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Nova Cultura Politica e Geoeconomia do conhecimento (reflexões pós-natalícias)
RACISMO, ENDORRACISMO E RESISTÊNCIA (Parte II)
Brasil. OS PRIMÓRDIOS DA IMPRENSA ALEMÃ: SÃO LEOPOLDO E PORTO ALEGRE
Portugal. EU “SHOW” PORTAS
Portugal. Mortes nas urgências são resultado de "políticas de terrorismo social" – Edgar Silva
Portugal. "Ou Marcelo se está a passar por ingénuo ou a tomar-nos por parvos" - Rui Tavares
INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL AUMENTA PORTAGENS EM MAIS DE 30 TROÇOS
Portugal. CAVACO PROMULGA ORÇAMENTO RETIFICATIVO E AUSTERIDADE PARA 2016
Portugal. O LÍDER PORTAS ACABOU, O CDS NÃO SABEMOS
Portugal. NOVO BANCO, BURACO VELHO, TRIBUNAIS À VISTA
SOUSA PINTO, DEPUTADO E SOCIALISTAZINHO PORTUGUÊS EM PROL DA DEMOCRACIAZINHA
PAGA ZÉ! BOM ANO NOVO!
2016 VAI SER PIOR. ACORDE, JÁ SÃO HORAS

Nova Cultura Politica e Geoeconomia do conhecimento (reflexões pós-natalícias)

Posted: 30 Dec 2015 04:15 PM PST

Rui Peralta, Luanda

É necessário compreender, para evitar a vulgarização do conceito e da concepção, a categoria “conhecimento livre” através de formas de interpretação que não se encontrem limitadas por noções técnicas, jurídicas e económicas e levar em conta os seus diferentes contextos culturais. Pensamento e acção, teoria e praxis estão sempre marcados por estes contextos, algo que assume importância redobrada nesta época em que vivemos, onde são correntes conceitos concentracionários como “choques de civilizações” e “fim das ideologias”, vendidos no espaço comunicativo como pedras angulares da “globalização” e que ao mesmo tempo são dogmas para a “consciência académica” vendida em “pack” nos novos negócios universitários de pacotilha.

A globalização, entendida como processo multipolar, enferma do facto de as relações de Poder serem as mesmas da lógica dominante de finais do século passado, marcado pelo deslumbrar do “pensamento único” e da “aldeia global”. As dinâmicas da economia-mundo (do processo de globalização em curso) tendem, efectivamente, para o mundo multipolar, mas para este ser uma realidade afirmada por esta dinâmica, terão de ser transformadas (e mesmo invertidas) as lógicas em que assentam as relações de Poder. Por isso assumem particular importância formas de organização alicerçadas em factores conceptuais como “coisa pública” e/ou “autogestão dos bens comuns”, que reforçam que a ideia e a praxis da liberdade são, em simultâneo, ausência de controlo e autonomia (exemplo prático: o direito de viajar e a forma simples de obter o passaporte com o mínimo de dispêndio em dinheiro e em tempo. Viajar para onde quero – liberdade – será cada vez mais possível num mundo sem vistos e cada vez mais complicado num mundo dominado pelo carimbo do funcionário. O acesso ao passaporte – autonomia – está intimamente ligado á liberdade de viajar, pois ele representa a possibilidade prática de viajar, a permissão de passar a fronteira e entrar no espaço do outro. A forma como o obtenho, se é caro ou acessível, se é desburocratizado ou se é formalmente inacessível, etc., demarca o grau de autonomia, o grau e a capacidade de gestão dos nossos assuntos, em que vivemos).

O conceito de “modernidade” é um dos conceitos motores da visão global que enferma de uma visão do mundo ocidentalizada, não por uma questão de “imperialismo cultural” do Ocidente, mas pelo facto de ser o Ocidente o seu berço histórico. A modernidade padece de eurocentrismo devido às relações de produção e de trabalho que estão implícitas relações de Poder da economia-mundo. O Ocidente é uma economia central e o resto do mundo tornou-se periférico. Os traços da modernidade ficaram, assim, prisioneiros deste contexto e não conseguiram acompanhar as dinâmicas da economia-mundo, que diversificaram os contextos socioculturais. O etnocentrismo europeu com as suas premissas de “racionalidade” cruzadas com o mito racial (a raça, conceito que, em detrimento da racionalidade, espalhou-se pela periferia como elemento central e que é, hoje, causa de subdesenvolvimento, ou seja, de manutenção da condição de periferia) afirmou-se com o nascimento do capitalismo á escala mundial (transformação das relações de produção e de trabalho na economia-mundo). Isto implicou alterações profundas nas formas de controlo e de exploração do trabalho e do controlo da produção, dos mecanismos de apropriação e da distribuição de produtos e de riqueza, que foram subjugadas – de forma articulada – á relação capital/salário.

Na esfera do conhecimento este esquema de distribuição de funções baseado na posição em que cada região ocupava no sistema global de produção de capital (e de reprodução, acumulação e apropriação) manifestou-se através do eurocentrismo, cristalizando as dinâmicas criativas de conhecimento. Esta manifestação eurocêntrica – o eurocentrismo – caracteriza-se, assim, pelos seguintes aspectos: 1) dualismo (tradicional/moderno, primitivo/civilizado, industrial/atrasado, etc.); 2) o mito da linearidade evolutiva unidireccional (do estado da natureza á sociedade industrial moderna europeia, por exemplo); 3) distorção nos processos de aculturação implícitos no desenvolvimento, o que está na base da neocolonização, ou seja da manutenção dos factores periféricos nas relações multipolares da economia-mundo; 4) distorção da História, transformando o não Ocidental como passado e o Ocidente como objecto-futuro. Foi desta forma que a modernidade (um conceito libertador, de raiz) engendrou o “conhecimento colonial”, que cumpre o papel de combinar os valores do eurocentrismo (ou seja de uma distorção contextual da modernidade) em matriz racional e racionalizadora, ao ponto da ciência moderna ser um produto do Ocidente, esquecendo todos os contributos do Oriente, das culturas ancestrais e indígenas do Novo Mundo e de África para a construção da visão racional do mundo, instituição-base da ciência moderna (mesmo os contributos actuais provindos das regiões periféricos são sempre analisados em função da ocidentalização. Por exemplo: os prémios nobéis de física nuclear atribuídos aos cientistas indianos e paquistaneses são sempre em função da importância que a metrópole – neste caso, Londres – teve na formação destes quadros).

A História cultural europeia converte-se, na visão eurocêntrica, em eixo central, girando toda a outra História (ao ponto de ser apenas história ou estórias fragmentadas) em torno deste eixo central. O resultado final desta concepção do mundo e da vida é desolador, conforme o demonstram os conceitos de choque das civilizações, de fim da História ou de pensamento único. Esta desolação epistemológica é uma consequência da distorção que tem como base as relações centro-periferia, que geraram categorias utilizadas para a compreensão da sociedade moderna que foram extrapoladas das circunstâncias socioculturais para o valor universal. O Ocidente transforma-se no farol e desprezo recai sobre o acumulado cognitivo das restantes culturas (exemplo: o Islão, cultura que traduziu os filósofos gregos antigos, que reintroduziu a filosofia helénica no Ocidente, que foi fundamental para o desenvolvimento da matemática, da geometria, da tecnologia, etc., acabou actualmente reduzida á condição de barbaridade e de cultura geradora de violência. O eurocentrismo evita assim a contaminação de elementos culturais que fazem perigar o seu domínio). Todo o pensamento está condicionado ao lugar onde é enunciado, pois identifica-se – antes do mais – com o conjunto de valores do sujeito que o enuncia. O lugar onde o conhecimento é enunciado é, então, um espaço geoeconómico marcado, ou seja é um espaço da geoeconomia do conhecimento, que marca territorialmente o conhecimento, para que com a sua globalização se possam revelar as dinâmicas que impedirão a sua cristalização. Esta apenas sucede porque o contexto sociocultural é passado para segundo plano, ou seja transformam-se em realidades descontextualizadas.

Modernidade, desenvolvimento, assumir lugar na economia-mundo, sair da periferia, implica um primeiro passo: descolonização do saber. Isto por uma razão muito simples: a economia-mundo é uma realidade cosmopolita. E as realidades cosmopolitas implicam um processo de crítica constante e global em todos os níveis de conhecimento. E para isso acontecer a organização política das sociedades, a sua arquitectura constitucional e institucional, têm de assentar na liberdade e na autonomia, ou seja nos pilares da democracia politica, económica, social e cultural. Caso contrario a oligarquia prevalecerá sobre a Democracia (e os Estados Democráticos de Direito nunca passarão de Estados Oligárquicos de Direito) e os mecanismos limitativos de conhecimento, assentes na logica da colonização do conhecimento e do saber, prevalecerão sobre as lógicas do livre-desenvolvimento do conhecimento.

RACISMO, ENDORRACISMO E RESISTÊNCIA (Parte II)

Posted: 30 Dec 2015 04:02 PM PST

Esther Pineda G – Afropress

Ainda que a sociedade se caracterize por ser dinâmica, pela constante modificação de estruturas, instituições e modos interativos, há elementos constantes e persistentes em uma pluralidade de realidades sociais distintas. Por isso, uma das principais dificuldades com que nos defrontamos em relação a desarticulação, erradicação e superação do racismo em nossas sociedades modernas é seu intricado enraizamento no tecido sóciocultural.

É frequente questionar sua vigência aduzindo as mudanças manifestas ao largo das décadas enquanto em outros âmbitos de desenvolvimento social, continuamos impávidos frente a persistência do racismo e, mais ainda, suas periódicas e radicalizadas manifestações. A que se deve a continuidade do racismo em nossas sociedades pluriétnicas e multiculturais?

Em primeiro lugar encontramos dificuldades para sua superação pelo desconhecimento do racismo, suas características e manifestações; em algumas oportunidades, podemos estar discriminando alguém do nosso entorno sem nos darnos conta e sem a intenção de fazê-lo, pelo fato de que está introjetado em nosso imaginário.

Em segundo lugar, a superação do racismo tem encontrado obstáculos como consequência da negação da existênca do racismo e outras formas de discriminação; enquanto o negarmos não seremos capazes de questioná-lo e, portanto, desarticulá-lo.

Finalmente, um dos aspectos que na sociedade contemporânea tem limitado de forma significativa a erradicação do racismo tem sido o endorracismo, o qual se estabeleceu como um dos mecanismos mais efetivos de sua manutenção.

O endorracismo pode ser definido como o racismo desde dentro, quer dizer, uma autodiscriminação, uma autorrejeição. Quem já foi discriminado por seu pertencimento étnicorracial, por sua pele e fenótipo aceita ver-se a si mesmo e a seu grupo social desde o olhar do colonizador, considerando o outro como superior e assumindo a chamada inferioridade de seu grupo ao qual vai considerar atrasado, selvagem, incapaz, incivilizado, desprovido de beleza e de capacidades intelectuais deficientes.

O sujeito racializado internaliza como própria a discriminação que foi imposta e se reproduz sobre si, como também sobre aqueles pertencentes a seu grupo étnico e racial. Esta discriminação, desde o sujeito racializado também conhecido como endorracismo, vai expressar-se através dos diferentes agentes socializadores, mas também é fundamentalmente, protagonizada pelos sujeitos nos espaços cotidianos da vida em comum.

Mas, como se manifesta o enderrocismo? Se bem que sejam múltiplos e diversos os cenários e manifestações deste fenômeno, podemos considerar como os mais recorrentes:

  • o desconhecimento histórico e a negação da herança étnica indígena ou africana;
  • a vergonha estética, a consideração de que o belo é europeu, o que explica a rejeição da cor da pele, dos traços, evidenciados em casos de pessoas que se submetem a tratamentos para branqueamento da pele como Michael Jackon, Lil Kim, Beyonce, mas também no cotidiano mediante o uso de cremes clareadores da pele, o alisamento do cabelo e procedimentos cirúrgicos de caráter estético com o objetivo de apagar a herança indígena ou africana;

  • a rejeição a que a descendencia seja de pele escura e traços africanos, pelo qual se busca melhorar a raça.

Tradução para o Português: Dojival Vieira

Leia mais em Afropress:
Depois de Machado de Assis, Proença Filho se torna 1º negro na Academia Brasileira de Letras – http://www.afropress.com/post.asp?id=18658

Brasil. OS PRIMÓRDIOS DA IMPRENSA ALEMÃ: SÃO LEOPOLDO E PORTO ALEGRE

Posted: 30 Dec 2015 03:33 PM PST

Carlos Roberto Saraiva da Costa Leite*

Os imigrantes alemães, desde os primórdios da imprensa gaúcha, no século 19, criaram jornais, visando a agregar e a informar a comunidade teuta. Em 25 de julho de 1824, desembarcou a primeira leva de 39 imigrantes alemães na Real Feitoria do Linho Cânhamo (São Leopoldo), Passados três anos, começou a circular, em 1º de junho de 1827, o primeiro jornal da Província de São Pedro, o Diário de Porto Alegre (1827-1828), inaugurando a imprensa no extremo sul do Brasil.

A referência mais antiga, na Província gaúcha, embora o jornal fosse impresso em português, ocorreu durante a Revolução Farroupilha (1835-1845). No ano de 1836, foi criado O Colono Alemão. Impresso em Porto Alegre, pelo fato de que não havia tipografia na Colônia de São Leopoldo, o jornal de Hermann Von Salisch incitava os colonos a participarem da guerra. Este periódico encerrou a sua circulação, naquele mesmo ano, devido a problemas econômicos.

De acordo com o jornalista e pesquisador Sérgio Dillenburg, em seu livro, A imprensa em Porto Alegre de 1845 a 1870, o pioneirismo de um periódico, impresso em alemão, na América Latina, é do jornal Der Kolonist. A ideia nasceu em Porto Alegre, no ano de 1852, sob a responsabilidade de José Cândido Gomes que visava a conquistar adeptos alemães nas eleições.

Em São Leopoldo, a população constava de alemães católicos e protestantes, cuja divergência doutrinária gerava intensos conflitos com a participação da imprensa local. Os protestantes não tinham o apoio do governo que os preteria, favorecendo os católicos. No ano de 1870, quase metade da população local, estimada em 1.100 habitantes, era evangélica e, no entanto, os cemitérios na região eram todos católicos. Os matrimônios, entre protestantes, eram considerados nulos, e os filhos não tinham o direito à herança. Diante desse quadro de exclusão, os jornais se constituíam numa ferramenta de denúncias e reivindicações da população de orientação protestante.

Em março de 1871, fundou-se, em São Leopoldo, o jornal católico Deutsche Volksblatt (Gazeta Popular Alemã), para responder as críticas dos evangélicos e maçons. O jornalista Jacob Dillenburg era o redator e o responsável pelo jornal. Em 1891, ele passou a ser impresso em Porto Alegre na Tipografia do Centro Católico e Hugo Metzler se tornou o seu proprietário. Em setembro de 1895, em decorrência de um artigo crítico à figura de Giuseppe Garibaldi (1807- 1882), a tipografia foi depredada por um grupo de italianos inconformados com a matéria que julgaram macular a memória do herói italiano.

Durante a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), o jornal foi proibido de circular em língua alemã e passou a denominar-se Gazeta Popular, sofrendo, novamente, uma depredação em abril de 1917. Conforme o jornalista e escritor Walter Galvani, em sua obra, A Noite do Quebra-Quebra (1993), durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945), em 1942, o jornal foi depredado, em 18 de agosto, numa noite que ficou conhecida como o “Quebra-Quebra”. A causa dessa depredação foi o torpedeamento de navios brasileiros por submarinos alemães em nossa costa marítima. Depois desse triste episódio, o jornal ressurgiu com o nome de A Nação. É uma contradição este ataque à tipografia, pois o jornal não compactuava com as ideias de Adolf Hitler (1889-1945).

Com várias fatalidades em sua trajetória, em 1956, o jornal sofreu um incêndio que destruiu por completo a tipografia. Em sua fase final, durante os anos 60, o Deustche Volksblatt, depois Neues Deustches Volksblatt, circulou, em alemão, como um encarte de A Nação. Este periódico foi um marco de resistência às adversidades da época, tanto no campo político quanto no aspecto socioeconômico.

Segundo o historiador Sérgio da Costa Franco, em seu Dicionário Político do Rio Grande do Sul (2010), as críticas aos católicos se davam, principalmente, no jornal Deutsche Zeitung (1861-1917) criado, em Porto Alegre, por um grupo de comerciantes teutos. Neste periódico, o notável jornalista Carlos Von Koseritz, (1830-1890) disparava suas críticas ferinas, pois era maçom e anticlerical. No ano de 1881, o jornalista Koseritz se afastou do Deutsche Zeitung (1861-1917) e fundou o Koseritz Deutsche Zeitung que, mais tarde, em 1906, se transformou no Neue Deutsche Zeitung.

O Der Bote (1867-1878), de Julius Curtius Filho e Wilhelm Rotermund, foi o primeiro jornal evangélico a circular em São Leopoldo, fazendo forte oposição aos católicos e denunciando os privilégios da comunidade católica. Ainda, na mesma cidade, foi criado o importante Deutsche Post (1880-1928) do pastor Wilhelm Rotermund que combatia de forma incisiva a Igreja Católica. O jornal informava também sobre literatura, a política do imigrante alemão, sua produção artesanal, industrial e o lazer social.

A Revolta dos Muckers (1873 -1874), liderada pelo casal João Jorge Maurer e Jacobina Mentz Maurer, foi registrada nas páginas do Der Bote (protestante) e do Deutsche Volksblatt (católico) diante do conflito que se transformou numa verdadeira guerra no Morro do Ferrabrás, em Sapiranga. O confronto com o Exército Imperial foi inevitável, ocorrendo uma chacina, inclusive, dos líderes.

Impressos anualmente, os almanaques alemães eram bastante ricos em informação, a exemplo do Koseritz Deutsche Volkskalender (1873-1891) e do Kalender für Deutschein Brasilien (1881-1939).

Carlos Von Koseritz, (1830-1890), entre outros nomes, é um dos ícones da imprensa alemã, em nosso Estado, pois colaborou em importantes periódicos na capital e no interior da província. Na imprensa gaúcha, sua presença ficou conhecida como a “Era Koseritz”. Contratado por dom Pedro II, ele integrou a Legião Alemã – os Brummer – para lutar contra o ditador Rosas da Província de Buenos Aires. Koseritz não se adaptou ao contexto da guerra e desertou, encontrando no magistério e no jornalismo um terreno fértil para atuar.

No Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, o Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, criado em 10 de setembro de 1974, tem sob sua guarda alguns dos títulos citados nesse artigo, cumprindo o papel para o qual foi criado: guardar, preservar e difundir a memória dos meios de comunicação do nosso Estado.

*Pesquisador e coordenador do Setor de Imprensa do Musecom

Bibliografia
DILLENBURG, Sérgio Roberto. A Imprensa em Porto Alegre de 1845 a 1870. Porto Alegre: Editora Sulina, 1987.
ERICSEN, Nestor. O Sesquicentenário da Imprensa Rio-Grandense. Porto Alegre: Sulina, 1977.
FRANCO, Sérgio da Costa. Dicionário Político do Rio Grande do Sul / 1821-1937. Porto Alegre: Letra e Vida, 2010.
GALVANI, Walter. A Noite do Quebra-Quebra. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993.
MIRANDA, Marcia Eckert; LEITE, Carlos Roberto Saraiva da Costa. Jornais raros do Musecom: 1808-1924. Porto Alegre: Comunicação Impressa, 2008.
SILVA, Jandira M. M. da; CLEMENTE, Ir. Elvo; BARBOSA, Eni. Breve Histórico da Imprensa Sul- Rio- Grandense. Porto Alegre: CORAG, 1986.

Portugal. EU “SHOW” PORTAS

Posted: 30 Dec 2015 01:41 PM PST

Miguel Guedes – Jornal de Notícias, opinião

O líder partidário há mais tempo no activo anunciou um novo concurso de caça-talentos quinzenal para metade dos deputados da sua bancada parlamentar. Perante a ameaça de inverno rigoroso, o gosto pela hibernação voltou e é, reconhecidamente, um prazer antigo do Paulo Portas político que evolui perante os nossos olhos desde que foi eleito presidente do CDS em 98. Com uma curta hibernação – lá está – de dois anos (entre a derrota nas legislativas de 2005 e a queda de José Ribeiro e Castro em 2007), o actual líder do CDS-PP brindou-nos com 16 anos de prática política activa e não consta que derive para um regresso ao passado, num fluxo de “irrevogável” para “independente”, recuperando as suas lides jornalísticas de mel e fel. Paulo Portas anunciou que se afasta porque, pura e simplesmente, o poder deixou de passar por ali. E Portas não se vê ao espelho como vice-líder da oposição. Mais uma vez, analisa bem e a frio.

A primeira conclusão que se precipita como gotas de chuva no Inverno à Direita aproxima-se de um dilúvio: já ninguém acredita que o acordo à Esquerda dure apenas um ou dois anos. E esse período climático dá mais do que ensejo para vários chapéus de chuva e tacticismos de “golpe da caneta”. Recordando o momento, à boca de urna interna. Aquele em que Manuel Monteiro (na altura, presidente do CDS) se dirigiu ao local de voto de caneta em riste e foi acusado de votar em branco, evitando a eleição do candidato único Paulo Portas como líder parlamentar centrista fruto do peso dos votos em branco e fazendo com que vários deputados do partido abandonassem o barco até Portas se coroar líder pouco tempo depois. Se, na altura, a caneta do líder foi um instrumento para o assalto à liderança, ninguém como Portas depois instrumentalizou tão fortemente a política portuguesa. Com indesmentível inteligência e mesmo que agora com a legítima vontade de vida própria, fica claro que a lógica que o mantinha ligado à política como vice-primeiro ministro era aquela, sinuosa, de quem só admite rodar a “geringonça” desde que tenha o poder na mão para a rodar a seu bel-prazer.

A “abrilada” absolutista de Portas no CDS-PP acabará em Abril e em Congresso. Mas o PP não cai da sigla, maduro de velho. A corrida para a sucessão no partido começa bem antes nos debates quinzenais com António Costa, onde os vice-presidentes do partido e do grupo parlamentar usarão da rotatividade para exprimirem voz própria ou afincada imitação. Mesmo com o afastamento de Portas, o seu “show” pessoal continuará a ser líder de influências. Para o futuro líder do CDS-PP, a vida sempre com uma constante incerteza: um jogador como Paulo Portas nunca soletrará um “Game Over”.

Portugal. Mortes nas urgências são resultado de “políticas de terrorismo social” – Edgar Silva

Posted: 30 Dec 2015 01:26 PM PST

O candidato presidencial que conta com o apoio do PCP defende que o Estado Social tem primazia sobre o cumprimento das metas do défice.

Para Edgar Silva, as mortes em urgências hospitalares são o resultado de políticas de terrorismo social”. E o candidato à presidência da República que conta com o apoio do Partido Comunista defende a sua posição fazendo referência às vítimas de terrorismo em França.

“As nossas vidas ou os que morrem nas nossas urgências hospitalares, são vidas que valem menos do que as vítimas do terrorismo em França?”, questionou mesmo Edgar Silva à antena da Rádio Renascença.

O cumprimento de metas do défice, especifica, estão na origem das políticas que afetaram o Estado Social e, em particular, o Serviço Nacional de Saúde, considera.

Notícias ao Minuto

Portugal. “Ou Marcelo se está a passar por ingénuo ou a tomar-nos por parvos” – Rui Tavares

Posted: 30 Dec 2015 01:21 PM PST

A opinião é do líder do Livre e no centro da questão está o facto de o candidato a Belém ter classificado de “escândalo falar em centenas de milhares de euros” para as campanhas presidenciais.

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou, esta semana, que era “um escândalo” gastar-se milhares de euros em campanhas eleitorais. Para Rui Tavares a afirmação demonstra que o candidato presidencial “ou se está a fazer passar por ingénuo ou a tomar-nos a nós por parvos”.

Isto porque, lembra o político, Marcelo apoiou a candidatura de Cavaco Silva que “já em época de crise, orçou [a sua campanha] em três milhões”. Depois, acusa-o de não sermos “leais” ao querer que “os outros candidatos se remetam à obscuridade” quando ele “ocupou durante anos os espaços mais nobres da televisão”.

Rui Tavares acusa ainda o ex-comentador da TVI de querer “estabelecer as suas próprias regras” e de “menosprezar aqueles que se apresentarem fora deste pequeno mundo [o dos ungidos pelas televisões]”.

E alerta que se toda esta situação passar despercebida é porque então conseguiu tomar os portugueses “por parvos”. “Se consegue dizê-lo e passar incólume, confirmar-se-ia a segunda hipótese”, pode ler-se na crónica que assina esta quarta-feira no Público.

Notícias ao Minuto

INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL AUMENTA PORTAGENS EM MAIS DE 30 TROÇOS

Posted: 30 Dec 2015 01:46 PM PST

A Infraestruturas de Portugal (IP) vai aumentar em cinco cêntimos 34 das 550 tarifas de portagem das autoestradas que lhe estão concessionadas no próximo ano, adiantou fonte da empresa à agência Lusa.

Numa nota escrita enviada hoje à Lusa, a IP refere que a atualização anual das taxas de portagem, que tem por base a evolução do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), se irá refletir “quase unicamente” nas tarifas aplicadas às classes 2, 3 ou 4.

Segundo esclarece, em 2016 a atualização anual irá representar, em média, um aumento de 0,2% em valor no conjunto das sete concessões ex-SCUT (Algarve, Beiras Litoral e Alta, Beira Interior, Costa de Prata, Interior Norte, Grande Porto, Norte Litoral) e duas concessões de portagem real (Norte e Grande Lisboa).

Na A29 (Costa de Prata) aumentará em cinco cêntimos a tarifa dos veículos classe 2 no troço Salreu-Estarreja e dos veículos classe 4 no troço Estarreja-Ovar, enquanto na A42 (Grande Porto) a subida de cinco cêntimos será aplicada aos veículos de classe 3 no troço EN 106 Norte-Lousada (IP9).

Já na A28 (Norte Litoral) a atualização será feita no troço Póvoa de Varzim-Estela para os veículos de classe 2 e Esposende-Antas para os de classe 4, enquanto na A23 (Beira Interior) o aumento de cinco cêntimos se aplica no troço Alcaria-Covilhã Sul para a classe 2, Sarnadas/Retaxo-Castelo Branco Sul e Soalheira-Castelo Novo para a classe 3 e Mouriscas-Mação, Hospital-Castelo Branco Norte e Soalheira-Castelo Novo para a classe 4.

Já na Via do Infante (A22) a única alteração será no troço Tavira-Monte Gordo para os veículos de classe 4, sendo que na A24 serão atualizados os troços Vidago-Pedras Salgadas e Vila Real (IP4)-A4 para a classe 2, o percurso Chaves-EN103 para as classes 3 e 4 e, para esta última, também o troço Portela-Peso da Régua.

Quanto à A25 (Beiras Litoral e Alta), a subida de cinco cêntimos aplicar-se-á aos veículos de classe 2 no troço Boa Aldeia Nascente-Fail e aos de classe 4 nos percursos Reigoso-Cambarinho, EN231-EN2 e Mangualde-Chãs de Tavares.

Na concessão Norte, com portagem real, irá verificar-se uma atualização de tarifas em seis de um total de 30 troços: para os veículos de classe 1 aumentam os percursos Fafe-Basto e Ribeira de Pena-IP3; para os de classe 2 o de Nó Calvos-Vizela; para os de classe 3 os de Celeirós-Guimarães Oeste, Nó Calvos-Vizela e Vizela-Felgueiras; e para a classe 4 o troço Basto-Ribeira Pena.

No caso das subconcessões Baixo Tejo (A33) e Pinhal Interior (A13) esta atualização será aplicada em quatro do total de 25 pórticos existentes e representará um aumento médio em valor de 0,3%.

Na A13 os preços subirão cinco cêntimos para os veículos de classe 1 no troço Nó com a EN342-Nó de Condeixa e Nó de Condeixa-Nó de Coimbra Sul e apenas neste último percurso no caso dos veículos classe 3; já na A33 passam a pagar mais os automóveis classe 2 entre o Nó de Belverde-Nó das Laranjeiras, os de classe 3 entre o Nó de Palhais-Nó da Queimada e os de classe 4 entre o Nó de Coina com a EN10 e o Nó de Penalva.

Já nas subconcessões Autoestrada Transmontana e Litoral Oeste não se verificará qualquer alteração das taxas de portagem.

Segundo recorda a IP, atualmente as empresas transportadoras de mercadorias, maioritariamente utilizadoras dos veículos das classes superiores, beneficiam já de um desconto no preço das portagens de 10% durante o dia e de 25% durante a noite.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Portugal. CAVACO PROMULGA ORÇAMENTO RETIFICATIVO E AUSTERIDADE PARA 2016

Posted: 30 Dec 2015 12:53 PM PST

O Presidente da República promulgou todos os diplomas que tinham caráter de urgência, para que possam entrar em vigor a 1 de janeiro, como o dos cortes salariais na administração pública e o da sobretaxa de IRS. Foi também promulgado o Orçamento Retificativo.

Em causa está o Orçamento Retificativo de 2015 que permite injetar mais de 2 mil milhões de euros no Banif e outros quatro diplomas que garantem que a austeridade continua no próximo ano.

Os cortes salariais na Administração Pública continuam mesmo até setembro, uma medida que o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado tentava evitar. O sindicato pediu esta quarta-feira ao Presidente da República que avançasse para uma fiscalização preventiva junto do Tribunal Constitucional, mas o pedido não foi tido em conta por Belém.

Também a contribuição extraordinária de solidariedade vai manter-se por mais um ano para quem tenha reformas de pelo menos 43 mil euros brutos anuais. Já o salário mínimo nacional aumenta de 505 para 530 euros.

Para além disso, Cavaco silva deixa passar as novas regras da sobretaxa de IRS para 2016, que agora passam a depender do rendimento de cada agregado familiar.

Vítor Rodrigues Oliveira – TSF – Foto: Inácio Rosa/Lusa

Portugal. O LÍDER PORTAS ACABOU, O CDS NÃO SABEMOS

Posted: 30 Dec 2015 09:27 AM PST

Ana Sá Lopes – jornal i, opinião

O tempo de Paulo Portas no CDS acabou. Mesmo para a fénix mais bem sucedida da política portuguesa haveria um dia em que as coisas teriam que acabar. Portas fez bem: depois de António Costa ter conquistado o governo com a “gerigonça” (expressão inventada pelo melhor inventor de expressões, Portas, lui-même), o CDS obteve uma derrota política

Que ficava a fazer Paulo Portas à frente do CDS depois de uma derrota política, que se seguia a um ciclo em que, no governo, o CDS tinha estraçalhado a confiança de muito do seu antigo eleitorado, os pensionistas e idosos? Como vê muito mais à frente do que todos os outros, Portas percebeu, assumiu e interiorizou a derrota da direita nas eleições de 4 de Outubro. Sim, a coligação ficou à frente, mas não está no governo porque não tem apoio para isso e, em consequência, acabou o processo com uma pesada derrota.

Portas conduziu o CDS aos píncaros, levando-o a participar em três governos. Rejuvenesceu o partido, tornou-o um bocadinho menos conservador, deu-lhe causas depois das velhas causas que o criaram no pós 25 de Abril se terem esgotado – falamos da defesa da propriedade privada, do liberalismo económico e da oposição ao “comunismo”. Com uma inteligência invulgar, uma capacidade de comunicação incomparável à direita – sim, há Marcelo Rebelo de Sousa que está prestes a tornar-se Presidente da República – Portas não deve acabar a sua vida política por aqui. É verdade que era o líder partidário há mais anos em funções – desde 1998 – mas tem pouco mais de 50 anos, uma idade em que ninguém se reforma.

Portas é um animal político. Como jornalista sempre foi um animal político. É um animal político desde a adolescência. Os animais políticos podem hibernar uns tempos mas só morrem de morte natural.

Se a saída de Portas era necessária para terminar um ciclo, resta saber que CDS vai existir depois de Portas. Os cemitérios estão cheios de insubstituíveis, mas há uns mais insubstituíveis que outros.

Portugal. NOVO BANCO, BURACO VELHO, TRIBUNAIS À VISTA

Posted: 30 Dec 2015 09:15 AM PST

Instituição reforça de capitais à custa dos grandes investidores que lhe emprestaram dinheiro. Prepara-se chuva de processos.

O reforço de capital do Novo Banco (NB) vai ser assegurado pelos grandes fundos de pensões e bancos que detêm dívida da instituição, na forma de obrigações séniores. Estes investidores escaparam a prejuízos quando o BES foi intervencionado, no Verão de 2014, mas terão agora perdas a registar. A medida reforça os capitais do NB em quase dois mil milhões de euros, mas vai acabar nos tribunais, alerta ao i a associação de investidores ATM, Octávio Viana.
A solução foi sugerida pelo BCE, montada pelo Banco de Portugal (BdP) e terá decisão final do Governo, previsivelmente no Conselho de Ministros de hoje.

Depois do chumbo do Novo Banco nos testes de stress do Banco Central Europeu (BCE), o banco e as autoridades públicas tiveram de estudar medidas para compensar os 1,4 mil milhões de euros em falta.

Foi decidido fazer um “bail-in” com recurso a obrigações seniores, nas mãos de investidores institucionais. Os clientes particulares com obrigações seniores serão salvaguardados desta medida.

Os títulos de dívida dos grandes investidores vão ser transferidos para o BES, o ‘banco mau’ que ficou com os ativos problemáticos do grupo de Salgado e está em liquidação. Ou seja, em vez de ser o Novo Banco a pagar aos credores, será o banco mau a ficar com essa responsabilidade. Ao retirar este passivo das mãos do NB, torna-se mais fácil cumprir os rácios de capital impostos do BCE.

Em comunicado, o BdP refere que esta medida é necessária para assegurar que os prejuízos do BES “são absorvidos, em primeiro lugar, pelos acionistas e pelos credores daquele instituição e não pelo sistema bancário ou pelos contribuintes”.

O regulador esclarece que a medida se circunscreve a cinco tipos de obrigações seniores colocadas apenas junto de investidores institucionais, com uma denominação mínima de 100 mil euros. Esta seleção “fundamentou-se em razões de interesse público” e “protege todos os depositantes do banco, os credores por serviços prestados e outras categorias de credores comuns”.

A opção tomada pelo BdP alivia de facto os outros bancos portugueses. Ao que o i apurou, outra possibilidade em cima da mesa era a recapitalização ser assegurada pelo Fundo de Resolução, o organismo que detém o capital do NB desde a resolução e que é financiado com contribuições dos bancos em Portugal. Se fosse seguido esse caminho, teriam de ser feitas contribuições extraordinárias dos bancos do sistema, levando a um esforço adicional.

Contudo, explica o presidente da AT, Octávio Viana, a opção por um bail in obrigacionista apenas de investidores qualificados, salvaguardando os particulares, abre um “precedente” que será contestado em tribunal pelos grandes fundos de pensões e instituições financeiras. “É uma medida ilegal, que vai gerar litigância”, diz, explicando que os direitos de um investidor estão associados ao tipo de títulos, e não ao perfil de quem investe. “Não se pode tratar de forma diferente o que é igual”, sintetiza.

Estes investidores seniores foram salvaguardados de perdas em Agosto de 2014, quando foi feita a resolução do BES. Apenas os acionistas e os detentores de obrigações subordinadas ficaram sem o dinheiro. Agora, os obrigacionistas seniores arriscam a perdas severas porque a entidade que vai fazer os reembolsos não tem capacidade financeira para tal. O BES é atualmente um banco em liquidação, que está a tentar vender ativos para pagar aos credores, por ordem de senioridade.

Octávio Viana avisa que, tratando-se de fundos de pensões, de fundos de investimento e de grandes instituições financeiras, os investidores agora chamados a recapitalizar o BES têm grande poder de contestação jurídica, pelo que o volume de processos em tribunal contra esta operação deverá ser elevado.

O processo de separação de ativos do BES já gerou um elevado número de processos em tribunal a contestar a medida de resolução.

Um dos casos mais bicudos opõe as autoridades portuguesas ao Goldman Sachs, devido a um empréstimo de 752,5 milhões de euros que o banco norte-americano concedeu ao BES, através do veículo financeiro Oak Finance. Esse crédito foi inicialmente considerado um ativo do Novo Banco, mas transitou depois para o BES – o que levou os norte-americanos a avançar para tribunal, onde o processo ainda decorre.

No caso da separação decidida ontem, haverá ainda muitas dúvidas por esclarecer. “Parte dessa dívida é garantida pelo Estado Português. No mais que provável envolvimento dos credores seniores nos custos de liquidação do banco mau, o Estado será chamado a pagar. Temos novo “empurrar com a barriga” ou será que a dívida garantida pelo Estado fica no Novo Banco?”, escreveu no Facebook o economista Nuno Teles.

Também está por saber se haverá entidades públicas detentoras de obrigações que serão transferidas para o BES, que terão também de assumir perdas.

João Madeira – jornal i

SOUSA PINTO, DEPUTADO E SOCIALISTAZINHO PORTUGUÊS EM PROL DA DEMOCRACIAZINHA

Posted: 30 Dec 2015 05:19 PM PST

Bocas do Inferno

Mário Motta, Lisboa

Bom dia, boa tarde, boa noite. Estas são Bocas do Inferno. Não as leve a peito mas abra a pestana. Já se justifica, depois de tantas vezes ser enganado(a) pelos que elege para o parlamento e depois se declaram antagonistas dos interesses dos que os elegeram. Será assim sempre, enquanto não abrir a pestana.

A direita do PS continua voraz nas intenções de abraçar a democraciazinha por que se tem regulado como principal cangalheiro do 25 de Abril. Sérgio Sousa Pinto, do PS, afirma isso mesmo por outras palavras. Segundo o jornal i, aquele “chuchalista” afirmou “Num post publicado na sua página no Facebook, o deputado socialista avisa para os riscos de “tirar o socialismo da gaveta, onde Soares o teria metido”. Está tudo dito e justificado. Para Sousa Pinto e seus capangas da mesma linha político-ideologica o esse de socialista até incomoda mas não se atrevem a declararem isso mesmo, além de sempre vislumbrarem algumas vantagens por enganarem os incautos, os menos avisados, os menos esclarecidos. Sousa Pinto defende um partido socialistazinho e não realmente o que supostamente significa socialista. É publicidade enganosa mas na política não existem as regras das leis de publicidade, por tal… deixa andar. É semelhante a uma embalagem de Leite que após desflorado e despejado para uma caneca é coalho com mijo na realidade. O que não quer Sousa Pinto é “tirar o socialismo da gaveta, onde Soares o teria metido”. Pois. Compreendemos. Vendem gato por lebre. A quem o faz o povo apelida de vigaristas, de cambada de sacanas. É assim, como não existe decência nem honestidade intelectual, nem política, o deputado eleito considera-se no direito de andar a vigarizar os eleitores que vão à babuja do esse de socialista ostentado indevida e incorretamente. Ainda bem que Sérgio Sousa Pinto o disse. Ao menos assume-se como um grande charlatão, assim como mais uns quantos correlegionários que defendem os 1% que roubam tudo e todos. Sim, porque se na realidade não é, nem por sombras, socialista, se o socialismo o incomoda e é seu adversário, qual a razão de ter aderido ao PS? Porque não ao PSD ou ao CDS? Compreendemos, a função é exatamente essa, desviar o PS para a direita a que chama centro. Talvez o centro da direita, que é o lugar certo de Sousa Pinto. Com ele e os da direita à direita do PS continuaremos a vê-los florescer, a viverem à fartazana e a banquetearem-se com as migalhas profusas dos banqueiros e outros que exploram e roubam descaradamente aqueles que votam nos Sousa Pintos, nos Passos, nos Portas, nos Cavacos, nas seitas que tudo têm feito para enterrar de vez as liberdades, direitos e garantias conseguidos após o derrube do salazar-marcelismo. Para eles a meta é a democraciazinha que mantenha a canga da exploração, do roubo, da miséria (ma non tropo), do desemprego que leva os portugueses a sujeitarem-se a trabalho precário indecentemente mal remunerado. Desde que os Sousa Pinto dessa laia vejam as suas contas bancárias recheadas e as mordomias fornecidas com fartura… não tirem o socialismo da gaveta. Que perigo, para a minoria. Pois. Já sabemos o que a súcia no parlamento (uns quantos mas demais) têm por missão operar. Temos visto e sentido na pele, no estômago a querer alimento e não haver para lhe dar, etc.

Mas leiam o dizer do deputado e socialistazinho português no jornal i, referido por Margarida Davim. (MM / PG)

Sousa Pinto quer manter o PS “do lado de cá” do muro da esquerda

Se parecia que os críticos à deriva de esquerda do PS tinham ficado rendidos à política de António Costa, Sérgio Sousa Pinto vem mostrar que não é bem assim. Num post publicado na sua página no Facebook, o deputado socialista avisa para os riscos de “tirar o socialismo da gaveta, onde Soares o teria metido”.

Sousa Pinto acha que o posicionamento político do PS não deve ser posto em causa, mesmo que se apoie a solução encontrada por Costa para formar Governo. Porque ficar demasiado próximo da esquerda do BE e do PCP pode pôr em risco o espaço vital do partido que se colocou historicamente muito mais ao centro: “Apoiar lealmente este governo nos seus esforços é uma coisa. Desfilar com entusiasmo acéfalo num mundo de fantasias, ilusões e enganos é outra”.

“Primeiro partido socialista do sul da Europa a chegar ao poder, o PS nada tem a incorporar em seu benefício, do radicalismo e da demagogia dos que se imaginam ‘mais de esquerda’, apropriando-se com estridência das grandes realizações sociais dos governos do Partido Socialista”, avisa o deputado.

Para Sérgio Sousa Pinto, a própria história do partido deixa claro que os que agora servem de apoio parlamentar ao Governo de António Costa não são necessariamente os seus aliados naturais.

“As dificuldades da governação, o confronto com realidades teimosas, o reconhecimento de obstáculos históricos e naturais, repetidamente enfrentados no passado por toda a sorte de governantes, republicanos, liberais, ministros do absolutismo até – fortaleceram no PS uma abertura à complexidade, ao pragmatismo, ao compromisso, ao possibilismo. É por isso vital que o PS, e sobretudo os seus militantes, não se afastem dessa cultura política fundamental, sobre a qual Mário Soares construiu o nosso partido”, escreve no Facebook o socialista que desde a primeira hora divergiu dos acordos à esquerda apesar da sua proximidade em relação a António Costa.

Sousa Pinto recorda, de resto, que o inimigo natural de BE e PCP é a direita, mas que esse raciocínio não se aplica aos socialistas.

“Nunca foi esta a cultura do PS, forjada na oposição à ditadura e, depois, ao projeto de assalto ao poder do PCP”, sublinha, defendendo que o fim do “muro” que separava as esquerdas – como lhe chamou Costa – não é forçosamente uma coisa boa para os socialistas, que se devem manter ao centro para não perderem o seu espaço político histórico.

“Comunicar construtivamente com os outros do lado de lá, por cima do muro, já é muito. Sem esquecermos que queremos que o futuro de Portugal se decida do lado de cá”, reforça Sousa Pinto, que viu na votação do Orçamento Retificativo – com os votos contra do BE e do PCP – a prova da fragilidade dos acordos à esquerda.

“Ainda se ouviam pandeiretas e já o muro ressurgia, descoberto pela votação do orçamento retificativo. Ainda ecoavam os pífaros e já o arco da governação se impunha outra vez, tão real e… tangível como o arco da Praça de Espanha”, diz Sérgio Sousa Pinto para lembrar que quem acabou por dar a mão a Costa foi o PSD de Passos Coelho, mostrando que os dois partidos ainda se podem encontrar ao centro.

Margarida Davim – jornal i

PAGA ZÉ! BOM ANO NOVO!

Posted: 30 Dec 2015 07:37 AM PST

O mundo dos negócios é muito engraçado. Vejamos por exemplo o caso de Joaquim Oliveira, que “comprou” a Controlinveste (DN, JN e TSF) por 300 milhões que pediu emprestados ao BCP. Só que se esqueceu de os pagar, incluindo juros.

O banco, boa alma, perdoou-lhe dois terços da dívida, o que não impediu o bom do Joaquim de vender ao angolano Mosquito e ao genro do Silva de Boliqueime uma parcela importante da Controlinveste e de ter embolsado o dinheiro.

Mas afinal quem é Mosquito? Apenas, entre outras coisas, um dos afilhados do supercorrupto Eduardo dos Santos e um dos homens-fortes da Sonangol, que por sua vez é a principal accionista do BCP. Baralhados? Não vale a pena. O que importa saber é que o Estado português, isto é, nós, meteu três mil milhões a fundo perdido no BCP para pagar estas e outras negociatas.

Quanto a Joaquim Oliveira, está podre de rico, continua a deter a Sport TV (é verdade, ninguém lhe tocou, mesmo devendo centenas de milhões) e ao que parece prepara-se para a vender ao mesmo Mosquito, que dizem as más-línguas terá sido um dos grandes beneficiados dos quatro mil milhões “desaparecidos” no Bes Angola, o que lhe terá permitido comprar, entre outros “brinquedos”, a Soares da Costa. Tudo está bem quando acaba bem.

Paga, Zé!

Jorge Alves, no Facebook

2016 VAI SER PIOR. ACORDE, JÁ SÃO HORAS

Posted: 30 Dec 2015 04:03 AM PST

Bom dia. É difícil que esperemos ter mesmo um bom dia, a choldra da política e da finança não pára de atacar. Querem tudo para eles e para os das suas seitas. Principalmente por isso é impossível ter um bom 2016. Essa tal choldra manobra nos altos escalões globais para que tudo piore para os povos e melhore para as suas seitas. Por aqui por Portugal a choldra tem os seus fieis servidores e se necessário arregimenta mais. Já idos foram Passos e Portas. Cavaco está para ir. Outros virão para fazer o trabalho sujo que Cavaco-Passos e Portas fizeram.

2016 vai ser outro ano de miséria. Vão continuar a roubar aos pobres para entregar aos ricos. Num setor do bando já veio a Lagarde dizer que 2016 vai ser uma desilusão e blá-blá. Isto não pára se nada se fizer de drástico. Podem acreditar que a solução passa por enjaular os senhores do grande capital mundial, aqueles que manipulam tudo e imensos políticos. O que se está a passar é autêntico crime contra a humanidade, por tal a prisão para os criminosos, a retirada dos poderes de influência aos organismos que usam para impor esta ditadura financeira, é o passo a dar. Só possível com políticos em uníssono nos EUA, na Europa e etc. Humanismo, transparência e honestidade são os condimentos necessários para defender a democracia, os direitos humanos… Utópico? Será, enquanto não surgirem homens e mulheres com capacidades e coragem para o combate desta guerra extrema que os senhores do capital e do mundo declararam e praticam contra os cidadãos do mundo cada vez mais pobres. Há fome desbragada nos EUA, há fome na Europa, o que não haverá noutras regiões do mundo? Os políticos vigentes e vendidos à súcia de magnatas da desgraça andam a procurar tapar o sol com a peneira mas está tudo à vista. Só não vê quem não quer ver ou então é muito vegetal ou ingénuo.

Uma decisão e atitude drástica e consertada tem de ser tomada e posta em prática. A evidência de uma terceira guerra mundial está no horizonte próximo, ditada pela ganância de uns quantos. Urge reagir.

Em Portugal, já estamos a ver, 2016 vai ser ano de boa colheita para os banqueiros e seus capos daquela máfia. É fartar vilanagem diz tudo. Os políticos corruptos e em conluios criminosos e/ou imorais florescem. O sítio deles é na jaula mas a justiça tem um preço e também tem as mãos sujas. Tresanda.

O Expresso Curto, com Bernardo Ferrão, fecha o ano 2015. Essa coisa de desejar Bom Ano é mesmo só um desejo – nesta conjuntura um desejo tolo por sabermos que não se vai concretizar.

Vem aí um novo ano. Prepare-se para o combate. Para reagir à guerra que uns quantos no mundo moveram a milhões de seres humanos, abrindo as portas do inferno dos radicalismos. Desiluda-se, 2016 vai ser pior que 2015, a nova “crise” já está em marcha, saída do croqui dos tais 1% que são senhores do mundo e dos restantes 99%. E agora iluda-se mais ainda e convença-se que vivemos em democracia no chamado mundo ocidental.

Acorde. Já são horas.

Redação PG / MM

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Bernardo Ferrão – Expresso

Se 2015 foi o que foi, prepare-se para o que aí vem

Bom dia

Este é o último Expresso Curto de 2015. E mais do que olhar para trás, o que lhe proponho é que façamos a ponte para o que está para vir. Tal como o ano que amanhã termina, 2016 será marcadamente político. E agitado.

Há um Orçamento para aprovar, há o Novo Banco, o Banif, acomissão de inquérito, a “geringonça”, o novo líder do CDS, a reconfiguração do PSD, o novo Presidente da República. Há tudo isto e muito mais.

Vamos por partes.

Banca. Marcelo Rebelo de Sousa deixou nas últimas horas elogios à“vontade” e à “determinação” do Governo em resolver os casos Banif e Novo Banco. São “heranças complicadas de anos passados” disse o candidato. Marcelo falava no dia em que se soube que o Banco de Portugal ordenou que cerca de €2 mil milhões emobrigações seniores passem do Novo Banco para o BES. O João Vieira Pereira e a Isabel Vicente explicam aqui que os investidores institucionais podem perder tudo. E que os obrigacionistas de retalho estão salvaguardados.
Na opinião, o Pedro Santos Guerreiro fala de um novo calote no BES: “os donos de dois mil milhões de euros de obrigações do BESarderam com o dinheiro”. E conclui: “Afinal havia alternativa”. Em comunicado o Banco de Portugal justifica a medida dizendo quefoi necessária para assegurar que os prejuízos do BES “são absorvidos, em primeiro lugar, pelos acionistas e pelos credores e não pelo sistema bancário ou pelos contribuintes”. Uma explicação que não convence a associação dos investidores que segundo o jornal i já prepara uma chuva de processos nos tribunais.

Sobre o Banif e por causa da resolução do banco, o Negócios escreve que Portugal pode ter de esperar mais um ano para sair do procedimento por défices excessivos.

CDS. Com a saída de Paulo Portas, abre-se um novo capítulo na vida do partido que ficará resolvido no congresso de Março/Abril. Portas pediu para que “não tenham medo” e que se evitem querelas internas. Mas a verdade é que no Largo do Caldas já se teme que os centristas caiam numa luta de trincheiras, à imagem do que aconteceu em 2005 quando Portas saiu e o CDS ficou partido ao meio. O Filipe Santos Costa lembra esse momento neste artigo, onde também traça os perfis dos possíveis sucessores.

Notícia da noite: João Almeida pôs-se fora desta lista. O deputado anunciou no Facebook que não está na corrida à liderança mas não deixará de apresentar uma moção de estratégia. O Público escreve que Nuno Melo está a serpressionado para avançar. E o DN avança que Portas se vai dedicar à vida empresarial com um olho em Belém.

PSD. Passos Coelho (qual BFF!) não poupou nos elogios ao seu parceiro da coligação. É um “líder partidário carismático”. “Acho que o país lhe fica a dever uma intervenção muito destacada e competente”. O líder laranja já sabia que Portas ia sair, e sabe também que agora terá no CDS um partido diferente, com outra agenda e bem menos alinhado com os sociais-democratas. Em 2016 veremos como os ex-parceiros de Governo vão seguir caminhos bem diferentes (o CDS precisa crescer para se fazervaler como sublinha o Ricardo Costa).

Esta separação das águas é a segunda vitória de António Costa: não só alinhou as esquerdas como conseguiu desalinhar (e desorientar) a direita. Daniel Oliveira escreve no Expresso Diáriosobre esta reconfiguração da Direita e lembra que agora começa acontagem decrescente para Passos Coelho.

Governo. Quando o novo ano começar o Executivo de António Costa, cumprindo o que disse Mário Centeno, já deverá ter enviado o draft do Orçamento para Bruxelas. E se o calendário do Governo se cumprir, o OE deverá estar discutido e votado lá para março. Será um importante teste para a “geringonça”. Mas também para o PSD e CDS que, sabendo que o ciclo de Costa pode serbem mais longo do que julgavam, vão explorar todas asdificuldades que surjam às esquerdas. Quando o OE for para promulgação, o mais provável é que já seja recebido em Belém pelo novo chefe de Estado.

Presidenciais. Serão 10 os candidatos que até 24 de janeiro vão lutar pela eleição para o Palácio de Belém. Um novo recorde. Depois do sorteio que decidiu a ordem dos candidatos no boletim de voto, o Tribunal Constitucional admitiu entretanto todas as candidaturas que tinham sido formalizadas.

Sexta-feira, não se esqueça, começam os debates que vão durar até dia 9 de janeiro. Ao todo são 21, distribuídos pela RTP, SIC Notícias e TVI24. Mas ainda falta saber como é que os três candidatos que apareceram mais tarde vão ser incluídos na grelha dos frente a frente. Cândido Ferreira, um desses candidatos, já disse que não aceita ficar de fora: “Ou há debates para todos ou não há para ninguém”.

Ah!, e deixe-me dizer-lhe que vai acontecer outra vez: tal como nas legislativas, no dia das Presidenciais haverá jogos de futebol.

FRASES

“2016 pode ser um ano razoavelmente bom ou o início de uma série de anos bastante maus”, Pedro Passos Coelho ao Económico.

“Só em 2016 se vai perceber se a ‘maioria de esquerda’ é uma realidade operacional ou uma quimera. Tudo começará com o Orçamento e vai agudizar-se e com o Programa de Estabilidade”, Paulo Rangel também ao Económico.

“É um animal político. Isto não é uma despedida”, António Pires de Lima sobre Paulo Portas no DN

OUTRAS NOTÍCIAS

Depois do Benfica e do Porto, ontem foi a vez do Sporting entrar na lista dos “acordos históricos”. O clube de Alvalade fechou contrato com a NOS e vai receber €515 milhões de direitos de TV e patrocínios. A Isabel Paulo fez as contas e comparou os negócios. O leilão pelos direitos televisivos dos três grandes atinge um valor global de €1372,5 milhões. O Sporting é quem mais irá receber, mas é também quem vende mais conteúdos e ativos. Afinal, quem fez o melhor contrato?

O grupo Impresa e a MEO chegaram a um novo acordo de distribuição de seis canais SIC na plataforma de televisão paga da Portugal Telecom. O acordo inicia-se em janeiro de 2016 e é válido por três anos até ao final de 2018.

Em Espanha, onde ainda se procura uma solução para o Governo, Mariano Rajoy propôs um acordo com PSOE e Ciudadanos e avisou que se houver novas eleições voltará a ser candidato pelo PP.

Qual crise? O JN escreve que “nunca gastámos tanto dinheiro em compras.” Entre 23 de novembro e 27 de dezembro, os portugueses pagaram 3712 milhões de euros em comprasefetuadas com o cartão multibanco, mais 7,3% do que em igual período de 2014.

Na Síria, um dirigente do Daesh com “ligações diretas” ao alegado cabecilha dos atentados de Paris foi morto num bombardeamento aéreo liderado pelos Estados Unidos.

O QUE ANDO A LER

Estive de férias antes do Natal e aproveitei para (finalmente!) ler o livro dos meus colegas Filipe Santos Costa e Liliana Valente sobre o Independente – A máquina de triturar políticos. É um trabalho exemplar de análise de conteúdo e levantamento histórico sobre o que foi aquele jornal que era também um projeto político: “Foi ácido sulfúrico do cavaquismo e fermento de uma nova direita”.

No Independente houve, é óbvio, muitos erros e muitas vítimas. Pecados que hoje nos fazem até engolir em seco, mas não há dúvida que o Indy mostrou ao país um fascinante novo mundo. Na escrita e no rasgo. Rompeu com o cinzentismo de então. Não admira por isso que esta meticulosa visita ao passado, conduzida pelo Filipe e pela Liliana, já vá na quarta edição. É obra!

Devorei o livro com o prazer. E agora que Paulo Portas anunciou a sua saída do CDS tenho-me lembrado recorrentemente de várias passagens da história do jornal. E sobretudo pôs-me a pensar comoPaulo Portas é de facto um político com muitas vidas. É impressionante como soube dar a volta em vários episódios da sua longa carreira política. Como conseguiu conviver com oPresidente Cavaco Silva nos últimos anos depois de tudo o que escreveu sobre o primeiro-ministro Cavaco Silva (até que “merecia levar um estalo”). E com Leonor Beleza (“CalamityLeonor”, “teimosa, egoísta e cega”). E com Marques Mendes(“Marques Mentes” dizia uma das suas manchetes, ou que a ele se aplica “o princípio da subsidiariedade: quando não pensa por ele quem pensa melhor do que ele, espalha-se ao comprido”). E com muitos outros que o Independente de PP (e MEC) fez questão de“triturar”.

O Expresso Curto volta na próxima segunda-feira. Tenha um excelente 2016 e não se esqueça das passas e do espumante.

Divirta-se e até para o ano.

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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL