a passar para segundo plano outros aspectos mais complexos. Os quais não foram devidamente aflorados no Parlamento, talvez porque nestas matérias quase todos os partidos têm telhados de vidro. E os poucos que não os têm continuam a acreditar que o Estado deve mandar na economia e nos negócios, sendo assim cúmplices involuntários da cultura que propicia este tipo de situações. De resto, o divertido “show Berardo” não teria sido possível sem a ajuda prestimosa de alguns deputados que, procurando aqueles 15 minutos de fama que podem lançar uma carreira, entreteram o pagode com questões que passaram ao lado do essencial. A verdade é que, nos tempos que correm, qualquer suspeito que se preze quer ir ao parlamento, porque com sorte consegue sair de lá melhor do que entrou. Quiçá com fama de incompetente, amador, esquecido ou arrogante, é certo, mas ninguém vai preso por isso.

Mas voltemos a Berardo. Em primeiro lugar, o que o diferencia de outros grandes devedores que deixaram centenas de milhões de euros por pagar é o facto de, ao contrário destes, ter sabido proteger o património pessoal, recusando atravessar-se pelas dívidas em questão. Houve, claro, uma grande dose de chico espertice da sua parte, mas a verdade é que nenhum empresário, pequeno ou grande, gosta de assinar um aval pessoal para poder obter um crédito para financiar um negócio. O anormal não é, pois, Berardo não querer entregar garantias pessoais, mas antes o facto de ainda assim a Caixa, o BES e mais tarde o BCP lhe emprestarem centenas de milhões de euros.

O que nos leva ao porquê de Berardo ter recebido esses créditos. Para responder a esta questão, basta seguir o dinheiro, recordar quem concedeu os empréstimos e o que fez Berardo com as somas fabulosas que recebeu. Recuemos alguns anos: com esse dinheiro nas mãos, o comendador que se veste de preto procurou fazer de “white knight” na defesa da PT contra a OPA da Sonae e participou na ‘guerra civil’ no BCP, ajudando a afastar Jardim Gonçalves, banqueiro que era, até então, considerado o mais poderoso na economia portuguesa. O próprio Berardo confirmou no Parlamento que foi a CGD a propor a operação no BCP. E porque não é parvo, em troca dessa “ajuda aos bancos”, como lhe chamou atabalhoadamente no Parlamento, exigiu garantias de que o seu património pessoal não seria colocado em risco. Garantias essas que lhe terão sido dadas, porque o interesse em que o negócio se fizesse não era propriamente de Berardo. O comendador podia ditar as condições para aceitar participar na jogada.

No fim de contas, se pensarmos em quem pôs o dinheiro nas mãos de Berardo e com que objectivos, concluímos que na origem das suas dívidas bilionárias não estão o capitalismo selvagem nem a proverbial sede de lucros da banca, mas sim a promiscuidade entre a política e os negócios e a tentativa megalómana que ocorreu em Portugal de controlar o poder político, a banca, os grandes negócios e a comunicação social, mas que muitos continuam a não querer ver, apesar de todas as evidências. E enquanto andamos entretidos com “gente que não sabe estar”, os verdadeiros responsáveis e, sobretudo, aqueles que então os apoiaram, procuram passar tranquilamente pelos pingos da chuva.”

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Segundo a auditoria da EY à gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) entre 2000 e 2015, o banco público tinha neste ano uma exposição a Joe Berardo e à Metalgest, empresa do seu universo, na ordem dos 321 milhões de euros. Veja aqui a audição parlamentar ao empresário.

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