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Portugal. FANTASMAS DO PASSADO
Portugal. Carlos César: diálogo à esquerda "será conclusivo quando for finalizado"
Portugal: A ESQUERDA TAMBÉM APRENDE
Portugal. A REAÇÃO DA OPOSIÇÃO À TOMADA DE POSSE DO GOVERNO A CURTO PRAZO
Angola. A DIPLOMACIA SADO-MASO DE PORTUGAL
Angola. TALENTOS E PROGRESSOS
O LABORATÓRIO AFRICOM – VIII
General brasileiro que defendeu "luta patriótica" foi exonerado e muda de cargo
Brasil. NÉSTOR, LULA E O SEGUNDO TURNO
Brasil. OPERAÇÃO: ZELOTES. ALVO: LULA
OS CRIMINOSOS
Portugal. GOVERNO EMPOSSADO
GRANDE CIRCO DA AJUDA FAZ PARAR PORTUGAL
Portugal. UMA SEMANA E MEIA
Portugal. SERÁ ESTE O GOVERNO MAIS CURTO DA DEMOCRACIA?
UM GOVERNO (A PRAZO), UM APARELHO, UM PRESIDENTE

Portugal. FANTASMAS DO PASSADO

Posted: 30 Oct 2015 02:05 PM PDT

Pedro Adão e Silva* – TSF, opinião

“De forma distinta, os principais protagonistas políticos portugueses encontram-se presos a fantasmas do passado, dos quais têm dificuldade em libertar-se.”

Numa notável conversa com a escritora Marilynne Robinson, publicada no New York Review of Books, o Presidente norte-americano sublinhava que a “América é famosa por ser “a-histórica”. Essa é uma das nossas forças – esquecemo-nos das coisas. Quando pensamos noutros países, continuam a debater argumentos com 400 anos, e com consequências sérias” (parte 1 e parte 2).

Claro está que Barack Obama está a referir-se a clivagens profundas em muitas sociedades, que se reproduzem ao longo do tempo, e que marcam de forma violenta o presente. Não é esse, claramente, o caso de Portugal.

Ainda assim, o ponto permite-nos olhar para o atual contexto político e em particular para os discursos proferidos na tomada de posse do novo Governo. De forma distinta, os principais protagonistas políticos portugueses encontram-se presos a fantasmas do passado, dos quais têm dificuldade em libertar-se.

Quando Passos Coelho, esta sexta-feira, sublinhava que “mesmo nestes tempos difíceis, praticámos o diálogo e o compromisso” e que “esse sentido do compromisso e da negociação será agora renovado e fortalecido”, as palavras chocam com a realidade e o passado é um espetro que fragiliza a promessa de Passos Coelho. Depois de quatro anos de postura adversativa, em que as pontes com os partidos da oposição foram quebradas (logo na primeira avaliação da aplicação do memorando de entendimento), o mesmo tendo acontecido com os parceiros sociais, é pouco ou nada credível que os próximos anos possam ser diferentes. É difícil acreditar que Passos Coelho será um primeiro-ministro diferente daquele que foi até agora.

António Costa tem, também, fantasmas do passado a persegui-lo, ainda que de natureza muito diferente. Num momento em que uma alternativa que ofereça estabilidade depende da capacidade de entendimento entre os partidos de esquerda, há dúvidas legítimas sobre a consistência desse entendimento. 40 anos de conflitualidade e uma quase-impossibilidade de comunicação à esquerda, não podem deixar de se projetar sobre o futuro. É possível acreditar que o diálogo à esquerda será diferente do que foi até aqui?

Poderíamos, a este propósito, ficar convencidos que o Presidente ainda em exercício não tem problemas com o seu passado. Nada de mais errado. Hoje, por exemplo, foi penoso ouvir Cavaco Silva a auto-citar-se para afirmar que “a ausência de um apoio maioritário no Parlamento não é, por si só, um elemento perturbador da governabilidade. A ausência de maioria não implica o adiamento das medidas que a situação do País reclama”. Estas palavras chocam com os sistemáticos apelos que Cavaco Silva fez no último par de anos em torno da necessidade de um governo com apoio maioritário (basta recordar a comunicação ao país de 22 de Julho, dia em que convocou as legislativas) e, pior, estão aí para mostrar que o país não aprendeu nada com o que se passou entre 2009 e 2011.

No fundo, para ultrapassarmos o bloqueio político em que nos encontramos, de uma forma ou outra, temos de aprender com o exemplo norte-americano. O desafio dos próximos tempos é tornarmo-nos “a-históricos” e aprendermos, coletivamente, a esquecer os fantasmas do passado. Quem o fizer com maior mestria e de forma mais convicente, assumirá a liderança política do país.

*Politólogo e comentador do Bloco Central TSF

Portugal. Carlos César: diálogo à esquerda “será conclusivo quando for finalizado”

Posted: 30 Oct 2015 01:57 PM PDT

O líder parlamentar do PS responde às declarações de Jerónimo de Sousa, sobre conversas “inconclusivas”, com a garantia de uma “procura de convergência”. Compromissos internacionais são para cumprir de acordo com programa socialista. César subscreve algumas das “considerações” de Cavaco Silva.

Carlos César, líder da bancada socialista, diz desconhecer, de forma detalhada, as declarações do secretário-geral do Partido Comunista – que admitiu que as negociações foram, até ao momento, “inconclusivas” -, mas adianta, no entanto, que o PS está a desenvolver um “trabalho de procura de convergência, que será conclusivo quando for finalizado”.

Carlos César diz que, por agora, as conversas tendo em vista a criação de uma alternativa de governo estão a “correr bem”.

E acrescenta: “O PS não deixa o país sem governo e, portanto, se este governo for derrubado, e tudo indica que sim, será substituído por uma alternativa com apoio parlamentar e uma alternativa estável e duradoura”.

“Uma coisa é cumprir e outra é estar de acordo”

Depois de ouvir o presidente da República insistir na necessidade de Portugal mostrar “fidelidade” aos compromissos internacionais, o líder parlamentar do PS e presidente do partido afirmou que os socialistas se comprometem a cumprir esses compromissos, mas que, “uma coisa é cumprir” e que outra, diferente “é estar de acordo”.

Carlos César garante, no entanto, que nas conversas à esquerda é ponto assente que a questão europeia e dos compromissos internacionais vai ser seguida de acordo com o programa eleitoral do PS.

“Em matérias de compromissos internacionais e europeus, o que releva [nas negociações] é aquilo que resulta do programa de Governo do PS. E nisso somos claros. Não recebemos lições, no nosso país, sobre o nosso compromisso europeu”, afirma Carlos César.

Em declarações na Assembleia da Republica o líder parlamentar do PS disse ainda concordar com algumas das “considerações” de Cavaco Silva sobre as “fragilidades” do país, do ponto de vista económico, social e financeiro.

Carlos César entende que as palavras do chefe de Estado contrastam com a “promessa do amanhecer feito, durante a campanha, pela direita”.

O dirigente socialista referiu-se ainda ao executivo de Pedro Passos Coelho, que hoje tomou posse, como tendo um “potencial de instabilidade”, salientando que “é importante ter noção de que o nosso país sem estabilidade não tem governabilidade”.

João Alexandre – TSF – foto Manuel de Almeida / Lusa

Portugal: A ESQUERDA TAMBÉM APRENDE

Posted: 30 Oct 2015 01:50 PM PDT

O PS começou a aprender que quanto mais se parecer com a direita, mais os cidadãos se identificarão com as alternativas à esquerda.

Boaventura de Sousa Santo – Carta Maior

Tudo leva a crer que a esquerda portuguesa começou a entender que o ciclo político iniciado com a Revolução de 25 de Abril de 1974 está a terminar e que todos juntos talvez sejam suficientes para inverter o processo de decadência estrutural que a coligação de direita iniciou com a ajuda da troika. No sentido que lhe atribuo, decadência significa divergência progressiva, em vez de convergência progressiva com o rendimento médio europeu e os indicadores sociais que lhe estão associados. A prazo, se houvesse convergência, os jovens portugueses teriam tanta necessidade de emigrar como os jovens alemães ou finladeses. Está em curso o processo oposto.

Não é ainda claro o que cada partido aprendeu. O Partido Socialista (PS), com 32% dos votos contra 36% da coligação de direita, começou a aprender que quanto mais se parecer com a direita menos a direita precisa dele e menos precisam dele os cidadãos e cidadãs que, inconformados com as políticas de direita, começam a identificar alternativas à esquerda. Se aprender esta lição, terá igualmente que aprender que vai ser necessário organizar alguma rebeldia a nível europeu, com sabedoria e aliados europeus. Sem renegociação/restruturação da dívida e com o actual Tratado Orçamental, a decadência é fatal com ou sem exercícios fantasiosos de macro-económia. Aprenderá? Não esqueçamos que a ignorância estrutural no PS é muito alta. Só isso explica que Francisco Assis, dirigente da ala direita do partido, esteja à espera que o partido lhe caia nas mãos. Se isso acontecer, terá o triste privilégio de ser o coveiro do PS.

O Bloco de Esquerda (BE), com 10% dos votos, e o Partido Comunista Português (PCP), com 8%, (ambos a crescerem mas o BE a crescer dramaticamente e a ultrapassar pela primeira vez os comunistas) aprenderam que os portugueses lhes deram demasiados votos para poderem ser apenas votos de protesto. Durante a campanha eleitoral ouviram muitas vezes o apelo dramático: “tirem esta direita do poder”. Os portugueses querem soluções governativas de esquerda e contra a austeridade. Mas para poderem fortalecer uma alternativa política, os dois partidos deveriam entender-se entre si e não apenas cada um deles com o PS. Aqui a história pesa muito.

O novo Partido Livre (PL), constituído em grande medida por dissidentes do BE, não conseguiu eleger ninguém. Mas com o PL a esquerda também aprendeu. O Livre foi uma presença talvez passageira mas salutar no panorama político português porque introduziu duas inovações, uma programática e outra organizativa. No plano programático, foi a primeira força política, depois do 25 de Abril, a pôr a unidade de esquerda no centro da sua agenda política, uma unidade assente em bases programáticas credíveis. Foi a única força política que abraçou convictamente a democracia directa e participativa na eleição dos seus candidatos e se articulou de modo não proprietário com movimentos sociais autónomos, como foi o caso do Movimento de Cidadãos por Coimbra (CPC). Em geral, e salvo situações de total descrédito das forças políticas dominantes (como actualmente em Espanha), as grandes inovações políticas não são bem acolhidas em processos eleitorais, dominados por rotinas, lealdades e aparelhos. Mas o facto de não beneficiarem quem as introduz não quer dizer que se percam. A inovação programática introduzida pelo Livre foi decisiva para a mudança estratégica (e não apenas táctica, ao que parece) do BE no sentido de, já na campanha eleitoral, se abrir a uma aliança com o PS que no passado parecia ser o seu inimigo principal. Trata-se de uma aliança condicionada por linhas vermelhas, mas, mesmo assim, uma disponibilidade nova.

O Livre conseguiu impor parte da sua agenda, mas poderá aprender com a sua vitória? Para isso, deveria equacionar dissolver-se em nome da unidade de esquerda por que lutou desde que se realizassem as seguintes condições: o BE mostra que a unidade de esquerda é, para os tempos que se aproximam, a melhor decisão estratégica; adopta a inovação organizacional do Livre, a democracia directa no interior do partido, acabando de vez com vanguardismos, leninistas ou não; mostra-se disponível para acolher os activistas do Livre, a grande maioria deles ex-militantes ou ex-simpatizantes do BE, se estes assim o entenderem; a direção do Livre põe à discussão nas suas bases, votantes e simpatizantes a hipótese da dissolução nas condições referidas, e o voto é pela dissolução. Qualquer que seja o resultado, será um momento alto de pedagogia política de esquerda. Se a decisão for a não dissolução, o Livre terá um mandato mais forte para continuar. Se o Livre se dissolver, os movimentos sociais que se articularam com ele nada têm a perder. O CPC, por exemplo, continuará a sua luta por resgatar Coimbra das oligarquias políticas medíocres e corruptas que a têm destruído. Em próximos períodos eleitorais serão os partidos a necessitar do CPC, e não o contrário.

Portugal. A REAÇÃO DA OPOSIÇÃO À TOMADA DE POSSE DO GOVERNO A CURTO PRAZO

Posted: 30 Oct 2015 11:04 AM PDT

“Em breve, este Governo empossado será substituído”

O XX Governo Constitucional tomou posse esta sexta-feira no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

O líder da bancada parlamentar do PS, Carlos César comentou o facto de a coligação Portugal à Frente (PàF) ter assumido funções esta sexta-feira.

“O PS tem consciência da situação que o país hoje atravessa. E, por isso, não pode deixar de subscrever algumas considerações feitas pelo Presidente da República. Desde logo o reconhecimento das fragilidades económicas, sociais e financeiras que o nosso país atravessa que contrastam com a propaganda eleitoral da Direita”, afirma.

Carlos César diz ainda concordar com o discurso de Cavaco Silva quanto aos compromissos europeus. “Não deixamos também de subscrever a ideia no que concerne à necessidade do Governo que vier a ser constituído estar em compromisso com os ideais europeus”, assegura.

“O nosso país sem estabilidade não tem governabilidade”, garante.

Para o socialista, “o Governo que hoje foi empossado tem um potencial de instabilidade e tem o vírus da sua incapacidade de promoção de uma maioria parlamentar”.

Relativamente ao acordo que o PS tem vindo a discutir com a Esquerda (PCP e Bloco de Esquerda), Carlos César explica que as negociações ainda estão a decorrer. “Temos vindo a trabalhar na existência de um acordo que garanta uma maioria estável”.

“Aquilo que hoje posso dizer é que os esforços que temos vindo a desenvolver estão a caminhar bem. Em breve, este Governo empossado será substituído. Muito em breve teremos condições para recuperar a estabilidade política”, admite.

“O PS não deixa o país sem governo e portanto, se este governo for derrubado será substituído por uma alternativa”, remata.

Notícias ao Minuto

Cavaco fez “um louvor ao governo santo”

Presidente da República apelou ao diálogo do PSD/CDS com os restantes partidos.

Marisa Matias foi muito crítica em relação ao discurso do Presidente da República na cerimónia de tomada de posse do novo Governo.

A candidata à Presidência da República pelo Bloco de Esquerda assumiu que “o Presidente tem toda a legitimidade formal e política para dar posse a Passos Coelho, mas mais uma vez aproveitou esta ocasião para fazer um louvor ao governo santo”.

Desta forma, entende a bloquista que a função do “árbitro da democracia em Portugal, como é o caso do Presidente, seria perfeitamente dispensável”.

“Lamento que o Presidente tenha feito um discurso de costas voltadas para o país e os problemas concretos que os portugueses vivem”, acrescentou Marisa Matias, frisando que “a rejeição ou aprovação” deste Executivo não está nas mãos do chefe de Estado mas da Assembleia da República.

Notícias ao Minuto

Cavaco promove “discussão política alheada da realidade”

Para o líder parlamentar do PCP, as palavras de Passos Coelho no seu discurso de tomada de posse mostram que, quando o Governo cair, este tenciona culpar a Esquerda pelo seu fracasso.

João Oliveira que o discurso de Cavaco Silva durante a tomada de posse do novo Governo provam que a forma com que o Presidente da República encara as necessidades dos portugueses são uma “falácia”.

“É cada vez mais clara a extensão e dimensão da responsabilidade [de Cavaco] pela instabilidade que criou no país ao decidir indigitar Passos Coelho para formar Governo”, apontou o líder parlamentar do PCP.

“Aquilo que é preciso é uma solução que corresponda aos problemas dos portugueses e retire o país do afundamento em que se encontra”, o que não pode ser dado por um Governo de Direita sem maioria absoluta, considera João Oliveira.

“Também remeter para uma referência em abstrato sobre compromissos internacionais […] é procurar fazer uma discussão política alheada da realidade do pais”, disse em declarações aos jornalistas no Parlamento.

Quanto ao discurso do primeiro-ministro hoje empossado prova que “a propaganda que o PSD e CDS quanto recuperação do país afinal era uma propaganda mentirosa” e que, “perante a seria probabilidade do fracasso” deste Governo, “Passos Coelho começa já a preparar a responsabilização de outros”.

João Oliveira garante ainda que as negociações com o PS prosseguem sem “instabilidade nenhuma”, mas diz que o seu partido não quer iludir ninguém quanto as suas “diferenças de perspetiva” com Partido Socialista.

Questionado sobre uma eventual preferência sobre uma moção de rejeição autónoma do PCP ou em conjunto com outras forças políticas, o líder parlamentar comunista disse apenas que “A durabilidade de qualquer solução governativa resulta das opções políticas que sejam feitas”.

Notícias ao Minuto

Os Verdes acusam Cavaco de permanecer em “negação”

O partido Os Verdes acusou hoje o Presidente da República de permanecer em “negação” face ao resultado das últimas legislativas, reforçando os ecologistas a ideia de que “existem condições” para ser formado um executivo da iniciativa do PS.

“O Governo hoje empossado é um Governo que não tem condições para fazer passar um programa na Assembleia da República e, por isso, caso todos os partidos assumam as suas responsabilidades, este executivo será inviabilizado nos próximos dias 9 e 10 de novembro, dias para os quais está agendada a discussão do programa do Governo, sujeito a moções de rejeição já anunciadas”, dizem Os Verdes em nota enviada às redações.

Face ao discurso hoje proferido por Cavaco, os ecologistas consideram que o Presidente da República “continua em estado de negação no que respeita ao resultado eleitoral que levou o PSD e o CDS a perderem a maioria” parlamentar.

“Por mais que o Presidente da República não se conforme com esta nova correlação de forças políticas entre os 230 deputados, a verdade é que ela existe e inevitavelmente determinará a XIII legislatura”, prossegue o partido ecologista.

E continua a nota: “O PEV reafirma que existem condições para se formar um Governo da iniciativa do PS e para se criarem políticas em Portugal que contrariem o ciclo de empobrecimento, de precariedade e de desinvestimento fomentado pelo anterior Governo, políticas positivas para as quais os Verdes farão questão de dar o seu contributo, como é sua responsabilidade e compromisso sempre assumido”.

Pedro Passos Coelho foi hoje empossado primeiro-ministro do XX Governo Constitucional, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, durante uma cerimónia no Palácio da Ajuda, em Lisboa. Na cerimónia, o Presidente da República afirmou que o executivo de Pedro Passos Coelho tem plena legitimidade constitucional, reiterando que em 40 anos de democracia a responsabilidade de governar sempre coube a quem ganhou as eleições.

Nos próximos dias 9 e 10, o Governo apresentará o seu programa à Assembleia da República. PS, PCP e BE anunciaram a intenção de apresentar moções de rejeição que, a serem aprovadas, implicam a demissão do Governo.

Lusa, em Notícias ao Minuto

“Daqui a 15 dias és tu”, disse Mesquita Nunes a João Galamba

PS foi representado na tomada de posse do novo Executivo por João Galamba.

Nos momentos que antecederam a cerimónia de tomada de posse do novo Governo, Adolfo Mesquita Nunes cumprimentou o socialista João Galamba à entrada do Palácio da Ajuda, em Lisboa.

O breve cumprimento entre ambos foi presenciado por uma jornalista da RTP, que reproduziu a frase dita pelo secretário de Estado do Turismo ao líder da bancada do PS.
“Daqui a 15 dias és tu que subirás esta escadaria”, terá dito Mesquita Nunes a João Galamba.

Perante a divulgação desta informação, fonte do CDS reagiu assegurando que a frase terá sido formulada em forma de pergunta: “Daqui a 15 dias és tu que subirás esta escadaria?”. Fica a dúvida.

Notícias ao Minuto

Angola. A DIPLOMACIA SADO-MASO DE PORTUGAL

Posted: 30 Oct 2015 10:29 AM PDT

José Eduardo Agualusa – Rede Angola, opinião

Numa rápida passagem por Lisboa, o jornalista Rafael Marques aceitou participar num debate no Jornal das Oito, da TVI, na passada terça-feira, que contou também com a participação de um diplomata português cujo nome não ficará na História. O referido debate, editado, ou seja, não publicado na íntegra, tem circulado nas redes sociais, por iniciativa de círculos ligados ao regime angolano, como exemplo de uma suposta “sova” que o “traidor” Rafael Marques teria levado do diplomata português cujo nome não será recordado.

Fui assistir ao debate. O que vi foi outra coisa. Na verdade, o que vi deixou-me um tanto espantado, não obstante conhecer bem a tradição de submissão da diplomacia portuguesa perante o regime angolano.

O diplomata cujo nome não ficará na História insinuou que a justiça angolana funciona melhor do que a portuguesa, comparando o caso dos jovens democratas presos, com o do antigo primeiro-ministro português, José Sócrates. O entusiasmo do diplomata português na defesa das posições do regime angolano era tal que parecia estar ali como representante desse mesmo regime. Quem escutasse o debate desconhecendo a nacionalidade e o passado do referido diplomata, que, ao que parece, foi Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, ficaria convencido que o mesmo trabalha para a Embaixada de Angola. O diplomata cujo nome não será recordado chegou ao ponto de afirmar que, cito, “as violações dos direitos do homem tratam-se no Comité dos Direitos do Homem das Nações Unidas, não se tratam no Rossio.”

Juro! O homem disse realmente aquilo.

Gravei a conversa e voltei atrás para confirmar: “As violações dos direitos do homem tratam-se no Comité dos Direitos Humanos das Nações Unidas, não se tratam no Rossio.”

Disse mais, a concluir: “A diplomacia não se faz com estados de alma.”

A mim parece-me que, muito pelo contrário, a diplomacia tem de ser exercida com toda a alma, em todos os seus infinitos estados. Uma diplomacia desalmada não é nem diplomacia – é pura hipocrisia. Relações assentes em pura hipocrisia nunca resistem à dura prova do tempo.

Muito mais grave é a ideia de que os cidadãos não têm o direito de protestar contra as violações dos direitos humanos, onde quer que estas ocorram. Têm o direito e têm o dever. Entre outros objectivos, tais protestos servem para despertar do seu sono letárgico aqueles políticos e diplomatas que, nos estados democráticos, deveriam estar a lutar pelos direitos humanos, em todas as instâncias apropriadas, ao invés de defenderem ditadores e ditaduras.

Nesta diplomacia da submissão, em tudo idêntica a uma relação sado-masoquista, Portugal apanha, pede desculpa e finalmente agradece.

Os resultados da diplomacia desalmada de Portugal estão à vista. Basta ler os editoriais anti-portugueses do Jornal de Angola. Cito apenas o primeiro parágrafo do mais recente de todos:

“A cruzada anti-angolana já não pode ser ignorada. O nível que atinge a ingerência portuguesa nos assuntos estritamente angolanos só encontra paralelo em duas ocasiões: quando Angola proclamou a sua independência em 1975 e quando se aproximava a derrota da UNITA de Jonas Savimbi, antes de 4 Abril de 2002. Nesses dois momentos, a raiva cravada e sempre latente na sociedade portuguesa, pronta a declarar-se à mínima oportunidade, manifestou-se de forma prejudicial para as relações entre os dois países.”

O que eu vi, portanto, foi um homem íntegro, um homem de que todos os angolanos se podem orgulhar, Rafael Marques, defendendo os interesses do seu país e do seu povo. E vi um diplomata cujo nome a História não guardará, a defender – contra os interesses de Angola e de Portugal – uma ditadura à beira do fim.

Angola. TALENTOS E PROGRESSOS

Posted: 30 Oct 2015 10:17 AM PDT

Jornal de Angola, editorial

Costuma-se dizer que um país se faz com homens e livros. A valorização do capital humano é nos dias de hoje uma necessidade incontornável. Sem capital humano de elevado valor não poderemos atingir o progresso.

O investimento no sector da Educação constitui pois uma opção que deve ser uma das grandes prioridades de qualquer país que prossiga o aumento do nível de desenvolvimento humano. O processo de construção de desenvolvimento passa por uma educação de alto nível, que proporcione a formação de quadros altamente qualificados.

Os países que apostaram na educação e que valorizam os seus quadros têm tido resultados positivos ao nível dos vários sectores produtivos. Com quadros bem formados, pode-se ter no país boas empresas, públicas ou privadas, e boas instituições do Estado.

Felizmente, já temos no país mais de uma dezena de estabelecimentos de ensino superior que todos os anos formam várias centenas de quadros. É certo que a quantidade de quadros formados e que saem anualmente das universidades e de outras escolas superiores é animadora, mas temos de começar a olhar para a qualidade.

A qualidade do nosso ensino é assunto que continua a suscitar preocupação das nossas autoridades, em particular as que estão ligadas à Educação. E ainda bem que há esta preocupação, uma vez que o que todos nós pretendemos é que haja no país quadros nacionais capazes de resolver os problemas da sociedade. Que não haja apenas a preocupação de se formar um grande número de quadros. Que as universidades e escolas superiores tenham também a preocupação de licenciar para o mercado de trabalho quadros bem formados para que estes tenha oportunidade de conseguir emprego e ao mesmo tempo contribuir para potenciar em termos produtivos vários sectores da actividade económica. A economia desenvolve-se também se contar com capital humano que seja empreendedor e inovador.

É preciso pois que haja atenção em relação aos nossos talentos que saem do ensino médio e superior. As empresas que são um segmento indispensável para alavancar a economia devem estar também focadas nos melhores quadros que são formados pelas nossas instituições de ensino médio e superior. É preciso que se crie a cultura de as empresas interagirem com os estabelecimentos de ensino para poderem, se for caso disso, recrutar e seleccionar quadros que possam contribuir para o desenvolvimento de unidades de produção de diversa natureza.

Estamos envolvidos num processo de diversificação da economia, que se deve fazer com quadros qualificados. Diversificar a economia implica a existência de quadros qualificados em várias áreas do saber, porque são vários os sectores produtivos a desenvolver.

É pois pertinente que se descubram e se valorizem os talentos que temos no país. A classe empresarial deve ser activa neste processo de descoberta de talentos para que estes possam servir a produção , em termos de qualidade e quantidade.

Era bom que as empresas se preocupassem em estabelecer parcerias com estabelecimentos de ensino, para que possam absorver os “cérebros” para os seus projectos produtivos, o que resultaria em benefício para toda a sociedade. Há no país pessoas com competências e habilidades capazes de ajudar empresas a ter bons resultados.

Sabe-se que nem tudo vai bem no nosso ensino, em termos de qualidade, mas isso não deve impedir que as unidades produtivas estabeleçam uma cooperação com instituições escolares, com o objectivo de se identificarem os quadros que podem ajudar a consolidar projectos empresariais.

Há hoje no país uma grande comunidade estudantil ao nível do ensino médio e superior, ao mesmo tempo que vai aumentando o número de empresas. As empresas, se tiverem actividade produtiva, podem tornar-se grandes empregadoras, com capacidade para admitirem quadros médios e superiores que se formam em diferentes regiões do país. As instituições de ensino médio e superior devem estar atentas ao processo de diversificação da economia e estarem alinhadas com as necessidades dos nossos sectores produtivos.
As instituições de ensino não devem estar alheias ao que se passa ao nível da diversificação da economia. É o sector do Ensino que vai proporcionar à produção quadros para que sejamos auto-suficientes em vários produtos, evitando-se a importação do que podemos produzir internamente.

A auto-suficiência em banana é um bom incentivo para produzirmos cada vez mais noutras áreas. Somos sim capazes de produzir no nosso próprio país muitas coisas e até de ter excedentes para exportar. O que é preciso é trabalho, muito trabalho, a fim de construirmos o bem-estar. O progresso constrói-se com trabalho. Não temos outra alternativa. Se trabalharmos intensamente, havemos de viver melhor. O nosso empresariado tem , no quadro da diversificação da economia, uma grande oportunidade de mobilizar talentos, para que os seus projectos sejam rentáveis e duradouros.

O LABORATÓRIO AFRICOM – VIII

Posted: 30 Oct 2015 10:03 AM PDT

Martinho Júnior, Luanda

Os relacionamentos dos Estados Unidos para com Angola, espelharam sempre a dialéctica entre os“lobbies” internos de suporte aos republicanos e democratas, articulados a conexões de carácter elitista em África.

Os republicanos têm-se mantido sobretudo suportados pelos “lobbies” do armamento e do petróleo, enquanto os democratas têm vínculos com o apoio sobretudo do “lobby” dos minerais.

Essa dialéctica financeira e sócio-política norte-americana, é imprimida em função dos interesses da aristocracia financeira mundial, assim como de suas ligações e conexões espalhadas pelo mundo, África incluída.

Desse modo os Estados Unidos garantiram sempre uma interpretação dos fenómenos “no terreno”que permitia uma síntese-analítica em relação a Angola que se baseava na observação duma íntima correlação entre os fenómenos de natureza físico-geográfico-ambiental (petróleo, gás e minerais incluídos) e as culturas humanas, sem perder de vista a inserção do país no contexto e nas conjunturas regionais, tendo em particular atenção os interesses norte-americanos na África do Sul e no Zaíre.

Em 1975 a administração Ford seguia a estratégia de Henry Kissinger para Angola, dissonante dos interesses das multinacionais do petróleo anglo-saxónicas instaladas em Angola e isso apesar do Presidente Agostinho Neto ter garantido a continuidade desses interesses, assumindo a sua segurança em relação às instalações e aos seus perímetros externos.

Desde então, derrotados em 1975 os etno-nacionalismos apoiados pela CIA, por Mobutu e por Botha, o “lobby” dos minerais foi determinante para a contínua agressão das SADF a Angola e pela trajectória de Savimbi, a coberto do “apartheid” (até 1992) e, posteriormente, a coberto de Mobutu (de 1992 a 2002).

Os interesses no ouro, na platina e nos diamantes, instrumentalizando o cartel dos diamantes, referiam-se ao histórico elitista oxfordiano de Cecil John Rhodes, espelhado então pela Anglo American, como pela De Beers sob a batuta do clã Oppenheimer, o que era tido como factor principal na abordagem dos interesses capitalistas para com Angola.

A exploração sem limites de mão-de-obra negra na África do Sul, respondia aos interesses do“apartheid” tal como a “guerra de fronteiras” por parte das South Africa Defence Forces instaladas no norte da Namíbia.

Posteriormente a riqueza mineral do Congo, outro grande produtor de diamantes, garantiu os laços indispensáveis, quer para “ter na mão” Mobutu, quer Savimbi, algo que para muito contribuiu Maurice Tempelsman, (de acordo com Janine Farrell Roberts no seu livro “Blood Stained Diamonds” e em intervenções em suporte da Congressista Cynthia McKinney, ela própria muito crítica em relação às políticas norte-americanas em África).

O “lobby” dos minerais interessava-se pelo miolo de África, “do Cabo ao Cairo”, pelo que Savimbi aninhava-se perfeitamente ao regime do “apartheid” (desde a “Operação Madeira” a 1992), à sombra do qual fez evoluir sua máquina de guerra, enquanto foi possível às SADF equacionarem a“guerra de fronteiras” a partir do território da Namíbia ocupada, durante quase toda a década de 80 do século passado.

As vantagens de Savimbi eram tão evidentes nessa altura, que até a administração republicana de Ronald Reagan, que estreou conceitos neo liberais na sua orientação, considerou Savimbi, a par dos contra da Nicarágua e de Bin Laden no Afeganistão, um privilegiado “freedom fighter”…

Quando a Namíbia se tornou independente, Savimbi (profundamente conhecedor das características físico-geográfico-ambientais do país), perdia a sua base de retaguarda no Sudeste de Angola e teve de mudar entre 1991 e 1998, seu sistema de apoio externo para o Zaíre de Mobutu (onde pontificava Maurice Tempelsman uma entidade incontornável dos diamantes ligado ao cartel) e mais tarde para a Zâmbia, de onde continuou a saga definida previamente sobretudo pelo cartel dos diamantes.

Perdeu a bacia do Okawango, para ganhar as bacias ricas de diamantes aluviais do Kwango, do Kassai e do Kwanza!

Em “Jonas Savimbi, combats pour l’Afrique et la démocratie” (“Demain l’UNITA”), escrito com a fiel colaboração do professor togolês da Sorbonne III, Atsoutsé Kokouvi Agbobli, a geo estratégia e a ideologia dos interesses do “lobby” dos minerais era explicada: Savimbi assumia a base de apoio dos “autóctones” contra os “crioulos”, do “interior” contra o “litoral”, dos “autênticos nacionalistas pan-africanos”, contra a “cultura lusitana sinónimo de discriminação racial”, de “nacionalistas autênticos” contra a “coalizão perpetuando dominação colonial e racial”, a dialéctica possível para quem, sem abdicar no fundo dum etno-nacionalismo sectário, começou a catapultar as suas acções a partir da retaguarda na Zâmbia e no Zaíre da “autenticité”.

Desse modo, as bacias hidrográficas carregadas de diamantes aluviais do Kwango, do Kassai e do Kwanza, tornar-se-iam sua obsessão, pois era a partir dos seus recursos que ele implementaria sua última saga de guerra, enquanto instalava seu Quartel-General no Andulo, próximo do centro geográfico de Angola e no perímetro da região central das grandes nascentes.

O “alvo a abater” era a própria identidade angolana em formação, o manancial humano de sustentação do MPLA, com população concentrada precisamente num triângulo com base no litoral e vértice na região central angolana das grandes nascentes, onde, longe das fronteiras, a angolanidade se demarcava da amálgama sócio-cultural e sócio-política do continente e por tabela dos Congos.

A saga do cartel dos diamantes, uma componente importante do “lobby” dos minerais, foi ainda possível enquanto Mobutu se manteve sem grandes contrariedades no poder em Kinshasa, todavia, quando a partir dos Kivus a rebelião de Laurent Kabila crescia, apoiada pelo Uganda e o Ruanda, já na década de 90, a geo estratégia desse “lobby” foi obrigada a “revisão”, até por que a ascensão de Paul Kagame no Ruanda tinha a alavanca desse “lobby” com evidência na administração democrata de Bill Clinton, um “rodes schollarship” que antes havia sido Governador do único Estado norte-americano produtor de diamantes, o Arkansas…

Se a “revisão” do contexto angolano foi feita pelos democratas, na sequência da ascensão de Paul Kagame e do declínio evidente de Mobutu, (uma “revisão” que implicou o reconhecimento político-diplomático de Angola), Savimbi persistiu na “guerra dos diamantes de sangue”, interpretando de forma errada o reconhecimento de Angola por parte dos Estados Unidos, precisamente durante a administração democrata de Bill Clinton.

Nesses termos Savimbi, sem se aperceber dos sinais de declínio, que alicerçou seu poder na exploração desenfreada de diamantes aluviais nas bacias do Kwango, do Kassai e do Kwanza, apostava tudo na confrontação contra um governo que era obrigado a ter no petróleo seu principal sustentáculo económico e financeiro, ou seja, chocou frontalmente com os interesses do “lobby” do petróleo em Angola, precisamente no litoral, quando atacou o Soio.

Essa situação foi imediatamente compreendida pelo sistema de interesses republicanos nos Estados Unidos e dos seus aliados conservadores e ultraconservadores da NATO (particularmente na Grã Bretanha e na França), o que permitiu ao governo angolano de então, recrutar a “Executive Outcomes” a fim de passar ao contra-ataque, reforçando a capacidade de intervenção das FAA dentro e fora das fronteiras (nos dois Congos).

Com a extinção das gloriosas FAPLA, as FAA estavam nessa altura ainda longe de atingir as capacidades ao nível da ameaça de Savimbi, quando atacou o Soio e dominava nos ricos vales pejados de diamantes aluviais do Kwango, do Kassai e do Kwanza.

O “lobby” do armamento, do petróleo e do gás nos Estados Unidos, por via dos republicanos, não perdeu mais de vista as vantagens conseguidas no terreno pelas FAA e aproveitou-as para as suas conexões e ligações ao governo angolano, influenciando por outro lado na diplomacia envolvente, nomeadamente em relação ao quadro de conversações, como na direcção do Golfo Da Guiné, dos Congos e dos Grandes Lagos.

Esse ambiente foi provocando na UNITA um inexorável desgaste, que começou, entre outros fenómenos sócio-políticos internos e externos, com o afastamento cada vez maior a Savimbi, por parte de seus quadros, dentro e fora do espaço nacional.

Por razões de sua própria sobrevivência e “mandando para as urtigas” a ideologia de combate de Savimbi, muitos militantes da UNITA refugiavam-se no litoral abandonando o interior, contribuindo para o rápido crescimento de concentrações urbanas como Luanda e o “complexo”Benguela-Catumbela-Lobito, evidenciando o potencial do fortalecimento da angolanidade (que nos permite hoje fazer o exercício fundamental de unidade na diversidade).

A situação da “orfandade” angolana, serviu de base para os republicanos se decidirem, quando ascendeu George W. Bush ao poder, a lançar um programa ousado em direcção a África (a Angola, ao Golfo da Guiné e aos Grandes Lagos), tirando partido da cultura de responsabilidade em relação ao petróleo alicerçada pelos dois Presidentes angolanos, António Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos.

O “petróleo para o desenvolvimento” em África tornava-se assim num engodo que possibilitava a criação do AFRICOM, precisamente na mesma altura em que Savimbi, em Fevereiro de 2002, pagava com sua própria vida a teimosia mal-avisada de sua persistente actuação, esgotados os apoios do “lobby” dos minerais, fragilizada sua base humana de apoio dentro e fora do território nacional e estando decidido o “processo Kimberley”, que evitava os “diamantes de sangue”!

A 26 de Fevereiro de 2002 o Presidente José Eduardo dos Santos visitou oficialmente os Estados Unidos e, com os Presidentes do Botswana e de Moçambique, foi recebido na Casa Branca por George W. Bush.

O poderoso Corporate Council on Africa, com o apoio da ExxonMobil, da ChevronTexaco, da BP e da Ocean Energy, com a presença de Maurice Tempelsman, Walter Kansteiner e de outras entidades ligadas aos negócios de petróleo e diamantes em Angola, recebeu com pompa e circunstância num jantar e nesse mesmo dia, o Presidente angolano.

O fim da “Iª Guerra Mundial Africana” tornou propício o plano de ofensiva em relação a África, por parte da administração republicana de George W. Bush e importantes sectores conservadores do espectro sócio-político norte-americano seriam chamados para a gestação, no berço, do AFRICOM, a par da implementação duma “nova era” de relações entre os Estados Unidos e Angola, mesmo assim, por razão do carácter sócio-político típico do capitalismo nos Estados Unidos da América e tal como eu sempre sustentei com base nas leituras fundamentadas em vários desenvolvimentos em África, não livres de futuras ambiguidades, manipulações e ingerências!

Os norte-americanos sempre estiveram longe da fermentação do Movimento de Libertação em África, sempre tiveram dificuldades em compreender as motivações africanas, a razão histórica profunda de elas existirem, as aspirações legítimas e visionárias e isso foi, é e será uma enorme dificuldade para, garantindo independência e soberania, continuar o rumo de Angola na longa batalha contra o subdesenvolvimento!

Fotos:
– 1 – Foto do Presidente angolano no Corporate Council on Africa, a 26 de Fevereiro de 2002, quando proferia a sua intervenção;
– 2 – Savimbi “freddom fighter” de Ronald Reagan, um apogeu transitório e efémero sob a articulação do “lobby” dos minerais; foto do encontro de Ronald Reagan com Savimbi, a 30 de Janeiro de 1986;
– 3 – Capa do livro de Savimbi, compendiado pelo professor da Sorbonne III, o togolês Atsutsé Kokouvi Agbobli.

A consultar:
– Breve monografia angolana – http://5—breve-monografia-angolana.blogspot.com/
– General Beto Traça – histórias da guerrilha do MPLA – http://www.opais.net/pt/opais/?id=1647&det=1473&mid=322
– Portugal deixou a PIDE colaborar com apartheid – Óscar Cardoso – http://www.angonoticias.com/Artigos/item/42856/portugal-deixou-a-pide-colaborar-com-apartheid-oscar-cardoso
– Operação secreta lançou a guerra suja – http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/operacao_secreta_lancou_a_guerra_suja
– UNITA pagou abastecimentos com três mil toneladas de marfim – http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/unita_pagou_abastecimentos_com_tres_mil_toneladas_de_marfim
– Jamba foi centro de droga – http://jornaldeangola.sapo.ao/reportagem/jamba_foi_centro_de_droga
– Angola Rebel To Lobby Washington – http://articles.chicagotribune.com/1986-01-28/news/8601070771_1_rebel-leader-jonas-savimbi-military-aid-angola
– Fowler Report – http://en.wikipedia.org/wiki/Fowler_Report
– UNITA: The Battle in Angola
Freedom vs. Communism – http://www.conservativeusa.org/angola.htm
– Jonas Savimbi – http://en.wikipedia.org/wiki/Jonas_Savimbi
– Combats por l’Afrique et la démocratie – http://www.amazon.com/Combats-lAfrique-D%C3%A9mocratie-Entretien-Atsuts%C3%A9/dp/2828905551
– Atsutsè Kokouvi Agbobli – http://www.agbobli.org/atsutse_kokouvi_agbobli.php
– As missões estratégicas para a paz no continente – http://jornaldeangola.sapo.ao/20/0/as_missoes_estrategicas_para_a_paz_no_continent
– O vale do Cuango – http://pagina–um.blogspot.com/2011/01/o-vale-do-cuango.html
– Bill Clinton – http://www.biography.com/people/bill-clinton-9251236#in-recent-years
– Is Bill Clinton A Descendant
Of Cecil Rhodes? – http://www.rense.com/politics6/rhodes.htm
– Maurice Tempelsman – http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Tempelsman
– Basta de matanzas y saqueo en el Congo – http://www.inshuti.org/extracto.htm
– Walter Kansteiner III – http://rightweb.irc-online.org/profile/Kansteiner_Walter_III; http://www.sourcewatch.org/index.php/Walter_Kansteiner
– Congresswoman Cynthia McKinney – http://muhammadfarms.com/covert_action_in_africa.htm
– Discurso do Presidente sobre o estado da nação (15 de Outubro de 2010) – http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/politica/2010/9/41/Discurso-Presidente-sobre-estado-nacao,a2f97d55-7f2b-40f2-98a2-daf624e4c00a.html
– O MUNDO SOB A DOUTRINA BUSH E A GLOBALIZAÇÃO – http://www.escolagabrielmiranda.com.br/hotpot/8serie/texto8.htm

General brasileiro que defendeu “luta patriótica” foi exonerado e muda de cargo

Posted: 30 Oct 2015 09:50 AM PDT

O general brasileiro Antonio Hamilton Martins Mourão, que defendeu a “luta patriótica” como solução para a crise política, foi exonerado do cargo no Comando Militar do Sul e colocado num lugar mais burocrático, na Secretaria de Economia do Exército.

A exoneração, com data de quinta-feira, foi divulgada hoje pela imprensa local. Na prática, a mudança de cargo deixará o oficial sem contactos diretos com efetivos militares.
Em setembro, o general Martins Mourão criticou o governo durante um encontro com oficiais da reserva em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, sul do país, em que defendeu a “luta patriótica”.

“Neste momento de crise, toda consciência autónoma, livre e de bons costumes precisa despertar para a luta patriótica, contribuindo para o retorno da autoestima nacional, do orgulho de ser brasileiro e da esperança no futuro”, disse então o general, citado pelo portal de notícias G1.

Em entrevista ao G1, Martins Mourão afirmou que, com “luta patriótica”, se estava a referir ao “esforço e empenho de todos os patriotas no sentido de sobrepujar a crise”.

FYB // EL – Lusa

Brasil. NÉSTOR, LULA E O SEGUNDO TURNO

Posted: 30 Oct 2015 08:55 AM PDT

As campanhas do segundo turno, pela experiência brasileira, têm sido decisivas para as vitórias eleitorais na direção de uma sociedade mais humana.

Emir Sader – Carta Maior, em Blog do Emir

Estavamos na campanha do segundo turno, em 2010, quando fomos fulminados pela noticias da morte de Néstor Kirchner. Lula correu a representar a todos nós, quando nossos corações se voltavam para Néstor, para todos os argentinos e para a Cristina, em particular

Sabíamos tudo o que o Nestor representava, como ele foi fundamental para, junto com Lula e Hugo Chávez, lançar o processo de integração regional e fechar definitivamente o caminho para a ALCA. Sabíamos como Néstor foi fundamental para o resgate da Argentina da pior crise da sua história.

Sabemos agora, 5 anos depois, como a morte do Néstor – junto as comemorações do bicentenário da independência da Argentina – forma marcos para a emergência de uma nova geração de jovens militantes, que hoje anima as lutas populares na Argentina.

Estávamos no segundo turno das eleições presidenciais no Brasil – assim como agora a Argentina enfrenta essa circunstância, pela primeira vez -, quando Lula nos surpreendeu dizendo que “é sempre melhor ganhar no segundo turno, porque a contraposição de posições é mais clara, assim como o presidente é eleito com mais apoio.”

Nos parecia um consolo, uma racionalização para nossa incapacidade para ter trinfado no primeiro turno em 2002, em 2006, em 2010 – e, agora, em 2014. Mas depois nos convencemos de que há uma lógica política importante nessa afirmação de Lula. No primeiro turno – no Brasil, na Argentina e em outros países da região – há uma proliferação de candidatos, de posições, que dificultam a compreensão dos grandes dilemas colocados para as nossas sociedades.

Foi fundamental para o triunfo de Lula em 2006, de Dilma em 2010 e e 2014. Os dilemas centrais das nossas sociedades se dão em torno da manutenção ou da superação do neoliberalismo. Não por acaso os países da região que começaram a empreender o caminho da superação desse modelo – privilegiando as políticas sociais, a integração regional e o resgate do papel do Estado – avançaram no combate à pobreza e à miséria, na afirmação da soberania nacional, da auto-estima das pessoas. O contrário acontece com os países que mantém o modelo centrado nos ajustes fiscais, na centralidade do mercado, no livre comércio.

No segundo turno as alternativas econômicas e o papel das políticas sociais se tornam centrais no debate dos dois candidatos e nas suas posições. Em geral os candidatos da direita tratam de esconder os fundamentos da sua política econômica, afirmando inclusive que vão manter os avanços sociais conseguidos pelos governos progressistas. É fundamental explicitar nos debates do segundo turno a contradição entre essa promessa e os fundamentos da sua proposta econômica.

No Brasil, na eleição de 2014, apesar de prometer que manteriam as políticas sociais dos governos do PT, os candidatos da oposição faziam afirmações tais como que “A economia não cresce porque o salário mínimo é muito alto”(sic), “Dos bancos públicos não vai sobrar quase nada” (como se as politicas sociais pudessem ser implementadas por bancos privados), como alguns exemplos do desmascaramento das contradições e das verdadeiras intenções dos candidatos da direita.

Além de que, no segundo turno tem sido possível sempre fazer grandes atos de mobilizações de artistas, intelectuais, movimentos sociais, forças de esquerda em geral, em torno das duas grandes alternativas das nossa sociedades países – avançar na superação do neoliberalismo ou o retrocesso brutal nos planos econômico, político, social e cultural, com a repressão correspondente.

As campanhas do segundo turno, pela experiência brasileira, têm sido decisivas para as vitórias eleitorais, para evitar os retrocesso e para avançar na continuidade e no aprofundamento dos processos de construção de sociedades mais justas, mais solidárias, mais humanas.

Brasil. OPERAÇÃO: ZELOTES. ALVO: LULA

Posted: 30 Oct 2015 08:47 AM PDT

Não se tem notícia de nenhuma ação espetacular da PF nas empresas, bancos e grupo de mídia que cometeram um rombo de mais de R$ 19 bilhões. O alvo é o Lula

Jeferson Miola – Carta Maior

A Operação “Zelotes”, uma alusão da Polícia Federal ao “deus cioso”, investiga um esquema de corrupção no âmbito do CARF [Conselho Administrativo de Recursos Fiscais]. O CARF é o órgão público que recebe e julga recursos de contribuintes – pessoas físicas e empresas – relativos a pendências e dívidas fiscais e previdenciárias.

O CARF é composto por 216 conselheiros, dos quais metade são auditores fiscais concursados da Receita Federal, ou seja, funcionários de carreira. A outra metade é formada por pessoas indicadas por confederações e entidades de classe que “representam os contribuintes” – leia-se, o influente grande capital empresarial, midiático e financeiro.

É importante sublinhar que dentre os conselheiros estatais, todos são funcionários concursados; nenhum deles é um dos 3.000 cargos de confiança [daqueles que podem ser indicados legalmente pela autoridade eleita] que serão extintos pela inócua decisão “austericida” do governo. De maneira explícita: nenhum deles foi indicado pelo PT.

É dispensável discorrer sobre os conselheiros “voluntários”, indicados pelos “contribuintes” – são seres “altruístas”, não recebem remuneração, se dedicam “espontaneamente” a este labor. As más línguas dizem, todavia, que eles não recebem do CARF porque são antes pagos pelas empresas, para defenderem os interesses delas na fraude contra o Estado.

Bem, o fato é que a Operação Zelotes investiga a associação formada por mega-empresas com funcionários públicos para a prática do crime de sonegação fiscal e previdenciária. De acordo com estimativas iniciais, somente nos últimos 8 anos [esqueçamos a pilhagem praticada por eles em 507 anos], esta associação criminosa lesou o erário em mais de 19 bilhões de reais, igual à metade do déficit do orçamento de 2016.

Empresas luminares em termos de eficiência, produtividade e modernidade; justamente aquelas que sempre querem dar aulas de boa prática de gestão ao Estado, estão entre as mencionadas no noticiário: Gerdau, Santander, Bradesco, RBS, Bank Boston, Safra, Pactual, FORD, Mitsubishi etc.

Tratam-se de empresas que apregoam a primeira lição da cartilha da “eficiência e da produtividade”, que começa com a tese de Estado-mínimo para a maioria da população e Estado-máximo para eles. Não é nada difícil presumir a fonte da eficiência e produtividade destas empresas “modelares” da modernidade do capitalismo, esse sistema tão “puro e limpo” que é contaminado pelo “mundo sujo da política”.

Pois bem, apesar da magnitude do escândalo que deveria ser investigado na Operação Zelotes, o condomínio policial-jurídico-midiático de oposição conseguiu a proeza de construir uma variante em paralelo: alegam supostas negociatas entre o governo Lula e a indústria automobilística para a aprovação de benefícios fiscais àquele setor. Na falta de qualquer elemento concreto contra Lula, não hesitaram em implicar nesta trama o filho dele.

Qual a alegação? Que a empresa de marketing esportivo pertencente ao filho do Lula, que foi criada em 2011 – portanto, 2 anos após a concessão de benefícios fiscais ao setor automobilístico – em 2014 [5 anos depois] recebeu 1,5 milhão de reais por serviços prestados a uma empresa envolvida nas fraudes no CARF. Qual o nexo entre a empresa do filho do Lula e a Zelotes? Nenhum, a não ser o fato de ser o filho do Lula.

O condomínio policial-jurídico-midiático mirou no filho de Lula para acertar no próprio Lula, coincidentemente na véspera do aniversário de 70 anos deste que, com sua obra, já é um dos maiores personagens da história do Brasil moderno.

Este método é parte de um plano estratégico de desconstrução, no imaginário popular, da imagem e do patrimônio simbólico que o Lula representa.

Antes, tentaram uma denúncia contra a nora de Lula, que também não colou. Agora, atacam com uma denúncia contra o filho do Lula. E, como esta armação também não vai vingar, passarão a atacar o bisneto, depois o tataraneto, até acabarem com todos os Lulas e tudo o que eles representam enquanto expressão de um Brasil mais justo e democrático.

Ao mesmo tempo, o “Ministro” Augusto Nardes [ex-deputado do PP], do “Tribunal” de Contas da União, cuja empresa de um sobrinho-sócio – essa sim citada por intermediação para o Grupo RBS no CARF –, segue sua cruzada militante pelo impeachment da Presidente Dilma.

Também não se tem notícia de nenhuma ação espetacular da Polícia Federal de busca e apreensão nos escritórios das empresas, bancos e grupo de mídia fraudadores. Aliás, apesar da cifra assombrosa, que é três vezes maior que o desfalque na Petrobrás, a Zelotes não andou porque o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, obstruiu a investigação por longo período, e teve de ser afastado do caso pela Corregedoria Nacional de Justiça para não continuar obstruindo as investigações. Agora, quando a Zelotes é finalmente retomada, de maneira curiosa o alvo da Operação não são os criminosos que cometeram um rombo de mais de 19 bilhões de reais ao erário, mas sim o Lula.

Neste 27 de outubro, Lula completou 70 anos de uma trajetória vitoriosa de vida. O condomínio policial-jurídico-midiático lhe presenteou outra dose amarga do ódio que nutre não só em relação a ele, Lula, mas pelo ódio nutrido em relação à maioria do povo brasileiro que ele, Lula, trouxe à superfície de uma vida digna.

Para eles, Lula não pode sobreviver; tem de ter ser morto, tem de ser aniquilado, porque ele não pode voltar em 2018!

Créditos da foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

OS CRIMINOSOS

Posted: 30 Oct 2015 08:20 AM PDT

José Soeiro – Expresso, opinião

Peter David Boone tem no currículo todos os pergaminhos académicos: doutorado em Harvard, é membro sénior de algumas das instituições mais cotadas no campo da economia, como a London School of Economics. O prestígio bastou-lhe para ser levado a sério. Colaborador em blogues e jornais, escreveu em 2010 uma série de artigos sobre a dívida portuguesa que tinham um único objetivo: provocar a desvalorização dos títulos da dívida, aumentando assim a taxa de juro das obrigações. Porquê? Porque isso daria a Boone centenas de milhar de euros de lucro.

O caso foi conhecido agora, porque o Ministério Público acusa-o do crime de manipulação de mercado e exige a devolução ao Estado português dos mais de 800 mil euros que ganhou com esta operação. Mas a realidade não é nova nem é uma surpresa. Em abril de 2011, quatro docentes universitários portugueses fizeram uma queixa ao Ministério Público, solicitando a abertura de um inquérito às agências de rating (como a Moodys, Standard & Poor’s e Fitch), as mesmas para as quais Boone trabalhava.

O processo acabou por ser arquivado mas vale a pena lembrar os fundamentos da ação, subscrita por mais de 12 mil pessoas. Em resumo: estas agências privadas que classificam os “riscos financeiros” associados à dívida dos países são parte interessada, porque os seus “ratings” influenciam a evolução de um mercado no qual atuam os fundos financeiros que são seus proprietários. Ou seja, a classificação que fazem não descreve uma realidade: condiciona-a, de modo a que possam tirar o máximo proveito. Estas agências são, além disso, opacas, abstendo-se de fazer declarações de interesses para ocultar o que as move. O próprio FMI considerou que as agências de rating “usam e abusam do poder que têm” e responsabilizou-as pelos custos do endividamento dos países.

Também Portugal foi vítima deste tipo de ataque especulativo. Foi ele, aliás, que criou as condições e o ambiente para que se aceitasse a intervenção da troika, justificada com um conjunto de outras mentiras descaradas, como a tese segundo a qual “não havia dinheiro para pagar salários nem pensões”, desmentida factualmente pelos valores de cobrança de IRS e IRC no primeiro semestre de 2011 (5,643 mil milhões de euros), valor mais do que suficiente para pagar salários (5,099 mil milhões de euros), ou pelo valor arrecadado em contribuições para a segurança social nesse período (6,634 mil milhões), superior à despesa em pensões (6,337 mil milhões), isto sem contar com o valor arrecadado por outros impostos, como o IVA (6,644 mil milhões). O resto foi o que vivemos e sabemos o que nos custou. Mas estas mentiras continuam a ser reproduzidas.

Durante a campanha eleitoral, as agências de notação decidiram anunciar que o rating da República passaria de “lixo tóxico” para um simpático “lixo” porque, ganhasse quem ganhasse, estava garantida uma “continuidade de políticas”. Depois da campanha, saudaram a reeleição da Direita e consideraram “improvável existirem grandes alterações de políticas” Como se vê, parece que as agências de rating estão a tentar manter a sua principal característica: serem uma fraude e fazerem julgamentos errados. Que não as podemos levar a sério, já sabíamos. Mas convém estarmos preparados. É certo que voltarão a atacar.

Portugal. GOVERNO EMPOSSADO

Posted: 30 Oct 2015 06:58 AM PDT

Pouco passava do meio-dia quando o Presidente da República deu posse a Pedro Passos Coelho para o segundo mandato como primeiro-ministro de Portugal. Paulo Portas foi reconduzido no cargo de vice-primeiro-ministro.

Pedro Passos Coelho foi empossado primeiro-ministro do XX Governo Constitucional, pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, durante uma cerimónia no Palácio da Ajuda, em Lisboa.

Pedro Passos Coelho assumiu o compromisso de honra de desempenhar “com lealdade” as funções de primeiro-ministro, quatro minutos após as 12:00, na cerimónia que decorre na sala dos embaixadores do Palácio da Ajuda.

Passos Coelho entrou pelas 12:03 na sala dos embaixadores, ao mesmo tempo que o presidente da Assembleia da República.

O auto de posse, lido pelo secretário da Presidência da República, foi assinado por Cavaco Silva.

O chefe de Governo é o primeiro membro do executivo a tomar posse, seguindo-se os 16 ministros e os 36 secretários de Estado, uma cerimónia conjunta de um executivo que tem queda pré-anunciada através da apresentação de moções de rejeição ao programa de Governo por parte de PS, BE e PCP.

Da maioria de esquerda no parlamento, saída das eleições de 4 de outubro, apenas o PS está representado na cerimónia, através do vice-presidente da bancada e membro do Secretariado Nacional João Galamba.

Assistem à cerimónia os membros do Governo cessante, tal como os representantes dos restantes órgãos de soberania e outras individualidades.

Desde que assume as funções de chefe de Estado (09 de março de 2006), esta foi a terceira cerimónia de posse de um Governo presidida por Cavaco Silva, tendo a primeira vez ocorrido em outubro de 2009 com o segundo executivo liderado por José Sócrates, e a segunda em junho de 2011 na primeira vez que empossou Passos Coelho.

TSF

GRANDE CIRCO DA AJUDA FAZ PARAR PORTUGAL

Posted: 30 Oct 2015 08:30 AM PDT

Bocas do Inferno

Mário Motta, Lisboa

O circo no Palácio da Ajuda teve inicio ao meio-dia e já decorreram 40 minutos da cerimónia circense da posse do governo de Cavaco Silva com o elenco possíveis de palhaços, feras, equilibristas, ilusionistas, trapalhões, domadores etc. Destacado, no lugar de honra está o palhaço-rico. Os palhaços pobres, assim agora definidos, o povo, assiste pelas televisões a demorada cerimónia de posse deste elenco que dizem ser governamental.

Um elenco vasto que jura por uma honra que não demonstraram alguma vez possuir e cumprir com lealdade as funções para que foram nomeados. Na posse olham num curto espaço de tempo para o palhaço-rico que lhes retribui um esgar manhoso que julga corresponder a um sorriso de simpatia mas não passa de uma careta adequada ao ambiente circense que reina por todo o espaço. Como deve. Se não, a impossibilidade de poderem dizer que foram ao circo, que são o circo, era flagrante.

PALHAÇO-RICO DÁ UMA CAMBALHOTA

Foi um momento em que nem as moscas do Grande Circo da Ajuda se atreveram a zunir. Poisaram, ali, quietinhas, nas carecas dos doutores referidos por António Aleixo, um algarvio plebeu de Loulé, lá para os lados do Palhaço-Rico.

Foi nesse silêncio, sem aplausos, que o palhaço-rico deu uma grande cambalhota e afirmou que não há excluídos – quando anteriormente havia afirmado o contrário e, por assim dizer, excluía um milhão de portugueses eleitores. Amansou, ensandeceu a retórica ditatorial e agressiva que usara antes. Como que a preparar-se para a próxima atuação ali no Palácio Ajuda, na posse de novo governo e respetivo discurso de posse. Será ali que os portugueses assistirão ao Palhaço-Rico engolir as feras do circo com todo o fastio que já se lhe nota. Engolirá os elefantes, as hienas, as cobras, os jacarés… Uma imensa fauna selvagem que engordou escandalosamente nestes últimos quatro anos, como demonstram as estatísticas.

PALHAÇOS COM TACHOS A PRAZO

Os artistas do circo investido hoje pouco tempo vão atuar, mesmo assim de modo contido. O contrato entre eles e o Palhaço-Rico é a prazo, pelo que os seus tachos também o são. O Palhaço-Rico, a quem também chamam O Padrinho, sabe-o bem. Hoje revelou esses indicadores a pesarem na sua conspurcada consciência de ignorar os miseráveis e famintos de Portugal. Mais de dois milhões e meio deles, a que doutos sapientes destinaram etiquetar, com sofisma, de “em risco de pobreza”. Como em risco, se já são tão pobres?

São exatamente estes e outros palhaços, uns a que chamam novo governo, há pouco mais de uma hora empossados, que fabricaram tantos “em risco de pobreza”. Leia-se pobres. Miseráveis. Desesperados. São esses fabricantes que agora estão a prazo. Um curtíssimo prazo. Para desagrado, contrariedade e grande desgosto do Palhaço-Rico.

ESPERANÇA

Melhores dias surgirão, espera-se. Os velhos na miséria deixarão de se suicidar, os famintos deixarão de o ser, o número de desempregados diminuirá, as garantias de melhores condições sociais serão postas em prática, a exclusão e a miséria serão combatidas… Essa é a esperança que os portugueses querem ver tornada realidadade. Algo que o Grande Circo da Ajuda de hoje não deu mostras de pretender (mentem sempre) mas sim de apostar na continuidade das políticas que protegem as máfias que lhes proporcionam sustentabilidade exclusiva com tachos aqui e ali, com corrupção – que nem uma palavra merece nos seus discursos, como se fossem “fenómeno” inexistente – com injustiças sociais inadmissíveis.

Um conselho: começem a levantar a tenda. Esse circo nunca alegrou nem alegra ninguém. É de uma tristeza para milhões e de gáudio, alegria e bem-estar só para um número muito restrito de portugueses. Os da seita do Palhaço-Rico e pouco mais.

Portugal. UMA SEMANA E MEIA

Posted: 30 Oct 2015 04:32 AM PDT

João Quadros – Jornal Económico, opinião

Tal como tinha previsto aqui neste local, faz hoje uma semana, Cavaco indigitou Passos e, num acesso de raiva, passou o BE e o PCP para a clandestinidade.

Tal como tinha previsto aqui neste local, faz hoje uma semana, Cavaco indigitou Passos e, num acesso de raiva, passou o BE e o PCP para a clandestinidade. Provavelmente, voltaremos a ouvir o PR de alguns portugueses aquando da cerimónia de tomada de posse do XX para vir dizer aos portugueses que a coligação de direita está sólida; confirmando, assim, que depois são mais 15 dias até ao Governo cair. Depois do discurso de indigitação de Passos, Cavaco Silva transformou-se na Pinhata da Nação.

Este “novo” Governo de Passos e Portas é como o meu frigorífico: cheio de iogurtes e leite na semana em que estão os miúdos, tudo para deitar fora na semana seguinte. Vão ser apenas quinze dias mas vai ser inesquecível. Basta ver o que aconteceu na eleição de Ferro Rodrigues para PAR. Quase que houve bulha. Vai ser melhor do que ver a bola. Finalmente, vale a pena ver o canal Parlamento.

Quanto ao Executivo “zombie” de Passos, para começar, parece-me que é claramente melhor que o anterior. Um Governo que, à partida, exclui Crato, Pires de Lima e Paula Teixeira da Cruz, é porque passou a ter mínimos (ou balão). Também me parece bem ter aumentado o número de ministros, mas o CDS ter ficado com os mesmos que tinha. É claramente Passos a dizer ao número 2: “até posso meter aqui quarenta mil e infinitos ministros que tu não passas de onde estás, velhinha”.

Já vou escrutinar este XX mas, se eu fosse o Passos, pelo menos tinha feito um Ministério dos Pobres e Oprimidos só para dizer que a esquerda o deitou abaixo. Ficava com esse quentinho.

Olhando para os novos nomes do Executivo, o meu favorito é Fernando Mimoso Negrão. Acho Mimoso Negrão um nome espectacular; soa a “soft porno”. Não é tão bom como o do ex-treinador Rolão Preto, mas era uma boa dupla de polícias porno. Não fazia ideia que o Fernando Negrão era Mimoso. É verdade que fez ali um bocadinho de birra quando viu o Ferro no lugar que era para ele, segundo a tradição. Se tivesse dúvidas que o Governo só ia durar quinze dias, bastava-me ver o Fenando Negrão no Governo para ter a certeza, porque o Mimoso Negrão é um grande pé frio. Quando está quase a ter um emprego porreiro, pumba. Também não fazia ideia que o Mota Soares é Russo, não sei o Aníbal vai aceitar.

Confesso que dá um certo prazer conhecer melhor este Governo porque dá ainda mais noção do que nos livrámos. Olhamos para eles como se fosse a feijões. Não fosse sabermos que é só meia dúzia de dias, já todos tínhamos entrado em depressão só de imaginar o que seriam quatro anos deste “novo” ministro da saúde, que parece que foi acampar para Chernobyl. Há que reconhecer que, pelo menos, Passos Coelho tem escolhido ministros da saúde que não fazem inveja aos doentes.

Nos nomes “novos”, destaco, no Ministério das polícias, Calvão da Silva, conhecido benemérito responsável pelo parecer que atestou da idoneidade do Salgado, o que faz dele a única pessoa naquele Governo que leva mala para mais de quinze dias. Calvão da Silva foi o homem que justificou o cheque de 14 milhões que Salgado recebeu, de um conhecido construtor, como “uma prenda”. Portanto, eu sei que são só quinze dias, mas convém estar com atenção, não vá o ministro Calvão fazer anos duas vezes nestas semanas.

Portugal. SERÁ ESTE O GOVERNO MAIS CURTO DA DEMOCRACIA?

Posted: 30 Oct 2015 04:12 AM PDT

Até agora, o recorde está em 86 dias. O executivo de Passos Coelho toma posse esta sexta-feira.

Esta sexta-feira, ao meio-dia, no Palácio da Ajuda, quando Pedro Passos Coelho repetir o juramento feito há quatro anos, começam a contar os onze dias para a prometida rejeição parlamentar do programa, já agendada para o dia 10 de novembro.

Assumem funções ministros e secretários de estado, mais do que no anterior governo de Passos Coelho. Há pastas novas, caras novas… mas poderes iguais.

Ou seja, quando o governo de gestão das últimas semanas, ceder o poder ao novo governo que toma posse sexta, vai continuar a ser um governo de gestão. Jorge Miranda, não tem, a esse propósito, nenhuma dúvida. O constitucionalista explica que o novo executivo não vai poder tomar “decisões políticas fundamentais”.

O novo executivo tem prazo de validade definido pela oposição mas a incerteza quanto ao cenário seguinte ainda não permite ainda catalogar este como o mais curto da história da democracia portuguesa.

Até hoje, esse rótulo pertence a uma governo de iniciativa presidencial – logo não eleito -, que foi liderado por Nobre da Costa. Durou 86 dias, desde a posse à exoneração.

E na altura, como agora, logo na discussão do programa de governo ficou traçado o destino.

Ainda estava fresco o divórcio, no II Governo Constitucional, entre o PS de Mário Soares e o CDS de Freitas do Amaral. Ramalho Eanes, então presidente, chamou Nobre da Costa para liderar o executivo.

O chumbo do programa de governo ditou a exoneração, poucos meses depois; seguiu-se outro executivo liderado por Mota Pinto, também de curta duração, marca d’ água da década de 70 do século passado.

No campeonato da longevidade governamental, é ainda Cavaco Silva aquele que esteve mais tempo como primeiro-ministro: foram 9 anos e 93 dias.

Para o novo governo, ao meio-dia desta sexta-feira começa a contar o relógio. Os novos membros reúnem-se em Conselho de Ministros à tarde. O debate do programa de governo está marcado para 9 e 10 de novembro.

Judith Menezes e Sousa – TSF

A DECORRER EM DIRETO NA TSF Fórum TSF: Cavaco Silva e o novo governo, ATÉ QUASE AO MEIO-DIA

UM GOVERNO (A PRAZO), UM APARELHO, UM PRESIDENTE

Posted: 30 Oct 2015 03:32 AM PDT

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

Martim Silva – Expresso

Um Governo (a prazo), um aparelho, um Presidente

Bom dia,

“Eu abaixo assinado declaro solenemente por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas”

Esta vai ser hoje uma das frases mais ouvidas. No Palácio da Ajuda, pelas 12.00, vão tomar posse os ministros do XX Governo Constitucional, liderado por Passos Coelho. E por 17 vezes se vai ouvir este juramento.

A seguir, são os secretários de Estado. Estes normalmente tomariam posse uns dias depois. Mas “normalmente” é uma palavra que não se aplica nesta altura à vida política portuguesa.

O que não vamos ouvir mas vai estar na cabeça de todos é que o juramento, neste caso, vai ser mais do género “Eu abaixo assinado declaro solenemente por minha honra que cumprirei com lealdade as funções que me são confiadas.. ainda que seja por escassos dias”.

Sobre o tema hoje vale a pena ficar a saber isto:

Além dos ministros, tomam também posse os secretários de Estado. E como este artigo explica, acentua-se a tendência de recurso à prata da casa. Que é como quem diz, o aparelho partidário tem maior presença neste governo da coligação do que no anterior. Além disso, a imprensa de hoje dá nota da presença dos filhos de Maria José Nogueira Pinto e de Jaime Gama entre os novos secretários de Estado.

Jerónimo de Sousa foi entrevistado na SIC Notícias e pelo que disse um acordo com PS e Bloco parece ainda longe de estar garantido. O líder comunista mostrou ainda que o seu partido mantém a vontade de romper com as metas do Pacto de Estabilidade, matéria tabu para os socialistas.

Somam-se as vozes (Negrão, Morais Sarmento, Marques Mendes, Ribeiro e Castro) dos que à direita entendem que não haverá possibilidade de um governo de gestão de Passos Coelho, depois do chumbo do Executivo no Parlamento. Também o JN diz na capa hoje que Passos rejeita essa possibilidade. E o Sol acrescenta que Passos não só rejeita ficar em gestão como conta sentar-se na primeira fila da bancada laranja no Parlamento para liderar a oposição a Costa. Isto tudo somado abre a porta a que Cavaco dê posse a um governo de esquerda liderado por Costa. Aliás, o i de hoje tem uma entrevista ao ex-consultor de Cavaco Silva Carlos Blanco de Morais, em que este diz “não me surpreende que o Presidente da República acabe por chamar o líder do PS a formar Governo”.

Na capa de hoje, o Público diz que o Parlamento deve ficar parado até dezembro se este governo foi chumbado no dia 10. Um tema que já tinha feito capa do Expresso Diário de quarta-feira.

Daqui a 11 dias, quando terminar o debate do Programa de Governo e forem discutidas e votadas as moções de rejeição, estão já agendadas manifestações pró e contra para junto do Parlamento. Pró coligação e anti-moções. E Pró-moções e anti-coligação. Há para todos os gostos.

Sabe que o PM com menos tempo no cargo no últimos 40 anos foi Nobre da Costa? Que Mariano Gago foi quem mais tempo esteve no governo? E que a Passos só faltam 57 dias para ultrapassar Mário Soares no ranking dos que mais tempo foram primeiros-ministros? Estes números e muitos mais podem ser lidos aqui.

OUTRAS NOTÍCIAS

Cá dentro,

A diretora de um lar em Reguengos de Monsaraz é acusada de crimes de sequestro agravado, 11 crimes de abuso sexual de menor dependente, sete crimes de maus tratos e três de peculato. Entre os terríveis episódios já conhecidos desde caso estão o de uma menor de 15 anos que foi fechada uma semana numa despensa.

Carlos Cruz, que já cumpriu dois terços da sua pena, pode ter a sua primeira saída precária pelo Natal.

José Sócrates já teria sido em apanhado em escutas mesmo antes de começar o processo Operação Marquês. Isto aconteceu porque o empresário e seu amigo Carlos Santos Silva estava a ser escutado no âmbito do processo Monte Branco.

Numa altura em que há alguns sinais de tensão e divisões internas noBenfica, hoje ficou a saber-se que Luís Filipe Vieira deverá ser novamente candidato à presidência do clube para o ano.

É também notícia a história de Peter Boone, o influente economista que em 2010 anunciou o caos para a dívida pública portuguesa e terá lucrado com isso. O Ministério Público quer agora julgá-lo pelo crime de manipulação de mercado.

Os primeiros refugiados sírios chegam a Portugal já no final da próxima semana.

Ontem ficámos a saber que Sérgio Monteiro, que hoje deixa de ser secretário de Estado dos Transportes, vai ser contratado pelo Fundo de Resolução para resolver a venda do Novo Banco. A contratação mereceu algumas críticas (leia o artigo de Ricardo Costa). E ao que parece os bancos ficaram de fora desta escolha, que foi assumida diretamente pelo Banco de Portugal.

Ainda não ganhamos como os nórdicos, mas ao que parece jábebemos como eles, explica o DN.

A Reforma Agrária já tem muitos anos. Já é quase história a carochinha. Mas ainda agora o Estado português acaba de ser condenado a pagar dois milhões de euros a uma empresa agrícola que foi expropriada em 1975.

Lá fora,

Esta é seguramente uma das mais fortes notícias no mundo hoje. A China, ou melhor o Partido Comunista Chinês decidiu acabar com a política do filho único. Permitindo que todos os casais possam ter… dois filhos. As ações de grandes empresas de produtos para bebés, como a Nestlé, a Danone e a Johnsons já registaram grandes subidas em bolsa… Na BBC News, aconselho este artigo que em cinco números explica o que significou a política de restrição de filhos na China nas últimas décadas. Exemplo? Evitou o nascimento de 400 milhões de crianças.

Ainda na China, o país reviu em baixa as metas de crescimento da economia para os próximos anos. Agora aponta-se para um crescimento de cerca de 6,5% ao ano até final desta década.

A economia de Taiwan encolheu pela primeira vez em seis anos.

O Parlamento Europeu aprovou uma resolução pedindo que sejam retiradas as acusações contra Edward Snowden e que o protejam e reconhecam como um defensor dos direitos humanos.

O naufrágio de um barco com migrantes que fazia o trajeto entre Marrocos e Espanha terá causado dezenas de mortos. Dos 50 tripulantes, só 15 foram recolhidos com vida.

Na Alemanha, a extrema-direita aperta o cerco à chanceler Angela Merkel, apresentando centenas de queixas-crime por alta traiçãopela política de acolhimento de refugiados que está a ser seguida.

Ainda sobre refugiados, no Expresso Diário de ontem publicámos umtexto de fôlego que ajuda a explicar e a perceber as grandes vagas de refugiados ao longo da história. E hoje voltaremos ao tema.

Este domingo, cinco meses depois, os turcos voltam às urnas. Mas as perspetivas são de que o AKP, do presidente Erdogan, volte a não atingir a maioria absoluta (que perdeu pela primeira vez em 13 anos).

Bidhya Bhandari é a primeira mulher a ser eleita presidente no Nepal. O Nepal só deixou de ser uma monarquia em 2008 e a nova chefe de Estado é viuva de um rebelde comunista.

O Papa Francisco avança com um perdão para os Legionários de Cristo.

O que é que o Mundo está realmente a fazer para travar as alterações climáticas? O Financial Times disponibiliza um mecanismo para calcular e medir os esforços e impactos de cada um.

Justin Bieber fez uma birra e abandonou um concerto em Oslo. Pouco depois pediu desculpa… mas o mal estava feito.

Quem é o novo elemento da família Clooney Amal? Chama-se Milie…

NÚMEROS

132
São enviados diariamente qualquer coisa como 132 mil milhões de emails. Mas será que esta é uma forma de comunicação que está para acabar?

7,5
7,5 milhões de euros é o prejuízo acumulado pela CP Carga nos primeiros nove meses deste ano.

736
736 milhões de euros teve a EDP de lucro nos primeiros nove meses do ano. Mas o número, embora gigante, significa uma perda de 4%face ao mesmo período do ano anterior.

FRASES

“Precisamos de poupar. Mas estamos a poupar menos. Infelizmente estamos em risco de assistir à terapia do consumo, exatamente aquilo que a economia não precisava neste momento”, Helena Garrido, no Jornal de Negócios

“Porque é que o défice tem de ser 3 por cento e não 4 por cento?”,Jerónimo de Sousa, na SIC Notícias, mostrando que o PCP não está disposto a abdicar da suas bandeiras eleitorais

“Não quero defender a Volkswagen, o que fizeram é indefensável, serão castigados por traírem os clientes e terá repercussões significativas. Mas a verdade é que sempre se esticaram os limites”,Hans-Paul Burkner, presidente da Boston Consulting Group, em entrevista ao Jornal de Negócios

O QUE EU ANDO A LER

Henry Kissinger, o Maquiavel da política moderna, o Richelieu de Nixon, é seguramente uma das mais polémicas figuras da política americana do último meio século. Considerado um dos exemplos maiores da “realpolitik”, muitos consideram-no uma espécie de criminoso de guerra (era o caso por exemplo do polemista já falecido Christopher Hitchens). Agora, está já publicado, embora ainda sem edição em Portugal, o primeiro e monumental volume de uma biografia sobre o norte-americano de origem judaíca alemã. O autor? um dos mais reputados, populares e também polémicos historiadores da atualidade, o escocês radicado nos EUA Niall Ferguson. Ferguson, que tem escrito muitos livros sobre história e história económica (A Ascensão do Dinheiro, Civilização, Império, A Lógica do Dinheiro, The Great Degeneration, para citar alguns), traça neste primeiro volume (curiosamente intitulado “O Idealista”) um retrato muito curioso e menos conhecido de Kissinger: todo o seu percurso até ter aceite a indicação como Conselheiro Nacional de Segurança de Nixon. Kissinger que foi refugiado alemão fugido do regime de Hitler, soldado americano que combateu Hitler na Alemanha, aluno e professor brilhante de Harvard. Sendo certo que Kissinger gera, como já disse, muitos ódios, esta obra, escrita com a fluidez habitual dos livros de Ferguson, é imprescindível para quem está disposto a conhecer melhor o percurso de um dos mais importantes políticos e estadistas americanos.

Além desta recomendação, deixo-lhe este longo artigo da Atlanticsobre como o Estado Islâmico se dissemina no Médio Oriente. E sobre o que pode ser feito para travar o movimento terrorista.

Por hoje é tudo. Ao longo do dia vá acompanhando o que se passa com a posse do novo governo no site do Expresso. Pelas seis da tarde damos-lhe a análise ao que de mais importante se passou. E amanhã é dia de edição semanal do Expresso.

Tenha uma excelente sexta-feira e um fim-de-semana ainda melhor. Eu cá vou de férias e estarei de volta no dia 9. Com a política ao rubro com o debate do Programa de Governo na Assembleia da República.

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Publicado por

chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL