histórias coloniais de Angola

Voltando ao tema do discurso sectário a respeito da escravatura e dos Descobrimentos, a que vamos assistindo com pasmo e surda indignação, recordo uma célebre gravura da Raínha Njinga, heroína da História de Angola. A gravura retrata o encontro entre Njinga (então, ainda princesa), enviada pelo seu irmão Ngola Mbandi, rei do Ndongo, para negociar a paz com o governador-geral português, João Correia de Sousa. Este encontro foi em Luanda, em 1622. Njinga rejeitou a alcatifa e as almofadas que os portugueses lhe apresentaram, chamando uma das suas escravas para se sentar nas suas costas. Assim decorreu a reunião, que teve grande sucesso político. No final, o governador acompanhou-a à saída, comentando que estava a esquecer-se da escrava prostrada na sala. Njinga respondeu que a deixava e que uma pessoa da sua posição nunca mais usava o mesmo assento.
Este era o lugar e a época. E fico por aqui. Não pretendo com isto diminuir minimamente a figura da Rainha Njinga, que é uma grande figura histórica dos angolanos e que respeito por inteiro. Mas colocar as coisas no contexto e em perspectiva.
Importa não dar tréguas ao disparate, sobretudo quando usado de forma enviesada, não objectiva e enfurecida.

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