Soberania Açoriana – Sapateia Retardada crónica de José Soares

Peixe do meu Quintal

Soberania Açoriana – Sapateia Retardada

Porquê falar da soberania insular?
Porque não?
O atual sistema que os constitucionalistas chamaram – por encomenda política – de Região Autónoma dos Açores, está feito para não evoluir, não ir mais além, não ter quaisquer outras legítimas aspirações, que não seja o mesmo do mesmo. O status quo eterno.
Os interesses dos politiqueiros ilhéus, cegos pela única ambição de se manterem no poder local e dele fazerem trampolim para outros voos em Portugal, como nos demonstram vários exemplos, esses interesses fazem com que se iluda a população com frases pomposas em campanha eleitoral como “Autonomia Progressiva”; “Servir os Açorianos”; “Açores a 100%”; “A Força da Autonomia”; “Dar Valor aos Açores” e tantos outros baldes de areia atirados aos olhos dos cidadãos insulares.
De notar que o facto de exaltarem a palavra Açores nas frases encomendadas ao marketing, já demonstra que sabem que o Povo Açoriano não se deixa iludir!
A verdade é que Portugal necessita dos Açores como pão prá boca.
Desde a questão estratégica, passando pela gigantesca plataforma marítima à volta das Ilhas, pelo enorme espaço aéreo, até às riquezas submarinas. A lista pode continuar, mas não é a intenção deste trabalho.
Não me canso de repetir que a República de Malta é o mais pequeno membro da União Europeia, tendo entrado para a CE em 2004. Menos de meio milhão de habitantes (417,617 – censo de 2010) vivem em três pequenas ilhas que totalizam 316 km2, em contraste com os 2,333 km2 das Ilhas Açorianas.
A proibição constitucional da formação de forças partidárias ilhoas, é prova flagrante da falta de confiança da classe política em Portugal nos últimos redutos coloniais que são a Madeira e os Açores.
É o reconhecimento de Portugal de que as Ilhas partilham e se enquadram no Direito internacional de serem livres e poderem recorrer a todos os meios democráticos para se libertarem do país colonizador. É o reconhecimento cabal de que só controlando astuciosamente pela via constitucional, impedindo que as suas últimas colónias possam, sequer, exercer o mais sagrado direito em Democracia: a participação cívica dos seus cidadãos e cidadãs através de formações partidárias insulares.
A elite política dominante em Portugal há décadas, sabe o quão importante representa a continuidade da suserania imposta aos Açores e à Madeira, pois isso dá-lhes um enorme poder nas várias vertentes internacionais.
O argumento do povoamento feito pelos portugueses, cai por terra quando mencionamos Cabo Verde ou São Tomé e Príncipe, ilhas igualmente despovoadas quando Portugal lá chegou. Foram povoadas com os mesmos processos que se aplicaram à Madeira e aos Açores, para só mencionar estes.
A aberrante proibição de partidos políticos insulares, representa uma ultrajante barreira ao exercício pleno do mais elementar direito dos açorianos, o direito à participação cívica na vida democrática. Temos, sim, sucursais insulares de partidos portugueses que são controladas pelos líderes em Lisboa. Tudo o que seja adverso a este processo controlado por Lisboa, sofre a perseguição fiscal dos tribunais portugueses, caso do PDA, que tendo sido formado como partido “nacional com sede nos Açores” foi-lhe sempre apertado o cerco, de forma subtil, pelas finanças e justiças da capital do reino.
Falar, pois, da soberania açoriana ou madeirense, do direito destes povos à sua autodeterminação, deve ser o moto contínuo dos nossos dias. Discutir o assunto em liberdade e sem tabus, demonstra a nossa insatisfação perante o atual regime a que desgastam chamar “autonomia”.
Autonomia de quê? E de quem? Autonomia espartilhada por uma constituição que ao mesmo tempo não lhe permite fazer o combate democrático através de forças partidárias? Uma autonomia que não tem qualquer controlo nas suas riquezas marinhas, porque, diz Lisboa, o Mar é da soberania portuguesa e o governo açoriano não tem qualquer autoridade para fazer contratos no estrangeiro sobre o assunto? Uma autonomia que não controla o seu sistema de Justiça? Não controla os seus impostos? Uma autonomia de fantoches? Que governam pelo tacho e não pelos Açores?
Isto não é autonomia. Trocaram-lhe o nome.
O próximo lema eleitoral para os políticos de coragem (?) deveria ser: “Autonomia Aberrante”.
Perante tal afronta à nossa inteligência, as açorianas e açorianos só devem ter uma única atitude: Não continuar a alimentar este circulo vicioso de mentiras eleitorais.
“Antes morrer Livres, que portugueses sujeitos”

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José Soares

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL