um vazio completo por Tomás Quental

Um vazio completo!

O presidente do Governo da Região Autónoma dos Açores, dr. Vasco Cordeiro, anunciou, há poucos dias, um “amplo processo” de pré-reformas no sector público regional, o que não é de admirar, pois o sector público regional, em quarenta anos de Autonomia político-administrativa, tem sido um autêntico “centro de emprego”, em executivos sociais-democratas e socialistas, para militantes, amigos e simpatizantes. Está, pois, a rebentar pelas “costuras”…
Mas, para começar, talvez fosse bom, por exemplo, os membros da administração da companhia aérea SATA irem todos para a pré-reforma, precisamente dentro do anunciado objectivo de fomentar “a criação de emprego e a qualificação dos serviços públicos”…Alguns secretários regionais também merecem a pré-reforma…Na Saúde é um caos, com listas de espera intermináveis, e no Turismo “vamos andando”, com a aprovação de projectos que contrariam os proclamados objectivos de um desenvolvimento turístico sustentável e amigo da Natureza. Mas há outras áreas no Governo Regional cujo funcionamento deixa igualmente muito a desejar.
O dr. Vasco Cordeiro é visto como uma boa pessoa e um homem honesto, mas o insucesso do seu Governo tem a ver, em grande parte, com a sua própria personalidade: nunca foi capaz de se libertar da “família imperial” e nunca foi capaz de dar um “murro na mesa”, com um grito óbvio: “Eu é que fui eleito para presidente do Governo açoriano e, portanto, eu é que mando”. Não o fazendo, como nunca o fez, tem legitimidade inquestionável, mas demonstra falta de autoridade.
O Partido Socialista nos Açores beneficia actualmente não da sua acção, que tem sido apagada e mesmo negativa em muitos aspectos, com o sector empresarial público regional a “rebentar” por todos os lados. O Partido Socialista nos Açores beneficia, sim, de não existir no arquipélago uma oposição organizada, competente e audaz. É um vazio num lado e noutro!
Um vazio completo, portanto, o que causa uma grande desilusão e um enorme prejuízo na sociedade açoriana.
É preciso refundar a Autonomia constitucional: permanecem intactas a nobreza e a generosidade dos seus princípios, mas a prática tem vindo a desvirtuar-se e a desvanecer-se, colocando em causa o objectivo maior de transformar os Açores numa terra de progresso e de humanismo.
Diria, também, que é preciso refundar os principais partidos nos Açores, para que não se ouça, como se ouve, dizerem “Partido Era Socialista” e “Partido Era Social-Democrata”. Ou será que nunca foram “socialista” e “social-democrata”?
É preciso, pois, regressar às origens, à pureza dos princípios e e à generosidade das causas. Se para tal é necessário “cortar a direito”, pois que se “corte a direito”, doa a quem doer, em nome dos Açores e do seu futuro.

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