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Dois mortos em novos ataques no norte de Moçambique

Posted: 13 May 2019 01:14 PM PDT

Desconhecidos que se suspeita fazerem parte dos grupos armados que têm atacado a província moçambicana de Cabo Delgado mataram duas pessoas e incendiaram viaturas em dois incidentes distintos ocorridos nos últimos dias.

Duas pessoas tinham saído de uma aldeia para ir vender barrotes de construção na vila de Mocímboa da Praia, na sexta-feira (10.05), quando foram surpreendidas pelos agressores, que as mataram. noticia o portal Carta de Moçambique. Durante o ataque, uma terceira pessoa conseguiu escapar.

Segundo a mesma fonte, um outro ataque aconteceu no sábado (11.05), dezenas de quilómetros a norte, quando duas viaturas foram incendiadas no troço de estrada em terra batida entre Palma e o rio Rovuma, que faz fronteira com a Tanzânia.

 

Um veículo era um camião carregado com produtos alimentares e bens, enquanto o outro era um miniautocarro que transportava passageiros.

Os ocupantes das duas viaturas fugiram antes de ambas serem destruídas.

O portal Carta de Moçambique relata ainda um terceiro incidente em que uma pessoa foi alvejada por desconhecidos na quinta-feira (10.05), estando a receber tratamento médico. A vítima tem colaborado com as autoridades policiais em algumas operações contra os grupos armados, acrescenta.

Desde outubro de 2017, os ataques de grupos armados não identificados com origem em mesquitas já provocaram, pelo menos, 150 mortos em Cabo Delgado.

Agência Lusa | Deutsche Welle

Falta de acesso e ataques armados limitam ajuda em Moçambique, diz MSF

Posted: 13 May 2019 01:11 PM PDT

Chegada de ajuda humanitária às zonas mais afetadas é o maior desafio, segundo a chefe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Moçambique. Campanha de vacinação contra cólera arranca na quinta-feira.

A dificuldade de acesso às áreas mais destruídas pelo Ciclone Kenneth, no norte de Moçambique, é o maior desafio para a chegada de ajuda humanitária à população. Além disso, ataque armados na província de Cabo Delgado dificultam os trabalhos das equipas de saúde, segundo relata a chefe da missão da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em Moçambique, Caroline Rose.

“Temos desafios para ter acesso às zonas mais destruídas em termos da logística de transporte e de segurança”, afirmou em entrevista à DW África. “Pode ser perigoso ter acesso a essas áreas e isso está a limitar a ajuda.”

Outro desafio é reabilitar os centros de saúde. “Alguns foram completamente destruídos”, afirma Caroline Rose. Ao mesmo tempo, a cólera é um problema com o qual se debatem as autoridades, pois as infraestruturas foram devastadas pelo desastre natural ocorrido no final de abril.

 

De acordo com o Ministério da Saúde (Misau), cerca de meio milhão de pessoas serão vacinadas contra a cólera nas regiões afetadas pelo ciclone. A campanha de vacinação contra a doença terá início na quinta-feira (16.05), o que ajudará a controlar a situação.

DW África: Quais desafios há neste momento ao nível da saúde no norte de Moçambique?

Caroline Rose (CR): Na província de Cabo Delgado, depois do Ciclone Kenneth, temos um surto de cólera que foi declarado nos distritos de Mecufi, Pemba e Macomia. A MSF está apoiando as autoridades de saúde locais na resposta.

DW África: Em relação à malária, houve a inclusão de algum caso?

CR: Os casos de malária estão a aumentar, é verdade, mas numa região onde sempre houve casos de malária. No futuro, provavelmente, veremos um aumento. O maior problema de saúde, além da cólera, é que os centros de saúde foram destruídos pelo ciclone Kenneth. Principalmente na ilha de Ibo e no distrito de Macomia não há mais serviços de saúde. As mulheres e as crianças que precisam de cuidados primários e simples não têm mais acesso.

DW África: De que forma a MSF está a ajudar as autoridades moçambicanas a resolver a situação?

CR: Estamos a intervir em lugares diferentes. Estamos a fazer a reabilitação dos centros de saúde e a doar medicamentos, porque em muitos casos tudo foi destruído. Se necessário, podemos apoiar o pessoal do Ministério da Saúde fazendo consultas também, como é o caso do centro de saúde de Macomia. Ao lado da saúde, é sempre preciso providenciar água, porque sem acesso à água limpa a população com certeza vai ficar doente. Então, estamos a melhorar o acesso à água na cidade de Pemba e estamos a trabalhar com o Ministério da Saúde no centro de tratamento da cólera.

DW África: Uma campanha de vacinação contra a cólera começa na quinta-feira em alguns distritos da província de Cabo Delgado. Essa vacinação é vital para o combate à doença neste momento delicado.

CR: Exatamente, é vital para parar o surto da cólera. Já foi feita na cidade da Beira, na província de Sofala, onde foram vacinados cerca de 900.000 pessoas. Agora, estamos a ver que o surto da cólera está a decrescer em Sofala, quase terminando. Agora, temos que fazer a mesma coisa nas cidades de Pemba, Micufi e Metuge. Com o apoio do Ministério da Saúde, do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), nós vamos vacinar cerca de 500.000 pessoas.

DW África: A MSF tem trabalhado também em campanhas de sensibilização na prevenção da cólera no norte de Moçambique?

CR: Sim, a MSF sempre trabalha na promoção de saúde. Ao mesmo tempo, estamos a oferecer cuidados e a trabalhar para garantir acesso à água limpa e ao saneamento. Essas atividades vão juntas e é importante comunicar a população e as comunidades sobre o que é a cólera, como evitá-la e orientar sobre como ter acesso à água limpa. Quando alguém apresenta os sintomas da cólera é preciso ir ao centro de saúde.

DW África: Quais são os principais desafios neste momento crítico na província de Cabo Delgado?

CR: Temos desafios para ter acesso às zonas mais destruídas em termos da logística do transporte e em termos de segurança. Em algumas zonas, só é possível ter acesso com barcos ou helicópteros, porque a estrada ainda está interrompida. As zonas mais afetadas pelo ciclone são também onde ocorrem ataques armados há mais de um ano, como no distrito de Macomia. Então, pode ser perigoso e isso está a limitar a ajuda.

Nádia Issufo | Deutsche Welle

Falta vontade política para combater HIV/SIDA em Angola

Posted: 13 May 2019 01:01 PM PDT

Segundo a Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA (ANASO), o país não tem fundos suficientes para lutar contra a doença. A falta de dinheiro compromete a campanha de prevenção.

A Rede Angolana das Organizações de Serviços de Sida (ANASO) revela que a falta de vontade política está a contribuir para a redução do compromisso de Estado em relação à luta contra a SIDA em Angola. O número de pessoas a viver com a doença continua a crescer no país.

Em declarações à DW África, António Coelho, secretário-executivo da ANASO, afirmA que o programa de combate ao HIV no país continua a depender de doadores internacionais, que estão a reduzir os apoios devido à classificação de “país de renda média” que Angola obteve, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Angola não tem fundos para lutar contra a doença e a falta de dinheiro compromete a campanha de prevenção, diz António Coelho. “O país tem estado a definir outras prioridades, as pessoas têm estado a definir outras preocupações, há o problema da fome, há grande carência fundamentalmente devido à crise social e financeira que o país tem estado a enfrentar. Por isso, entendemos que nessa altura as pessoas não estão muito preocupadas com a doença e com a saúde. Definiram outras prioridades, sentimos também que continua a faltar vontade política”, conclui.

Em Angola, regista-se ainda pouca informação de como o cidadão deve lidar com a doença ou com o doente. O estigma é uma realidade no país que aprovou recentemente uma lei que criminaliza a descriminação.

O secretário-executivo diz que a maior parte dos angolanos não conhece a referida norma. Por outro lado, a imprensa já não aborda o assunto como anteriormente. “Sentimos que a comunicação social está a desistir um pouco do processo da luta contra a SIDA no país. Anteriormente tínhamos programas sobre sida na rádio, na televisão, tínhamos espaços sobre a sida nos diferentes jornais, quer semanários como diários. Hoje, infelizmente, esses espaços desapareceram”, lamenta o ativista angolano.

500 mil pessoas com SIDA

Atualmente, existem em Angola perto de meio milhão de pessoas com HIV/SIDA. Desse número, 65% são mulheres. Quanto à idade, 60% dos jovens de 15 a 24 anos são portadores da doença.

Ainda assim, assiste-se uma redução das ações de prevenção. De acordo com António Coelho Angola depara-se com graves problemas na distribuição dos antirretrovirais. “Assistimos a rupturas, a disponibilidade também está comprometida. A cobertura do tratamento é baixa, representa 25%, por razões relacionadas com a crise, e a taxa de abandono é bastante elevada. Andamos na ordem dos 55%”, revela.

Apesar das dificuldades, a Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA continua a promover diferentes campanhas de sensibilização.

Outra preocupação da associação é a contaminação dolosa: a ANASO regista 14 queixas por dias. “É uma situação que nos está a preocupar. O país tem estado a tentar fazer esforços no sentido de promover ações de prevenção, e neste caso, entendemos que a contaminação dolosa tem estado a comprometer todos os esforços de prevenção”, frisa o secretário.

Borralho Ndomba | Deutsche Welle

Angola | Doze feridos e três detidos pela polícia devido a greve nos comboios em Luanda

Posted: 13 May 2019 12:07 PM PDT

Trabalhadores grevistas do Caminho-de-Ferro de Luanda denunciaram o ferimento de pelo menos 12 colegas e a detenção de outros três numa intervenção da polícia para garantir os serviços mínimos da circulação de comboios.

A informação, avançada à agência Lusa esta segunda-feira (13.05.) pelo secretário para informação da comissão sindical do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL), Lourenço Contreiras, dá conta ainda que se encontra no local um elevado número de polícias, das divisões municipais do Cazenga, Sambizanga, Rangel e Cazenga, auxiliados pela brigada canina. Em causa está a retomada dos serviços mínimos, exigidos por lei em situação de greve.

Na sexta-feira (10.05.), o Conselho de Administração do CFL anunciou o início esta segunda-feira dos serviços mínimos diários, entre as 06:00 e as 18:13, com seis comboios de passageiros suburbanos, operações interrompidas devido à greve e que contavam apenas com duas composições.

A nota da empresa dava conta que, no sábado (11.05.), iria circular um comboio para serviços técnicos para avaliar o estado das linhas e garantir as condições de circulação.

 

Efetivos da polícia no local

Segundo Lourenço Contreiras, desde sábado um elevado número de efetivos da polícia encontra-se no local, tendo os trabalhadores grevistas sido persuadidos a ceder à realização dos serviços mínimos.”Esta manhã, quando nos dirigíamos às instalações, infelizmente, encontrámos o espaço todo vedado pela polícia, com brigada canina e superequipados e impossibilitaram a nossa entrada”, contou Lourenço Contreiras.

O sindicalista disse que, face à situação, os trabalhadores grevistas dirigiram-se para a passagem de nível na Estação dos Musseques, mas foram afastados do local pela polícia.

“Na medida que vinham ao nosso, encontro vinham usando os porretes, atingiu vários colegas, uma colega foi atingida na cabeça e caiu sobre a linha”, contou o sindicalista. Lourenço Contreiras disse que também foi atingido durante a ação da polícia, encontrando-se ferido.

Serviço garantido por não grevistas

Entretanto, a circulação do comboio efetivou-se, tendo chegado a Viana e já regressado à Estação do Bungo, adiantou o secretário para a informação da comissão sindical, frisando que o serviço foi garantido pelas chefias e alguns trabalhadores não grevistas.

“Não sabemos com quem estamos metidos, não se acredita que num país, onde há liberdade sindical, os trabalhadores, por reclamarem um direito, vivam esse terror que estamos a viver”, lamentou.

CFL reconhece direito à greve mas recusa chantagens

O Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) reconhece o direito àgreve dos seus trabalhadores, mas exige que seja respeitado o “direito de quem queira trabalhar”, disse o porta-voz da empresa.

Augusto Osório reagia à situação que se verificou na manhã desta seguna-feira no CFL, na sequência da retomada dos serviços mínimos exigidos por lei em caso de greve, que originou a intervenção da polícia e ferimentos e detenções de alguns dos trabalhadores grevistas.

Segundo Augusto Osório, na manhã desta segunda-feira, tal como estava previsto, às 06:00 partiu o comboio de passageiros da Estação do Bungo com destino à Estação de Viana, mas, diante da passagem de nível do Cazenga, um grupo de grevistas impediu a circulação do comboio colocando-se na linha.

“Naturalmente, houve intervenção policial, que procurou conversar e sensibilizar os grevistas para a violação da lei que estavam a cometer”, referiu.

Intervenção policial foi pedagógia

O porta-voz do CFL salientou que a intervenção da polícia foi pedagógica, esclarecendo que “não estava ali para privar os grevistas de manifestarem qualquer intenção reivindicadora”.

“A polícia, claramente, apontou o facto de eles estarem a violar a lei e que não podia continuar a permitir a violação das normas, protagonizando esta situação de violação à segurança pública, de desacato às autoridades”, frisou, garantindo que a empresa irá responsabilizar os grevistas em causa “até às últimas consequências”.

Augusto Osório disse que a intervenção da polícia foi no sentido de “repor a ordem pública e a lei”, através dos seus métodos, tendo de “usar a força para a retirada dos indivíduos da linha férrea”.”O Conselho de Administração reconhece o direito que as pessoas têm em fazer a greve, isto é um direito constitucional. Não queremos outra coisa senão que eles, no respeito ao direito deles, respeitem também o direito de quem queira trabalhar, juntar-se ao esforço para servir as populações e atingir aquilo que é objetivo social do Caminho-de-Ferro de Luanda”, salientou.

Atos de violência e chantagem

O responsável acusa os grevistas de protagonizarem atos de “violência, chantagem”, para impedir “qualquer uma outra pessoa que queira trabalhar de o fazer”.

“Não sei que tipo de sindicalismo esses indivíduos querem fazer. Gostaria de questionar a central sindical que está por trás desses sindicalistas, que tipo de sindicalismo, se eles se reveem nesta violência, nestas atitudes de arruaça, de desordem pública. Eu próprio fui ameaçado de morte pelo simples facto de prestar declarações à imprensa, é esse sindicalismo que temos”, disse.

“Isso, para nós, é uma sabotagem, que tem fins para lá dos meramente laborais, fins meramente reivindicativos. Querem é sabotar o Caminho-de-Ferro de Luanda para atingir fins políticos inconfessos, mas para isso recorrem a todo o tipo de ilegalidade, de arruaças, de situações inimagináveis”, continuou.

Negociações continuam

Questionado sobre se diante do quadro vão continuar as negociações, Augusto Osório referiu que existe um acordo entre as partes, que está a ser cumprido, com exceção do aumento salarial na ordem dos 80%, por falta de condições da empresa.

“As negociações não devem ser feitas ‘ad eternum’, houve negociações de que resultou o acordo, que está a ser cumprido. O que tem que ser permanente é o diálogo e a concertação”, disse.

“O Estado não deve ceder a chantagens de um grupo de indivíduos. O Estado vai continuar a atingir os seus objetivos e todos aqueles que estão a ameaçar e envolvidos em situações ilegais vão ser responsabilizados de acordo com as leis. Vamos até às últimas consequências no serviço que temos de prestar às populações e tendo sempre em cumprimento as leis do país”, acrescentou.

Agência Lusa, ar | Deutsche Welle

Angola | Ativista dos 15+2 Hitler “Samussuku” posto em liberdade

Posted: 13 May 2019 11:58 AM PDT

O jovem foi acusado pela Procuradoria-Geral da República por crime de ultraje contra Presidente da República, João Lourenço, e está sob termo de identidade e residência enquanto decorre o processo.

O ativista cívico angolano HitlerJessy Tshikonde “Samussuku” detido a última sexta-feira (10.05.), em Luanda, já está em liberdade.

O jovem foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de crime de ultraje contra Presidente da República, João Lourenço, está agora sob termo de identidade e residência enquanto decorre o processo.

Depois de passar o final de semana numa cela dos Serviços de Investigação Criminal (SIC) na capital angolana, Hitler Jessy Tshikonde Samussuku passará a apresentar-se periodicamente na Direção Nacional de Investigação e Ação Penal (DNIAP).

A informação foi avançada pelo seu advogado Zola Mbambi, no final de um interrogatório ocorrido na DNIAP.

“Apesar de estar em liberdade, o ativista foi-lhe aplicado uma medida de coação menos gravosa”, afirma o seu defensor.

 

“A princípio foi acusado de atentado e ultraje contra o Presidente da República num crime contra a segurança do Estado. Em sede da DNIAP foi uma audição que respeitou todos os direitos e garantias que cabia ao Hitler e sendo assim, no final, foi-lhe dado o que era esperado por nós: termo de identidade e residência”.

Razões da detenção

Em causa está a publicação de um vídeo, na semana passada em que, o ativista pronuncia palavras consideradas pelas autoridades de “ultrajantes”.

Extratos do vídeo – “Você está a prender os meus “tropas” (amigos) por causa de manifestação? Wi (amigo) se mete a pau. O José Eduardo dos Santos que tinha mais segurança e poder que você, tiramos-lhe. Você connosco não é ninguém, só tem dois anos, ele tinha 32 anos quando começamos a combater-lhe. É preciso então se concentrar, João Lourenço, nós não queremos problemas contigo, você é que está a começar. Está a prender os meus (tropas)!”

Os seus amigos referidos no vídeo são Arante Kuvuvu e Jeremias Benedito ambos do conhecido processo dos “15+2”bem como Etukid Scotte entre outros. Os ativistas foram detidos no princípio deste mês quando participavam numa manifestação de repúdio contra o Presidente do Conselho de Administração do banco BIC (Banco Internacional de Crédito) por supostamente ter- se apropriado de terrenos de uma família na província angolana do Kwanza-sul.

Defesa vai analisar o vídeo

A defesa vai estudar o vídeo feito pelo seu constituinte, explica Zola Mbambi.

“A investigação considera que dentro do vídeo estejam palavras consideradas à margem daquilo que é permitido ou não. É uma questão que vamos levar em análise durante o processo para podermos apurar se crime ou violação existe em que podia se atingir a esfera de Sua Excelência o Presidente da República. Poderia haver uma expressão não compreendida. Mas crime como tal e a forma como o SIC instruiu o processo não”.

Recorde-se que não é a primeira vez que Hitler “Samussuku”, ativista cívico de 29 anos, implica-se em processo que envolve um Presidente da República.

Em 2015, fez parte de um grupo de jovens ativistas detidos, na Vila Alice, em Luanda, acusados de tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente angolano José Eduardo dos Santos quando se encontravam a interpretar o livro do norte-americano gene Sharp intitulado “Da Ditadura a Democracia”. Foi libertado em 2016, depois da entrada em vigor de uma lei de amnistia.

Manuel Luamba (Luanda) | Deutsche Welle

Portugal | Batemos no fundo

Posted: 13 May 2019 08:26 AM PDT

Ana Alexandra Gonçalves* | opinião

Joe Berardo, enaltecido e louvado por classe financeira e política, respondeu jocosamente às perguntas colocadas pelos deputados, representantes escolhidos pelo povo.

Sem respeito e sem qualquer espécie de pudor, Berardo, comendador, mostrou o quão fácil é bater no fundo, e não não terá sido o empresário a bater no fundo, mas todos nós enquanto sociedade que, de uma forma ou de outra validamos, este género de personagens e este sistema que as premeia.

É deplorável assistir ao enxovalhamento de deputados nas fagimeradas comissões de inquérito. Em rigor, Berardo não inaugurou uma nova era, limitou-se a ir mais além nesse enxovalhamento de deputados e por conseguinte dos portugueses.

Berardo foi mais longe porque, sem vergonha, pôs a nu fragilidade de um sistema financeiro ao serviço dos chicos-espertos endinheirados e influentes, que não se coíbe de pedir dinheiro aos contribuintes e clientes para benefício dos Berardos deste país.

De facto, batemos no fundo: a putativa elite deste país mete dó.

*Ana Alexandra Gonçalves | Triunfo da Razão

Portugal | Ei Joe

Posted: 13 May 2019 08:09 AM PDT

Henrique Monteiro, em HenriCartoon

Portugal perdeu 939 milhões de euros em IVA em 2016

Posted: 13 May 2019 07:54 AM PDT

Portugal perdeu 939 milhões de euros em Imposto sobre o valor Acrescentado (IVA) que ficou por cobrar em 2016, menos cerca de 118 milhões do que no ano anterior, informou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).

No destaque sobre as “Estatísticas das Receitas Fiscais” referente a 2018, divulgado hoje, o INE afirma que o ‘gap’ [intervalo] do IVA em 2016 — o ano mais recente com a informação necessária para o seu cálculo – foi de 5,6%, ou seja, teoricamente poderiam ter sido cobrados mais 939,4 milhões de euros neste imposto nesse ano.

Segundo o INE, a redução do ‘gap’ em 2016 (face aos 6,4% de 2015) traduz o aumento de 2,6% da receita efetiva (4,7% em 2015) face ao crescimento de 1,7% (3,1% no ano anterior) do IVA teórico.

 

O ‘gap’ do IVA mede a diferença entre o chamado IVA teórico, isto é, o IVA que resultaria de aplicar as taxas legais ao volume de bens e serviços transacionados implícitos nas contas nacionais, e o IVA efetivamente cobrado.

Depois de ter atingido um máximo de 2.196 milhões de euros em 2012 (o que corresponde a 13,6% do IVA cobrado), o ‘gap’ tem diminuído consistentemente todos os anos: para 1.707 milhões de euros em 2013, para 1.242 milhões de euros em 2014, para 1.057 milhões em 2015 e para 939 milhões em 2016.

O ‘gap’ médio anual entre 2010 e 2016 foi estimado em 1.426 milhões de euros, o que corresponde a 9,0% do IVA cobrado.

Segundo o instituto português de estatísticas, o ‘gap’ apurado “pode não traduzir apenas fenómenos de evasão fiscal, mas também outros fatores” como as variações nos ‘timings’ [prazos] de pagamento, de reembolso e de recuperação de dívidas ao IVA, assim como erros associados às necessárias simplificações para o apuramento do IVA teórico, designadamente decorrentes do grau de agregação com que as contas nacionais são compiladas.

Noticias ao Minuto | Lusa | iStock

China retalia contra EUA e aumenta tarifas de importações

Posted: 13 May 2019 07:45 AM PDT

A China anunciou hoje que aumentará as suas tarifas sobre a importações de produtos dos EUA no valor de 60 mil milhões de dólares (cerca de 50 mil milhões de euros), a partir de 01 de junho, em retaliação contra idênticas medidas norte-americanas.

A Comissão de Tarifas do governo chinês anunciou hoje que vai cumprir a ameaça de retaliar contra o aumento de tarifas de importações chinesas por parte dos EUA, que arrancaram sexta-feira, com aumentos de tarifas de 10%, 20% ou até 25% sobre importações de produtos norte-americanos.

O Presidente dos EUA, Donald Trump, tinha ordenado um aumento de tarifas de 10% a 25% sobre cerca de 300 mil milhões de euros de produtos importados da China, considerando que uma escalada de taxas alfandegárias seria mais danosa para os chineses do que para os norte-americanos.

 

Trump tinha aconselhado a China a não retaliar contra essa medida, mas o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Geng Shuang, disse hoje que “a China nunca cederá a pressões externas”.

“Já o tínhamos dito antes: a adição de taxas alfandegárias não resolve nenhum problema”, explicou o porta-voz do governo chinês, pedindo que os EUA colaborem no sentido de encontrar um acordo de benefícios mútuos.

Hoje, Donald Trump, na sua conta pessoal da rede social Twitter, já tinha lamentado que os chineses tivessem recuado na elaboração de um novo acordo, referindo-se à ronda de negociações que aconteceu nas duas passadas semanas, com delegações dos dois países a reunir-se em Pequim e Washington.

As reuniões foram inconclusivas e revelaram um impasse no conflito comercial entre as duas maiores potências económicas mundiais, que se arrasta há cerca de dois anos.

Entre as principais divergências à volta do novo acordo comercial, encontram-se os temas da proteção dos direitos de patentes e da transferência forçada de tecnologia.

Notícias ao Minuto | Lusa | Getty images

A águia, o urso e o dragão

Posted: 13 May 2019 07:26 AM PDT

“Europa: Uma terra de cegos que guia outros cegos”

Pepe Escobar [*]

Antigamente, pela noite adentro, à volta de fogueiras em desertos do sudeste asiático, eu costumava contar umafábula sobre a águia, o urso e o dragão – para grande satisfação dos meus interlocutores árabes e persas.

Contava como a águia, o urso e o dragão, no início do século XXI, tinham tirado as suas luvas (de pele) e se envolveram no que acabou por ser a Guerra Fria 2.0.

Quando nos aproximamos do fim da segunda década deste século já incandescente, talvez seja proveitoso atualizar aquela fábula. Com o devido respeito a Jean de la Fontaine, desculpem-me enquanto volto a beijar o céu [1] (deserto).

Longe vão os dias em que um urso frustrado se ofereceu várias vezes para cooperar com a águia e os seus lacaios numa questão escaldante: os mísseis nucleares.

O urso argumentou reiteradas vezes que a colocação de mísseis de interceção e de radares naquela terra de cegos que guiavam cegos – a Europa – era uma ameaça. A águia contra-argumentou repetidas vezes que aquilo era para nos proteger daqueles patifes persas.

Agora, a águia – afirmando que o dragão está a ter uma vida fácil – rasgou todos os tratados em vigor e está apostada em colocar mísseis nucleares em zonas orientais selecionadas na terra dos cegos que guiam os cegos, essencialmente para visar o urso.

Tudo o que brilha é seda

Menos de 20 anos depois daquilo a que o urso-mor Putin definiu como “a maior catástrofe geopolítica do século XX”, este propôs uma forma de URSSlight ; um órgão político-económico chamado a União Económica Eurasiática (UEE).

A ideia era ter a UEE a interagir com a União Europeia – a instituição de topo da equipa heterogénea conjunta dos cegos que guiam os cegos.

A águia não se limitou a rejeitar uma possível integração; saiu-se com um cenário de revolução colorida modificada a fim de desligar a Ucrânia da UEE.

Ainda antes disso, a águia havia querido estabelecer uma Nova Rota da Seda sob o seu total controlo. A águia havia-se esquecido convenientemente de que a original, a Antiga Rota da Seda, ligara o dragão ao império romano durante séculos – sem intrusos do exterior da Eurásia.

Assim, podemos imaginar o assombro da águia quando o dragão irrompeu no palco global com as suas Novas Rotas da Seda super carregadas – melhorando a ideia original do urso de uma área de comércio livre “de Lisboa a Vladivostok” e transformando-a num corredor de múltiplas interligações, terrestres e marítimas, da China oriental à Europa ocidental, incluindo tudo entre esses dois extremos, abrangendo toda a Eurásia.

Perante este novo paradigma, os cegos, claro, mantiveram-se cegos durante tanto tempo quanto nos podemos lembrar; e, pura e simplesmente, não conseguiram agir em conjunto.

Entretanto, a águia ia aumentando a parada. Lançou o que, para todos os efeitos práticos, era um cerco ao dragão, progressivamente cheio de armas.

A águia fez uma série de movimentos que equivaliam a incitar os países fronteiriços do Mar do Sul da China a antagonizar o dragão, enquanto alterava a disposição duma série de brinquedos – submarinos nucleares, porta-aviões, caças a jato – cada vez mais próximos do território do dragão.

Durante este tempo todo, o que o dragão via – e continua a ver – é uma águia estropiada, tentando abrir caminho à força para sair dum declínio irreversível, tentando intimidar, isolar e sabotar a ascensão imparável do dragão para o lugar que sempre ocupara, durante 18 dos últimos 20 séculos: a sua entronização como rei da selva.

Um vetor fundamental é que os atores de toda a Eurásia sabem que, à luz das novas leis da selva, o dragão não pode – e não irá – ser reduzido, pura e simplesmente, à situação de ator secundário. E os atores de toda a Eurásia são demasiado espertos para embarcar numa Guerra Fria 2.0 que daria cabo da própria Eurásia.

A reação da águia à estratégia da Nova Rota da Seda do dragão levou algum tempo a passar da inação à demonização aberta – complementando com a descrição conjunta do dragão e do urso como ameaças existenciais.

Contudo, apesar de todo este fogo cruzado, os atores de toda a Eurásia já não se sentem propriamente impressionados com o império da águia armada até aos dentes. Especialmente depois de a crista da águia ter sido gravemente ferida por fracassos sobre fracassos, no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria. Os porta-aviões da águia que patrulham a parte oriental do Mare Nostrum não estão propriamente a assustar o urso, os persas e os sírios.

Um acordo entre a águia e o urso sempre foi um mito. Demorou algum tempo – e muita perturbação financeira – até o urso perceber que não iria haver nenhum acordo, enquanto o dragão só via acordo para um confronto aberto.

Depois de se estabelecer, lentamente, mas com segurança, como a potência militar mais avançada do planeta, com conhecimentos hipersónicos, o urso chegou a uma conclusão espantosa: já não nos preocupamos com o que a águia diz – ou faz.

Sob o vulcão em erupção

Entretanto, o dragão continua a expandir-se, inexoravelmente, por todas as latitudes asiáticas, assim como pela África, pela América Latina e até pelas pastagens infestadas pelo desemprego dos cegos que guiam os cegos, atingidos pela austeridade.

O dragão está firmemente convencido de que, se for encurralado ao ponto de ter de recorrer a uma opção nuclear, detém o poder de fazer explodir o estarrecedor défice da águia [2] , reduzir a zero a sua avaliação de crédito e criar o caos no sistema financeiro mundial.

Não é de admirar que a águia, sob uma nuvem paranoica que tudo envolve, de dissonância cognitiva, alimentando ininterruptamente a propaganda do estado aos seus súbditos e lacaios, continue a cuspir lava como um vulcão em erupção – impondo sanções a uma grande parte do planeta, entretendo sonhos eróticos (wet dreams) de mudança de regime, lançando um embargo total contra os persas, ressuscitando a “guerra contra o terrorismo” e tentando punir quaisquer jornalistas, editores ou denunciantes que revelem as suas maquinações internas.

Dói imenso reconhecer que o centro político-económico de um novo mundo multipolar vai ser a Ásia – ou seja a Eurásia.

À medida que a águia se torna cada vez mais ameaçadora, o urso e o dragão aproximam-se cada vez mais na sua parceria estratégica. Agora, tanto o urso como o dragão têm demasiados laços estratégicos por todo o planeta para serem intimidados pelo enorme Império de Bases [militares] da águia ou por aquelas coligações periódicas dos que a isso se dispõem (um tanto relutantes).

Para corresponder à integração abrangente em curso da Eurásia, de que as Novas Rotas da Seda são o símbolo gráfico, a fúria da águia, sem freios, nada tem a oferecer – exceto requentar guerra contra o Islão, em conjunto com o cerco bélico ao urso e ao dragão.

Depois, há a Pérsia – esses mestres jogadores de xadrez. A águia tem vindo a perseguir os persas desde que eles se viram livres do procônsul da águia, o Xá, em 1979 – isso depois de a águia e a pérfida Albion terem esmagado a democracia em 1953 e colocado o Xá no poder, o qual fazia com que Saddam se parecesse a um Gandhi.

A águia quer todo o petróleo e o gás natural de volta – para não falar de um novo Xá no papel de novo polícia do Golfo Pérsico. A diferença é que, agora, o urso e o dragão estão a dizer Nem Pensem. O que é que a águia irá fazer? Hastear a bandeira falsa para acabar com todas as bandeiras falsas?

É onde estamos agora. E mais uma vez, chegámos ao fim – embora não seja o fim do jogo. Ainda não há nenhuma moral para esta fábula modernizada. Continuamos a sofrer os ataques e as frechadas de um lamentável destino. A nossa única e débil esperança é que um grupo de Homens vazios [3] obcecados pelo Segundo Advento [do Messias] não transforme a Guerra Fria 2.0 num Armagedão .

06/Maio/2019

[1] Beijar o céu: Realizar aspirações, frase de canção de Jimi Hendrix.
[2] Here’s What Happens if China DUMPS Its $1 Trillion in US Debt Amid Trade War
[3] Homens vazios: Refere-se à poesia The Hollow Men , de T. S. Elliot: “[…] Este é o modo como o mundo acaba. Não com um bang mas com uma lamúria”.

[*] Jornalista, brasileiro, correspondente do Asia Times . O seu último livro é 2030

O original encontra-se em consortiumnews.com/2019/05/06/pepe-escobar-the-eagle-the-bear-and-the-dragon/. Tradução de Margarida Ferreira

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL