Crónica 232 o falhanço da Venezuela 24.1.19

Crónica 232 o falhanço da Venezuela 24.1.19

Não costumo falar de temas políticos no calor do momento, mas este pelas manifestações efusivas nas redes sociais vai merecer o meu comentário e isto nada tem a ver com ser de direita, ou ser-se marxista ou cor de zebra sem riscas quando corre.

Não gosto de Maduro, mas também já não gostava de Chávez e dos seus tiques amigáveis com Sócrates, Portas e outros políticos portugueses. Sei que as democracias estão enfermas (basta olhar para os EUA e Brasil, República Checa, Polónia, Hungria, etc.…) mas na minha falta de conhecimento local das causas, apenas vejo os efeitos de Chávez e Maduro. Um país podre de rico na miséria abjeta. Já sei que os boicotes dos EUA ajudaram, mas não explicam tudo. Claro que sei que os EUA não gostam de líderes como Lula, Maduro, Castro em Cuba e outros que sobrevivem em sistemas marxistas, mas até que me digam, preto no branco, que as eleições na Venezuela foram falsificadas, os votos indicam que Maduro foi eleito com maioria (já sei que o Adolfo austríaco também foi eleito pelos alemães) e em democracia (da última vez que consultei o termo) ganha quem tem mais votos (a menos que se crie uma geringonça à portuguesa).

Para mim um país com dois presidentes, sendo um autoproclamado, por mais apoio que possa ter da oposição dos EUA e da EU, e o outro apoiado pela China e Rússia, parece mais um país em pleno golpe de estado. Ao que parece, os militares estão, por enquanto, do lado de Maduro, mas a menos que a guerra civil tenha lugar, o líder democraticamente eleito (hoje uma TV portuguesa chamava-lhe ditador eleito, o democrata é o autoproclamado) pode ter os dias contados. A intervenção militar dos EUA é sempre uma hipóteses, aliás, eles já invadiram mais de 150 países na história do século XX, se bem que as ameaças chinesas e russa para não o fazerem os podem dissuadir dessa via, tanto mais que as suas forças armadas se espalham da Síria ao Afeganistão e centenas de outros locais de intervenção militar. Alguém comentava hoje que a realidade é “fake”, passamos das “fake news” aos “fake presidentes” …

Na Venezuela existem milhares de portugueses, uma grande comunidade de descendentes da ilha da Madeira, que nos últimos tempos, sem grandes parangonas nos jornais têm regressado à ilha atlântica, tal como cerca de outros três milhões de venezuelanos que votaram com os pés, saindo do país.

E aos que apoiam a mudança de governo, gostava de interrogar sobre qual é exatamente o excerto da constituição de Venezuela que permite ao senhor Guaidó proclamar-se presidente da República Bolivariana de Venezuela numa manifestação de rua sem ser votado para isso pelo povo venezuelano?

Aconteça o que acontecer, vai demorar décadas aos venezuelanos para voltarem a ter o nível de vida privilegiado que tinham até a crise de 2014 nos preços do petróleo (48% do PIB) ter afundado o país. recorde-se o surto de desenvolvimento económico do país entre 1950 e 1980 que levou o país a ter o melhor nível de vida de toda a América latina. Depois os preços do petróleo baixaram nos anos de 1980 e a economia começou a deteriorar-se, sobretudo em 1989 e 1996 (três anos antes de Chávez ascender ao poder). A revolução bolivariana a partir de 2002 começou a desmantelar a indústria do petróleo onde milhares de profissionais eram considerados dissidentes políticos. Depois veio a inflação de 100% em 2015 e 4000% em 2017, atingindo a hiperinflação no ano passado.

Para o Diário dos Açores e Diário de Trás-os-Montes

Chrys Chrystello, Jornalista

[MEEA/AJA (Australian Journalists’ Association – Membro Honorário Vitalício nº 297713,) carteira profissional AU3804]

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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL

Um comentário em “Crónica 232 o falhanço da Venezuela 24.1.19”

  1. Katuro Barbosa https://www.facebook.com/ManueldeAncede?tn=%2CdC-R-R&eid=ARBt-RNSsolVVivqT9vRWWm20XWOuk4VZBB8bNyxl6ktEzHSe3clYZLNYFNpcnD6-wlKybjDyLN-45Gh&hc_ref=ARSm8IQdOlaitKyJpN14CfzWIjvzyiWIGPy6Lhb9WtKXybELWNjxMHK43TKP7NuTR0c&fref=nf

    escreve Chrys Chrystello Concordo com o texto. A relatividade e a objetividade devem estar por cima do ser-se de direitas ou de esquerdas para a leitura desta caso de geoestrategia saída dos mesmos lugares donde saiu a ideia de fortalecer a ultra direita no mundo e portanto de debilitar a democracia.

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