que futuro , autonomia açoriana José Gabriel Ávila

Cronica lida na Rádio Atlântida em 11fev2019
Que futuro?

Quarenta anos após a implantação da Autonomia os açorianos interrogam-se, com persistência, sobre quais os benefícios deste regime político.
A pergunta, deve sempre fazer-se, mesmo que para muitos não passe de uma forma encapotada de desvalorizar um processo que, queira-se ou não, nos trouxe imensos benefícios sociais e económicos, decorrentes de um sistema de governo democrático sem precedentes em Portugal e na Europa. Nunca é demais afirmar que os Açores e a Madeira foram pioneiros de governos autónomos, sem paralelo, no velho continente, e só mais tarde seguidos, com restrições de competências noutros países.
Passado todo este tempo em que aconteceram alterações económicas significativas noutros espaços europeus, sem que os Açores acompanhassem esses surtos de desenvolvimento, os açorianos reconhecem que podiam estar mais bem posicionados nos índices de desenvolvimento, diminuindo os constrangimentos que obrigam muitos jovens a procurar melhores vidas noutros espaços abertos da Europa.
O certo é que apesar de pertencermos à União Europeia, o nosso atraso é enorme e as razões de base, quase não são referidas, mas derivam de um governo autoritário de décadas que nos deixou isolados, antes de Abril.
Afora isto, que não é de somenos, agora temos de avançar rapidamente porque temos condições para isso.
No turismo, o crescimento é visível. Bastou pouco mais de uma década para o salto ser por todos notado. Tínhamos belezas naturais, tínhamos condições ambientais, e foi só construir unidades hoteleiras de média dimensão, reconstruir alojamentos em espaços rurais e abrir as portas a quem aprecia a riqueza natural e paisagística que temos para oferecer. Falta formação profissional, é verdade, pois os empreendimentos só terão sucesso que dependerá da forma como soubermos bem receber e bem servir. De contrário o destino Açores, de um momento para o outro, não terá procura.
Na agricultura, complementar do turismo de natureza, há muito se ouve falar dos inconvenientes da monocultura da vaca, ou seja, da primazia da produção de leite.
Valorizou-se muito a atividade e aumentou-se a produção e qualidade do leite. A indústria de laticínios modernizou-se, mas não correspondeu, como era de esperar, com a inovação de novos produtos lácteos, nem ncontrando novos e mais rentáveis mercados.
A crise na agricultura já não depende da falta de apoios comunitários, mas sim da pouca valorização da atividade. De tal forma que já se ouve falar das vantagens da diversificação da produção agrícola. Produzir não apenas leite com qualidade, mas também gado de carne e hortícolas, como acontecia há 30 anos atrás.
O exemplo vem dos jovens agricultores. Muitos não enveredaram pela produção de leite. Optaram pela horticultura biológica e pela hidroponia em estufas produzindo vegetais em água e sem solo.
Há um mundo novo, mais competitivo, mais exigente e atraente no setor primário que os jovens cientificamente mais bem preparados, amantes do ambiente e da natureza, podem experienciar, com sucesso.
É para aí que vamos. Com vantagens na dignificação da profissão e dos rendimentos.
Basta que não se feche a porta, e novas oportunidades surgirão. Os jovens são criativos, empenhados e pretendem um futuro diferente do de seus pais.
É a partir daqui que devemos encarar o futuro da economia açoriana e a participação dos cidadãos na vida pública.
Parar é morrer. Ou avançamos, ou ficamos para trás.

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