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CASOS DE “ESCRAVIDÃO MODERNA” ENTRE PORTUGUESES EM PARIS

Posted: 27 Sep 2015 03:03 PM PDT

Há portugueses vítimas de “escravidão moderna” em França, de acordo com a Santa Casa da Misericórdia de Paris, que organiza, dia 4, uma corrida de angariação de fundos para ajudar os emigrantes mais carenciados.

Vítor Rosa, coordenador-geral da Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), relatou à agência Lusa dois exemplos de portugueses que a instituição ajudou recentemente em Paris, como um trabalhador que tinha ido para a Bélgica “com uma promessa de trabalho e de alojamento e quando chegou ao destino não tinha nem uma coisa nem outra” e outra pessoa que passou dois meses a trabalhar nas obras sem poder sair do local de trabalho.

“Escravidão moderna é, por exemplo, o indivíduo que esteve dois meses a trabalhar nas obras sem poder sair do espaço das obras. Ele estava completamente traumatizado. O patrão não o deixava sair e o homem trabalhava de manhã à noite, sem qualquer pagamento, dormindo nos estaleiros das obras”, contou Vítor Rosa.

O português foi parar ao hospital e a Misericórdia de Paris ajudou-o com um intérprete, depois de ter sido solicitada pelo Consulado-Geral de Portugal em Paris, que “não tem meios para fazer face aos pedidos que tem”, explicou Vítor Rosa.

“O que aparece [à Santa Casa] são situações de precariedade descomunal. Este caso de escravidão moderna foi dos primeiros. Pensei que estivéssemos longe dessa realidade mas acontece muito nas obras, em que as pessoas vêm sem contratos”, continuou, acrescentando que também teve conhecimento de casos de sem-abrigo portugueses e lusodescendentes a viver nas ruas da capital francesa.

Vítor Rosa explicou, ainda, que a nova vaga de emigração “é muito heterogénea em termos de idades e de formações”, havendo “pessoas letradas e iletradas” e “nem todos os que vêm com um canudo conseguem um trabalho compatível” até porque “muita gente chega aqui sem falar uma palavra de francês”, abordando a Misericórdia de Paris para apoio à formação linguística.

Além de receber “várias pessoas que batem à porta, muitas desempregadas e à procura de alojamento”, a Santa Casa distribui bens alimentares ao longo do ano a “cerca de 120 a 130 famílias” graças às “perto de três mil toneladas” de bens que recolhe no Natal.

Por outro lado, a instituição chega a pagar noites de hotel a quem não tem alojamento e já pagou viagens de regresso a Portugal, ajudando ainda os emigrantes na procura de trabalho graças a “uma bolsa solidária de várias empresas portuguesas”.

Vítor Rosa acrescentou que a Santa Casa de Paris também ajuda os reformados portugueses com uma baixa pensão porque “trabalharam grandes períodos sem descontar”, fornecendo também apoio psicológico através de visitas domiciliárias e permanências.

A instituição também dá um apoio a cerca de 250 presos portugueses em França e gere doze jazigos porque “é preciso cuidar dos que partem e não apenas dos que ficam nesta miséria do mundo, como diria o sociólogo Pierre Bourdieu”, continuou Vítor Rosa.

Como a Misericórdia de Paris “não tem meios financeiros para dar resposta a tudo”, a instituição vai organizar uma corrida para angariar fundos, em Jouy-en-Josas, nos arredores de Paris, no próximo dia 4 de outubro, esperando contar com a participação de vários portugueses que poderão correr ao lado da atleta convidada Fernanda Ribeiro.

Jornal de Noticias – foto Leonel de Castro/Global Imagens

INDEPENDENTISTAS CATALÃES CONQUISTAM MAIS DEPUTADOS MAS SEM MAIORIA DE VOTOS

Posted: 27 Sep 2015 02:53 PM PDT

As candidaturas independentistas conseguiram, este domingo, obter a maioria absoluta de deputados no Parlamento da Catalunha, mas não não foram capazes de conquistar a maioria dos votos. Fica a dúvida se será suficiente para lançar o projeto de secessão face a Espanha.

As eleições regionais realizadas este domingo, confirmaram a vitória da lista independentista Junts pel Sí (que integra os partidos Convergência Democrática da Catalunha e Esquerda Republicana), com 39,6% dos votos e 62 deputados.

A candidatura anticapitalista CUP, também favorável à secessão, obteve um resultado surpreendente, subindo dos três deputados eleitos em 2012 para um total de 10.

Juntas, as duas listas defensoras do Estado próprio catalão passam a somar 72 representantes no parlamento catalão, ainda assim menos dois do que nas eleições de 2012. Por outro lado, ficaram aquém da maioria absoluta em termos de votos: no total, 47,8%.

A maioria parlamentar poderá, ainda assim, ser suficiente para viabilizar o início do processo de autodeterminação. “Nas próximas semanas lançaremos as bases de uma Catalunha independente”, afirmou Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republicana, na primeiro discurso após a divulgação dos resultados. “Temos legitimidade para prosseguir com o nosso projeto”, corroborou, por sua vez, Artur Mas, atual presidente da Generalitat.

No setor contrário à independência, destaca-se o resultado de Ciudadanos, que subiu de 9 para 25 deputados, convertendo-se no principal partido da oposição. Segue-se o Partido Socialista Catalão com 16 representantes, a coligação Catalunya Sí que es Pot (que integra o Podemos), que passa a contar com 11 deputados, enquanto o Partido Popular desce para 11.

O caráter plebiscitário das eleições, convocadas para medir o pulso ao setor independentista catalão, obteve também números históricos de participação: 77,3%, um record em eleições regionais.

Figuras:

Oriol Junqueras. O líder da Esquerda Republicana é o número cinco da candidatura Junts pel Sí, mas poderá converter-se em presidente da Generalitat com os votos favoráveis da CUP, que já garantiu que não votará em Artur Mas.

Antonio Baños. O cabeça de lista da independentista CUP foi um dos vencedores da noite, ao multiplicar por quatro o resultado obtido em 2012. A sua primeira reação no Twitter foi dizer “Adeus” ao Estado espanhol.

Inés Arrimadas. A candidata do partido Ciudadanos converte-se na líder da oposição no Parlamento catalão. O partido contrário à independência mais do que duplicou o resultado, subindo de 9 para 25 deputados.

Maria João Morais, em Barcelona – Jornal de Notícias – foto Lusa

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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL