PSD AÇORES EM CRISE

QUEM QUER VAI…

… quem não quer manda.

Este ditado popular veio-me logo à cabeça assim que tive conhecimento que a secretária-geral do PSD-Açores foi encarregada de anunciar a posição do Partido relativamente às Eleições para o Parlamento Europeu.

Sabrina Furtado, do ponto de vista formal, desempenhou muito bem o papel que lhe foi entregue, porque a sua figura, verbo e presença transmitem, por si só, uma postura afirmativa, que porém ironicamente contrasta com a fragilidade, o absurdo e a desorientação do texto que apresentou.

Um momento como o que hoje se viveu na sede do PSD em Ponta Delgada, com uma carga dramática que pede meças ao episódio das gravatas pretas, requeria por isso o que se espera do líder de um partido: coragem política!

Alexandre Gaudêncio assinou a sua sentença de morte enquanto presidente do PSD-Açores tornando-se um putativo candidato a pontificar no Palácio de Santana.

Os açorianos, a quem se solicita agora uma resposta a Rui Rio — responsabilidade que Mota Amaral, magoada e despropositadamente, ainda que com a superioridade que o seu nível intelectual imprime às palavras que escreve, também põe sobre os ombros dos seus concidadãos — esperariam ter visto Gaudêncio firme no momento da claudicação e da derrota.

Quis ele próprio ou quiseram os que o rodeiam proteger a imagem do líder, ao contrário do povo, para quem sempre se remete a solução das querelas políticas, que gostaria de ver na frente da batalha os que prometem morrer em nome da liberdade por que lutam.

Tudo isto começou há muito tempo, com inabilidade, titubiezas e falta de identificação com as bases do Partido. Agora não há remédio!

A fragilidade, o absurdo e a desorientação consubstanciam-se no apelo ao voto que ninguém sabe a quem se destina.

No PS e em André Bradford?
Nâããããooooooo, respondem de imediato.

Na Aliança, o partido que, recebendo esse apoio, se colocará na rampa de lançamento para disputar o espaço do PSD no futuro?

No CDS, inimigo histórico dos sociais-democratas dos Açores, à espreita de uns votozitos para voltar a crescer?

Restam a CDU, o BE, o PAN ou a FLA!

Porque se for em branco (ou nulo) o risco da humilhação está à espreita, pois não acredito que, em eleições em que a abstenção campeia, os cidadãos se mobilizem para um voto de protesto com o sentido que supostamente lhes é proposto.

Se fosse vivo o Camilo de Oliveira sintetizaria: isto é que vai uma crise!

Please follow and like us:
error