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América Latina vai marcando a diferença e alimentando a esperança num mundo melhor!

Posted: 10 Mar 2015 04:06 PM PDT

Martinho Júnior, Luanda

“O Nascedor

Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!


Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo
tão extraordinário,
Num mundo onde palavras
e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram
raramente se saúdam,
Por que não se reconhecem?

Eduardo Galeano”

 

1 – O 1º dia do mês de março-mulher foi na América Latina mais uma lufada de ar fresco, oxigenando o tão conspurcado ambiente global.

A América Latina vai marcando a diferença por via da transformação dos seus próprios processos sócio-politicos, socializando-os gradualmente e remetendo as oligarquias nacionais agenciadas pelos interesses e conveniências do império, para o beco sem saída que criou com as suas opções.

A resistência aos deliberados vínculos capitalistas neo liberais, impostos pela hegemonia unipolar ao seu “pátio traseiro”, “explodiu” em molduras de multidões que assumiam nas praças públicas a sua identidade plena para um novo protagonismo de pátria, independente, soberana e integradora, proposta por alguns dos dirigentes mais clarividentes, progressistas e desassombradamente lutadores do quadrante Sul!

Foi assim em Buenos Aires, em Caracas e em Montevideu… onde as praças se tornaram, neste 1º de março do mês mulher, em santuários dos povos!

 

2 – Em Buenos Aireslargos milhares identificaram-se com a Presidente Cristina Kirchner na altura do seu balanço social, económico, industrial e tecnológico, perante a 133ª Sessão do Congresso!

A Argentina está a reduzir drasticamente a sua dívida externa em relação ao seu Produto Interno Bruto, o que permite não mais pagar juros sobre os juros das dívidas.

A partir de agora se a Argentina se endividar é para cumprir com programas de desenvolvimento e não para ganhos do sector financeiro internacional!

A Argentina prepara-se para assumir a estatização de todas as ferrovias do país, o que dá outras garantias aos seus usuários e aumenta exponencialmente a expansão da rede, particularmente em direcção a áreas de menor densidade populacional.

A Presidente Cristina Kirchner ao conduzir esse processo está a marcar e liderar a mobilização patriótica de amplos sectores populares e a granjear a simpatia de todos aqueles que se propõem à integração hemisférica na América Latina.

 

3 – Em Caracas, perante a descoberta de mais uma tentativa de golpe de estado, numa altura em que a situação económica do país é preocupante em função da evolução da cotação média do barril do petróleo e de açambarcamentos de sectores retrógrados da sociedade venezuelana, a mobilização popular em torno do Partido Socialista Unificado da Venezuela, dos ideais bolivarianos e do Presidente Maduro, fez-se sentir expressivamente.

Outras cidades do país seguiram o exemplo da capital.

O plano do golpe de estado, envolvendo sectores da oligarquia nacional servis ao império e em estreita ligação a meios instrumentalizados por ele, foi desmascarado, exposto, com os seus interventores detidos e conduzidos a processos judiciais, que se juntaram a outros já em curso.

O projecto progressista teve inteligência e capacidade para se defender e inibir a sua subversão num contexto conturbado de desestabilização provocado a partir do exterior pelos vínculos poderosos da hegemonia unipolar!

A luta na Venezuela é decisiva para o processo bolivariano de integração em curso, envolvendo organizações como a ALBA, a UNASUR,  ou a CELAC, como também é decisivo como inspirador em relação às transformações sócio-políicas em curso na América Latina, envolvendo as massas populares e garantindo o aprofundar da democracia, abrindo-a à participação.

Caracas encheu-se das cores nacionais e de vermelho, como nos tempos decisivos de Hugo Chavez!

 

4 – Montevideu teve também o seu dia 1º de março por motivos da transferência de poderes entre o cessante Presidente José “Pepe” Mujica e o seu sucessor, Tabaré Vásquez.

Esse foi um motivo para lembrar as vias de desenvolvimento do país, sentidas durante o mandato de Mujica: a diminuição da pobreza, o crescimento do emprego, o aumento dos rendimentos e a diversificação energética.

O caminho progressista já está a produzir os seus frutos e esse foi também um motivo para se exaltar as qualidades de “Pepe” Mujica enquanto Presidente: a sua visão de vanguarda, resguardada na sua simplicidade de sóbrios comportamentos e rigor.

Avesso a qualquer tipo de auto promoção, ou de benefícios indevidos, José “Pepe” Mujica, corajoso guerrilheiro Tupamaru que enfrentou 15 anos de prisão impostos pela ditadura contra a qual lutou, marcou e marca com seu exemplo em todas as latitudes e longitudes, conforme à sua franqueza, reconhecida internacionalmente e a todos os níveis.

Os seus pronunciamentos têm sido divulgados, sendo notável o seu desassombro, a qualquer nível de suas intervenções, reconhecidamente anticapitalistas e seguindo a lógica com sentido de vida, de acordo com profundas convicções, com princípios socialistas e um amor rigoroso pela humanidade!

Diz ele entre muitas outras frases que o demarcam das conjunturas manipuladas do mundo:

“O deus mercado organiza a economia, a vida e financia a aparência de felicidade. Parece que nascemos só para consumir e consumir“…

A transferência de poderes conforme modelo que foi seguido em Montevideu, perante os olhos de todo o povo uruguaio e do mundo, em parte alguma poderia ter sido tão bem concebido em termos de felicidade colectiva e rigor!

 

5 – A América Latina vai dando incomparáveis exemplos de luta em benefício de seus povos e dos povos de todo o mundo.

Os que despontaram logo no 1º dia do mês de março-mulher, não podiam ser melhores para este lado do Atlântico Sul, numa África em que tardam os “nascedores”, muito embora a tradição de luta em prol da libertação contra o colonialismo e o “apartheid”!

A hegemonia unipolar, em especial nos países que bordam o Atlântico, vai conseguindo a ascensão de oligarquias dóceis, assimiladas, que pouco a pouco atentam contra a harmonia e desequilibram as conjunturas patrióticas dos seus povos, monopolizando a “representatividade” inerente aos seus frágeis processos democráticos.

Sob o ponto de vista económico, essas oligarquias tendem a, através de mal paradas parcerias público-privadas, sorverem as finanças do estado e esvaziarem-no de seus conteúdos em termos de independência, soberania e responsabilidades sociais, numa espiral mercenária que começa a envenenar a lógica com sentido de vida que advém do movimento de libertação!

África está a ir precisamente no sentido inverso da América Latina, mas nas suas conturbadas sociedades, perante as avaliações que por vezes são expostas a olho clínico e nu, há muitos que, face à intoxicação global que lhes toca, não podem deixar de absorver a lufada de ar fresco que sopra das Américas, até por que, como durante toda a sua vida estiveram comprometidos e identificados com os povos, expressam claramente: “não foi nada disso que a gente combinou”!!!

Foto das manifestações populares registadas a 1 de março em Buenos Aires

PREPARANDO LA AGRESSIÓN MILITAR A VENEZUELA

Posted: 10 Mar 2015 03:59 PM PDT

Atilio A. BoronRebelión

 

Barack Obama, una figura decorativa en la Casa Blanca que no pudo impedir que un energúmeno como Benjamin Netanyhau se dirigiera a ambas cámaras del Congreso para sabotear las conversaciones con Irán en relación al programa nuclear de este país, ha recibido una orden terminante del complejo “militar-industrial-financiero”: debe crear las condiciones que justifiquen una agresión militar a la República Bolivarianade Venezuela. La orden presidencial emitida hace pocas horas y difundida por la oficina de prensa de la Casa Blanca establece que el país de Bolívar y Chávez “constituye una infrecuente y extraordinaria amenaza a la seguridad nacional y la política exterior de Estados Unidos”, razón por la cual “declaro la emergencia nacional para tratar con esa amenaza.”

Este tipo de declaraciones suelen preceder a agresiones militares, sea por mano propia, como la cruenta invasión a Panamá para derrocar a Manuel Noriega, en 1989, o la emitida en relación al Sudeste Asiático y que culminó con la Guerra en Indochina, especialmente en Vietnam, a partir de 1964. Pero puede también ser el prólogo a operaciones militares de otro tipo, en donde Estados Unidos actúa de consumo con sus lacayos europeos, nucleados en la OTAN, y las teocracias petroleras de la región. Ejemplos: la Primera Guerra del Golfo, en 1991; o la Guerra de Irak, 2003-2011, con la entusiasta colaboración de la Gran Bretaña de Tony Blair y la España del impresentable José María Aznar; o el caso de Libia, en 2011, montado sobre la farsa escenificada en Benghazi donde supuestos “combatientes de la libertad” – que luego se probó eran mercenarios reclutados por Washington, Londres y París- fueron contratados para derrocar a Gadaffi y transferir el control de las riquezas petroleras de ese país a sus amos. Casos más recientes son los de Siria y, sobre todo Ucrania, donde el ansiado “cambio de régimen” (eufemismo para evitar hablar de “golpe de estado”) que Washington persigue sin pausa para rediseñar el mundo -y sobre todo América Latina y el Caribe- a su imagen y semejanza se logró gracias a la invalorable cooperación de la Unión Europea y la OTAN, y cuyo resultado ha sido el baño de sangre que continúa en Ucrania hasta el día de hoy. La señora Victoria Nuland, Secretaria de Estado Adjunta para Asuntos Euroasiáticos, fue enviada por el insólito Premio Nobel de la Paz de 2009 a la Plaza Maidan de Kiev para expresar su solidaridad con los manifestantes, incluidos las bandas de neonazis que luego tomarían el poder por asalto a sangre y fuego, y a los cuales la bondadosa funcionaria le entregaba panecillos y botellitas de agua para apagar su sed para demostrar, con ese gesto tan cariñoso, que Washington estaba, como siempre, del lado de la libertad, los derechos humanos y la democracia.

Cuando un “estado canalla” como Estados Unidos, que lo es por su sistemática violación de la legalidad internacional, profiere una amenaza como la que estamos comentando hay que tomarla muy en serio. Especialmente si se recuerda la vigencia de una vieja tradición política norteamericana consistente en realizar autoatentados que sirvan de pretexto para justificar su inmediata respuesta bélica. Lo hizo en 1898, cuando en la Bahía de La Habana hizo estallar el crucero estadounidense Maine, enviando a la tumba a las dos terceras partes de su tripulación y provocando la indignación de la opinión pública norteamericana que impulsó a Washington a declararle la guerra a España. Lo volvió a hacer en Pearl Harbor, en Diciembre de 1941, sacrificando en esa infame maniobra 2,403 marineros norteamericanos e hiriendo a otros 1,178. Reincidió cuando urdió el incidente del Golfo de Tonkin para “vender” su guerra en Indonesia: la supuesta agresión de Vietnam del Norte a dos cruceros norteamericanos –luego desenmascarada como una operación de la CIA- hizo que el presidente Lyndon B. Johnson declarara la emergencia nacional y poco después, la Guerra a Vietnam del Norte. Maurice Bishop, en la pequeña isla de Granada, fue considerado también él como una amenaza a la seguridad nacional norteamericana en 1983, y derrocado y liquidado por una invasión de Marines. ¿Y el sospechoso atentado del 11-S para lanzar la “guerra contra el terrorismo”?

La historia podría extenderse indefinidamente. Conclusión: nadie podría sorprenderse si en las próximas horas o días Obama autoriza una operación secreta de la CIAo de algunos de los servicios de inteligencia o las propias fuerzas armadas en contra de algún objetivo sensible de Estados Unidos en Venezuela. Por ejemplo, la embajada en Caracas. O alguna otra operación truculenta contra civiles inocentes y desconocidos en Venezuela tal como lo hicieran en el caso de los “atentados terroristas” que sacudieron a Italia –el asesinato de Aldo Moro en 1978 o la bomba detonada en la estación de trenes de Bologna en 1980- para crear el pánico y justificar la respuesta del imperio llamada a “restaurar” la vigencia de los derechos humanos, la democracia y las libertades públicas. Años más tarde se descubrió estos crímenes fueron cometidos por la CIA.

Recordar que Washington prohijó el golpe de estado del 2002 en Venezuela, tal vez porque quería asegurarse el suministro de petróleo antes de atacar a Irak. Ahora está lanzando una guerra en dos frentes: Siria/Estado Islámico y Rusia, y también quiere tener una retaguardia energética segura. Grave, muy grave. Se impone la solidaridad activa e inmediata de los gobiernos sudamericanos, en forma individual y a través de la UNASUR y la CELAC, y de las organizaciones populares y las fuerzas políticas de Nuestra América para denunciar y detener esta maniobra.

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.

Nota PG – O Página Global decidiu integrar nos seus conteúdos notícias e opiniões expressas em castelhano, principalmente de publicações da América Latina e Caribe, mas também de Espanha quando considerar oportuno e viável nas nossas edições.

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MULHERES AO PODER!

Posted: 10 Mar 2015 12:23 PM PDT

 

Cabo Verde é o segundo país a nível mundial com o maior número de ministras em 2015 e o primeiro entre os países lusófonos, segundo o relatório da União Interparlamentar (UIP), divulgado hoje em Genebra.

Folha 8 (ao)

Anível mundial, 30 países contabilizam pelo menos 30% de mulheres ministras, sendo que a Finlândia (62,5%), Cabo Verde (52,9%), Suécia (52,2%) ocupam os três primeiros lugares.

Até Janeiro de 2015, entre os 17 ministérios do Governo de Cabo Verde, 9 eram dirigidos por mulheres, de acordo com a UIP.

Na Finlândia, 10 dos 16 cargos de ministro são ocupados por mulheres, enquanto a Suécia contabiliza 12 ministras em 23 ministérios.

Nos países de língua oficial portuguesa, a Cabo Verde seguem-se Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, Angola, Brasil, Timor-Leste, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe.

A 18ª posição no ‘ranking’ é ocupada pela Guiné-Bissau com 31,9% de ministras, sendo 5 ministérios em 16 dirigidos por mulheres.

Portugal e Moçambique ocupam a 24ª posição, com 28,9% de mulheres representadas nos ministérios. Portugal contabiliza quatro ministras entre 14 ministérios, enquanto Moçambique tem oito ministras e 20 ministros.

Angola está no 37° lugar da classificação mundial, o número de ministras é de oito para 36 postos de ministros, correspondendo a uma percentagem de 22,2%.

Já o Brasil, está na 52° posição, com 15,4% de mulheres representadas em 2015, o que corresponde a seis ministras entre 39 ministérios.

Segue-se Timor-Leste, no 62° lugar, com 12,5% de mulheres ministras, o equivale a 2 ministras para 16 ministérios.

A Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe ocupam respectivamente o 73º lugar, com 8,7% de mulheres ministras, e o 76º lugar, com 7,7%.

A Guiné Equatorial, que integrou recentemente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), contabiliza quatro mulheres ministras para 46 ministérios.

São Tomé e Príncipe tem uma ministra entre 13 ministérios.

A UIP destaca também que, a nível regional, Cabo Verde é o país de África com maior número de ministras, seguido pela África do Sul, com 41,7% e o Ruanda com 35,5%.

A nível mundial, 30 países contabilizam pelo menos 30% de mulheres ministras em 2015, contra 36 países no ano precedente.

Segundo o relatório, as mulheres assumem geralmente pastas relacionadas com assuntos sociais, educação, família e assuntos femininos.

No mundo, há 19 mulheres presidentes, o maior número registado até hoje, e 15,8% de mulheres ocupam o cargo de presidente de parlamento.

O relatório referencia a nível mundial o número de mulheres ministras até dia 01 de Janeiro de 2015.

A directora da organização ONU mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, apelou a mais compromissos e novos investimentos no quadro do programa de Pequim para a emancipação das mulheres, adoptado em 1995.

“Se os dirigentes actuais se concentrarem na igualdade dos sexos, se começarem a cumprir as promessas feitas há 20 anos, a igualdade entre homens e mulheres poderá ser uma realidade em 2030″, disse a directora, citada em comunicado.

A UIP agrupa 166 membros e 10 membros associados, foi criada em 1889, tendo a sua sede em Genebra, Suíça.

Foto: A presidente do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada.

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Em Angola combate à SIDA está comprometido com a redução de verbas

Posted: 10 Mar 2015 12:08 PM PDT

 

A verba destinada à luta contra o HIV SIDA em Angola deverá diminuir em 30% em 2015. A redução é uma consequência da baixa do preço do petróleo no mercado internacional, que já afeta o Orçamento Geral do Estado (OGE).

O orçamento vai cair de 16 para 11 milhões de dólares. A redução representa a continuação da tendência de descida: em 2014 o orçamento para a luta contra a SIDA previa 16 milhões, e em 2013 a verba esteve nos 22 milhões de dólares. Entrevistamos o secretário executivo da Rede Angolana das Organizações de Serviços de SIDA, ANASO, António Coelho sobre o assunto.

DW África: Quais são as consequências da diminuição da verba?

António Coelho (AC): As consequências de uma forma geral são graves. Estamos a falar de um país que regista em média 28 mil novas infeções por ano e 12 mil mortos por ano. Estamos a falar de um país que regista 4 mil novas infeções anualmente, entre crianças de zero aos 14 anos e o nosso compromisso é o de, por um lado, reduzir as novas infeções em crianças, e por outro, estender a terapia anti-retroviral aos que ainda precisam. E do ponto de vista da prevenção realizar cada vez mais campanhas públicas. Portanto, se pretendemos, de facto, inverter o curso da epidemia nos próximos tempos, isso só será possível com fundos adicionais. Isso quer dizer com uma redução dos fundos, primeiro, não vamos conseguir reduzir as novas infeções, o número de mortes e nem as ações relacionadas com a estigmatização e discriminação. O sonho em relação ao alcance das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, zero morte, zero estigma, zero novas infeções, fica comprometido. E fica também comprometido o conjunto de ações que temos vindo a realizar junto das famílias e das comunidades. Nos últimos três anos foram reduzidas drásticamente as ações realizadas junto das famílias e comunidades. E como consequência os ganhos conseguidos ao longo dos mais de 20 anos de luta contra o HIV SIDA estão comprometidos.

DW África: Sendo Angola um país em desenvolvimento, e por isso a saúde e educação importantes neste contexto, acha que faz sentido esta redução?

AC: Não faz sentido a redução, quer ao nível das ações de saúde quer das ações de educação, porque entendemos que o principal direito da população é o direito à vida, o direito à saúde. Se nos retiram esses direitos, todo o resto fica comprometido. Há um grande esforço do Governo em aproximar os serviços de saúde à população através da municipalização e cuidados primários de saúde, mas esses esforços têm de ser acompanhados de outras ações, de uma melhoria da qualidade dos serviços que se oferece e de fundos adicionais para que, de facto, se possam realizar ações de sensibilização e educação para que as pessoas possam aderir a esses serviços. Repare que ao nível da terapia anti-retroviral a taxa de abandono é muito alta, anda à volta dos 20%.

DW África: Quais são as regiões em Angola onde se registam as maiores taxas de infeção?

AC: A epidemia em Angola é generalizada. Ao contrário de muitos países não temos a epidemia concentrada em grupos específicos, o que requer da nossa parte uma resposta generalizada, o nosso grupo alvo é a população em geral. Para todos os efeitos até bem pouco tempo estávamos a olhar para as províncias que faziam fronteira com países cujas taxas de prevalência eram muito altas, estamos a falar de províncias que fazem fronteira com a África do Sul, Namíbia, etc. Províncias como o Cunene, as Lundas, cujas taxas de prevalência eram altíssimas. Mas hoje já temos províncias no interior de Angola que também estão a registar taxas muito altas. Então, do ponto de vista de dados a província com a maior taxa de prevalência é o Cunene, com mais de 8% da sua população infetada, depois temos a província do Bié, que fica no centro, que tem mais de 5%, e depois Luanda que tem mais 4%. Mas do ponto de vista dos números a nossa menina dos olhos continua a ser Luanda, porque estamos a falar de quatro por cento de seis milhões de habitantes, ou seja de 240 mil pessoas.

Nádia Issufo – Deutsche Welle

Profissionais dizem que crise do petróleo ameaça saúde pública em Angola

Posted: 10 Mar 2015 12:01 PM PDT

 

São cada vez mais visíveis os efeitos negativos da baixa do preço do petróleo nos mercados internacionais, também na área da saúde pública em Angola. A denúncia é feita por médicos e farmacêuticos.

Segundo Rosa Cirilo, o setor da saúde enfrenta dias difíceis com a crise do petróleo em Angola. A farmacêutica fornece medicamentos e equipamento médico a clínicas e hospitais, sobretudo analgésicos para intervenções estomatológicas. Mas, segundo ela, nos últimos tempos, os bancos não têm pago aos fornecedores estrangeiros a tempo e horas, por falta de divisas. Por isso, não tem conseguido importar medicamentos necessários com urgência.

“Se esta situação continuar por muito mais tempo vamos ter de repensar o negócio”, diz Rosa Cirilo. “Este é um país que vive das importações. Não há fábricas de medicamentos, que, normalmente, vêm da Alemanha, de Portugal, da Polónia, dos Estados Unidos da América, do Brasil. Sem receber o dinheiro, os fornecedores não mandam a mercadoria.”

Sair do país?

O Dr. Luís Filipe, chefe de uma conceituada clínica especializada em medicina tradicional chinesa, em Luanda, diz que o seu maior problema é a falta de material necessário para as terapias.

“Tinha um grande stock, mas já está a chegar ao fim”, conta. O médico sublinha que o seu problema não é a falta de dinheiro, mas sim os enormes atrasos nas transferências bancárias e nos pagamentos aos fornecedores, tal como as restrições nas importações.

O Banco Nacional de Angola nega quaisquer restrições e assegura que não há razões para atrasos. Mas, segundo o Dr. Luís Filipe, o certo é que os atrasos são grandes, muitos e generalizados e ele já pensa em ir para o estrangeiro. “A minha situação está periclitante e estou a pensar sair do país, porque temo não ter material para tratar os meus pacientes. […] Este desenvolvimento de Angola era completamente fictício e só estava assente na especulação do petróleo. O trabalho de casa estava todo por fazer.”

Quem sofre são os pacientes

Agora, quem sofre são os pacientes. Sobretudo quem não tem possibilidade de ir para o estrangeiro para se tratar: “As pessoas com mais posses metem-se num avião e vão para a Namíbia, África do Sul, Portugal”, afirma o médico angolano.

O Governo angolano investe menos de três por cento do Produto Interno Bruto (PIB) na área da saúde. Com a baixa do preço do crude nos mercados internacionais, os investimentos neste setor baixarão ainda mais.

O Dr. Luís Filipe prevê dias ainda mais difíceis: “Eu digo muitas vezes que a situação de Angola, ao nível da saúde, é como a de um doente com cancro em fase terminal.”

António Cascais – Deutsche Welle

Moçambique. DIÁLOGO VOLTA A ENCALHAR ENTRE GOVERNO E RENAMO

Posted: 10 Mar 2015 11:56 AM PDT

 

Dois assuntos considerados cruciais, nomeadamente paridade nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e na Polícia da República de Moçambique (PRM) e impedimento aos titulares dos órgãos do Estado, incluindo o Presidente da República, e servidores públicos do exercício de actividades políticas durante as horas normais de expediente, encalharam ontem o diálogo entre o Governo e a Renamo, que já vai na sua 97.ª ronda.

Por imperativos do acordo de cessação das hostilidades militares assinado a 5 de Setembro de 2014, o enquadramento e integração dos homens da Renamo nas FADM e na PRM é uma questão central. Segundo aquele instrumento legal, esse enquadramento e integração deve ter lugar para que no final nenhuma força política detenha ou permaneça armada, responsabilidade acometida aos órgãos específicos do Estado no âmbito da defesa da soberania e integridade territorial.

É justamente para assegurar a concretização daquele propósito que as partes acordaram constituir a Equipa Militar de Observação da Cessação das Hostilidades Militares (EMOCHM), de que fazem parte integrante peritos militares do Governo, da Renamo e internacionais, até aqui constituída por oito países.

Aquando da sua constituição, a EMOCHM tinha um mandato de 135 dias prorrogáveis no quadro do acordo transformado em lei pela Assembleia da República. Expirado aquele período em Fevereiro último e à luz daquele acordo, o mandato da Equipa Militar de Observação da Cessação das Hostilidades Militares ficou automaticamente prorrogado mas, até ontem, o Governo e a Renamo não haviam alcançado consenso sobre o prazo.

Com efeito, o Executivo, cuja delegação no diálogo é chefiada pelo Ministro da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, fixou em 60 dias o prazo de prorrogação da missão da EMOCHM, dentro do qual deverão começar a ser implementadas as acções consensuais entre as partes, enquanto a Renamo defende um período de 120 dias como sendo razoável para se processar o enquadramento, integração e inserção social e económica dos seus homens.

Sobre a questão específica do enquadramento e integração dos homens da Renamo nas FADM, Saimone Macuiana, chefe da delegação do maior partido da oposição no diálogo com o Governo, disse haver muitos oficiais provenientes das hostes da formação política liderada por Afonso Dhlakama que não têm ordem de serviço regularizado e que a pretensão é que haja partilha de responsabilidades.

Para a Renamo, só depois de regularizada aquela situação é que se poderá falar do enquadramento dos seus homens em si, bem como da inserção social e económica. Saimone Macuiana sublinhou que é interesse do seu partido que o acordo de cessação das hostilidades seja cumprido na íntegra, em nome da paz.

O Governo considera que as Forças de Defesa e Segurança são soberanas e regem-se por instrumentos próprios e têm as suas próprias competências, daí que se trata de matéria a ser analisada pelos seus peritos militares.

Ainda ontem, as duas delegações voltaram a divergir quanto a um dos pontos atinentes à despartidarização da Administração Pública. Trata-se da proposta avançada pela Renamo visando impedir que os titulares dos órgãos do Estado, incluindo o Presidente da República, cujo cargo é eminentemente político, e os servidores públicos exerçam actividades políticas nas horas normais de expediente, o que para o Governo é contrário ao espírito do quadro político e jurídico nacional.

As partes voltam a encontrar-se ordinariamente na próxima segunda-feira.

Felisberto Arnaça – Notícias (mz)

POLÍCIA MOÇAMBICANA SEM DESENVOLVIMENTOS SOBRE CISTAC

Posted: 10 Mar 2015 11:40 AM PDT

 

Uma semana após o assassinato de Gilles Cistac, a polícia moçambicana ainda não apresentou dados consistentes sobre a investigação. Velório do constitucionalista realiza-se na tarde desta terça-feira (10.03), em Maputo.

O corpo de Gilles Cistac segue na quinta-feira (12.03) para França, a sua terra natal, onde será enterrado. O constitucionalista, conhecido por defender teses nem sempre favoráveis à Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), partido no poder, foi assassinado a tiro na terça-feira (03.03) da semana passada por desconhecidos, à saída de um café no centro da capital, Maputo.

Até ao momento, a Polícia da República de Moçambique (PRM) não deu a conhecer novos elementos sobre o homicídio do constitucionalista, alegando que assim não põe em causa a investigação. Na última sexta-feira (06.03), o ministro do Interior, Jaime Basílio Monteiro, garantiu que já havia pistas.

A DW África falou sobre as investigações com o porta-voz do comando da polícia da cidade de Maputo, Orlando Mudumane.

DW África: Qual o ponto de situação das investigações sobre o assassinato de Gilles Cistac?

Orlando Mudumane (OM): A polícia está a trabalhar neste momento no sentido de esclarecer o caso. Estamos numa fase de instrução, que tem um carácter secreto para bem da própria investigação. Neste momento não há nenhum dado que possa ser tornado público sob pena de pôr em causa a própria investigação. Mas o que se garante é que várias linhas operativas da PRM, sobretudo da Polícia de Investigação Criminal, estão no terreno no sentido de neutralizar os autores do macabro crime, para que sejam responsabilizados.

Indivíduos especializados neste tipo de crime estão a trabalhar para que essas pessoas sejam encontradas e responsabilizadas, leve o tempo que levar. Queremos tranquilizar os moçambicanos e a família do malogrado. A polícia está a fazer tudo e vai encontrar esses indivíduos, que serão levados à barra do tribunal.

DW África: Algumas pessoas em Moçambique dizem que a polícia não terá respeitado os procedimentos de perícia na altura do crime. Confirma?

OM: A polícia dirigiu-se ao local do crime e fez o que tinha de fazer nos primeiros momentos, logo que chegou ao local. As pessoas são livres de fazer o ajuizamento que entenderem. Se houve uma ou outra falha, isso não significa que a polícia não esteja interessada em esclarecer o crime. Se houve uma ou outra falha, são falhas inerentes ao próprio trabalho – pequenas falhas que foram pontualmente corrigidas. E neste momento o que interessa é que as pessoas confiem na capacidade da Polícia da República de Moçambique, nas pessoas que estão no terreno a investigar este caso para encontrar os responsáveis por este macabro crime.

DW África: Confirma que a PRM terá solicitado a ajuda da Polícia Internacional (Interpol) para este caso?

OM: Não confirmo, não tenho essa informação. Mas quero garantir que a Polícia de Moçambique irá fazer tudo o que for necessário para esclarecer este crime. Se houver necessidade disso, poderá fazê-lo, mas neste momento não confirmo essa situação.

DW África: A PRM sente que tem capacidade para conseguir neutralizar este tipo de criminosos?

OM: Tem capacidade, sim. Como disse, é preciso que as pessoas confiem no trabalho que a polícia está a fazer, que confiem na PRM. A Polícia da República de Moçambique tem capacidade para esclarecer qualquer tipo de crime. Pode levar o tempo que levar, mas a seu tempo o caso será esclarecido. A polícia já esclareceu tantos outros casos e acredita-se que este também será esclarecido.

Nádia Issufo – Deutsche Welle

DESIGUALDADES SOCIAIS E CORRUPÇÃO EM TIMOR-LESTE TAMBÉM É VIOLÊNCIA

Posted: 10 Mar 2015 11:14 AM PDT

 

Os despachos noticiosos da Agência Lusa sobre Timor-Leste têm sido muito numerosos, não há quem fora do país possa dizer-se desatualizado. O ritmo não é usual. Só por isso percebemos logo que a condução da locomotiva mudou de mãos. Podemos dizer que há mais carvão, lenha e água para produzir o vapor indispensável ao bom andamento registado. A chuva de noticiário não permite que no Página Global publiquemos de uma assentada aquilo que a Lusa despacha. Temos de fazer a nossa seleção entre tanta notícia. Agora umas, depois outras.

Seleção que toma por maior interesse na divulgação o caso da violência em Baguia. Polícias feridos à granada em ataque a uma esquadra. O presidente do Parlamento timorense estava a cem metros do local do ataque em visita familiar. Não era o alvo da peleja. As entidades oficiais acusam o dissidente Mauk Moruk e os seus guerrilheiros pelo ataque. Moruk desmente. É visível que a violência está a recrudescer. Aquele tipo de violência.

Outro tipo de violência existe em Timor-Leste e propaga-se quase em silêncio. A fome, a miséria existente e numerosa, as desigualdades sociais tão vincadas e que vitima mais de dois terços da população, o desemprego, a justiça forte com os fracos e fraca com os fortes, a corrupção de membros dos governos, de empresários amigos, da elite que se apossou do país quando ainda não tinha sequer comemorado a sua independência. Sobre essa violência de Estado não vimos que façam tanto alarido como por causa do rebentamento de duas ou três granadas. Mas essa violência mata mais que qualquer outra existente no país. Mata por carências inadmissíveis nos cuidados de saúde, pela falta de infraestruras que assegurem sanidade na água que os timorenses utilizam para seu consumo e nos esgotos tantas vezes inexistentes ou que são em valas e corregos a céu aberto.

Também o défice democrático acaba por matar mais que uma simples mas indesejada granada. Não pode existir democracia sem justiça social, sem justiça judiciária, sem o cuidado e cumprimento constitucional que não permita o alargamento do fosso das desigualdades. Fosso cavado profundamente durante os governos de Gusmão. É essa violência de Estado que gera mais violência pela via da indignação, da revolta. Os timorenses querem paz mas também querem ser bem governados. Governados democraticamente, com justiça. Enquanto assim não acontecer a violência está para ficar em Timor-Leste.

Redação PG

Governo timorense defende ação para evitar que atos de instabilidade se repitam

Díli, 10 mar (Lusa) – O Governo timorense vai apostar nas ações policiais de repressão e prevenção para evitar que ataques semelhantes ao de domingo na esquadra da vila de Baguia, que feriu quatro agentes policiais, se repitam noutros pontos do país.

O executivo aprovou hoje uma resolução que autoriza uma operação conjunta da polícia (PNTL) e das Forças Armadas (F-FDTL), através de uma “força-tarefa”, para “prevenir e reprimir a atuação criminosa de grupos ilegais que estão a causar instabilidade no país”.

O texto final da resolução, obtido pela agência Lusa, baseia-se numa primeira resolução aprovada na segunda-feira numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros e foi hoje alvo de várias alterações, após várias consultas no Governo, Parlamento Nacional e Presidência da República.

Para aprovar o “empenhamento operacional conjunto” da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) e das forças armadas (F-FDTL) o Governo teve em conta os “graves acontecimentos” da madrugada de domingo “que constituem um atentado contra a segurança nacional e um crime que jamais poderá ser tolerado”.

Entre os feridos no ataque estão três elementos do Corpo de Segurança Pessoal do presidente do Parlamento Nacional, Vicente da Silva Guterres, que estava numa casa próxima para um velório de um familiar.

No ataque foram ainda “destruídos bens e incendiadas casas da população indefesa”, refere a resolução, que considera que estes “atos de perturbação da ordem pública” estão relacionados com outros, ocorridos na localidade de Laga a 15 de janeiro.

Segundo o Governo, “caso não sejam definitivamente resolvidos, poderão incitar ao surgimento de acontecimentos semelhantes noutros locais do território nacional e criar insegurança nas populações”.

O executivo explicou que analisou “toda a informação recolhida sobre todos os acontecimentos e tomadas de posição relacionadas com a situação” e que “indiciam a existência de grupos dedicados ao crime organizado e com objetivos de criar instabilidade no país”.

A resolução recorda que “a lei proíbe a existência de associações armadas e organizações de tipo militar ou paramilitar” e explica que a decisão sobre uma operação conjunta foi tomada “ouvindo o Parlamento Nacional e concertado o empenhamento operacional conjunto com o Presidente da República”.

Apesar de considerar que não se justifica a situação de estado de exceção constitucional, o Governo considerou que “devem ser adotadas medidas que impliquem a ação conjunta” das forças de segurança.

O texto da resolução aprova o “empenhamento operacional conjunto”, designadamente em Baguia, através de “operações de atuação proporcional no uso da força”.

Instrui o chefe de Estado Maior General das F-FDTL e o comandante geral da PNTL a preparar e apresentar ao Governo as “regras de empenhamento” e a implementar “com a máxima urgência” a resolução.

O texto final da resolução foi acordado hoje depois de várias reuniões e de uma audiência pública do parlamento, à porta fechada, aos ministros do Interior, Longuinhos Monteiro, e da Defesa, Cirilo Cristóvão.

A resolução foi aprovada de acordo com a Lei de Segurança Nacional de 2010, que prevê o “empenhamento conjunto operacional das entidades que compõem o Sistema Integrado de Segurança Nacional” em situações em que se “constate a insuficiência da intervenção das entidades”, separadamente, para cumprir os seus objetivos constitucionais.

ASP // VM

Governo timorense ativa operação conjunta da polícia e forças armadas

Díli, 10 mar (Lusa) – O Governo timorense aprovou uma operação conjunta da polícia (PNTL) e das Forças Armadas (F-FDTL), através de uma “força-tarefa”, para “prevenir e reprimir a atuação de grupos ilegais que estão a causar instabilidade no país”.

“Após a análise da informação recolhida sobre todos os acontecimentos, e ouvidos o Parlamento Nacional e o Presidente da República, tudo indicia a existência de grupos dedicados ao crime organizado e com objetivos de criar instabilidade no país”, refere um comunicado do executivo.

A resolução do Governo “incumbe o Chefe do Estado Maior General das F-FDTL e o Comandante Geral da PNTL de elaborar e propor ao Conselho de Ministros as regras de empenhamento, que serão implementadas de modo a prevenir e a reprimir a atuação criminosa de grupos ilegais que estão a causar instabilidade no país”.

O texto foi aprovado em resposta ao ataque da madrugada de domingo na esquadra da localidade de Baguia, a 40 quilómetros sudeste de Baucau, a segunda cidade timorense, que feriu quatro agentes policiais.

Entre os feridos estão três elementos do Corpo de Segurança Pessoal do presidente do Parlamento Nacional, Vicente da Silva Guterres, que estava numa casa próxima para um velório de um familiar.

O comunicado do Governo refere que os “atos de perturbação da ordem pública” podem estar relacionados com outros ocorridos em janeiro e “devem ser definitivamente resolvidos, por constituírem um atentado contra a segurança nacional e um crime que jamais poderá ser tolerado”.

“Saliente-se que a lei proíbe a existência de associações armadas e organizações de tipo militar ou paramilitares”, refere o comunicado.

O texto final da resolução, que começou a ser discutida numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros na segunda-feira, foi acordado hoje depois de várias reuniões e de uma audiência pública do parlamento, à porta fechada, aos ministros do Interior, Longuinhos Monteiro, e da Defesa, Cirilo Cristóvão.

A resolução foi aprovada de acordo com a Lei de Segurança Nacional de 2010 que prevê o “empenhamento conjunto operacional das entidades que compõem o Sistema Integrado de Segurança Nacional” em situações em que se “constate a insuficiência da intervenção das entidades”, separadamente, para cumprir os seus objetivos constitucionais.

Tanto o primeiro-ministro timorense, Rui Araújo, com o ministro do Interior, Longuinhos Monteiro, responsabilizaram o ex-comandante da guerrilha timorense Mauk Moruk pelo ataque.

Em entrevista telefónica à Lusa Mauk Moruk negou envolvimento no ataque – que disse ter sido o resultado de confrontos entre familiares do presidente do parlamento – confirmando porém que participaram nos incidentes elementos do Conselho da Revolução Maubere (CRM), organização que lidera.

A resolução hoje publicada surge depois de dois dias de intensos contactos entre os principais líderes timorenses, incluindo o Governo, o Presidente da República, o Parlamento Nacional e as forças de segurança.

Nos últimos dias o Presidente da República, Taur Matan Ruak, tem mantido várias reuniões com responsáveis timorenses entre os quais o presidente do Parlamento, Vicente da Silva Guterres, e o primeiro-ministro, Rui Araújo.

Recebeu ainda o ex-primeiro-ministro Xanana Gusmão, líderes das bancadas parlamentares e os ministros do Interior e da Defesa.

ASP // DM

Parlamento timorense em audiência à porta-fechada com ministros do Interior e Defesa

Díli, 10 mar (Lusa) – O Parlamento Nacional de Timor-Leste está reunido à porta-fechada desde as 10:00 locais (01:00 em Lisboa) para ouvir os ministros do Interior e da Defesa, para tratar “assuntos de relevante interesse nacional”, disse à Lusa fonte parlamentar.

A mesma fonte explicou que o debate se centra na situação gerada depois do ataque da madrugada de domingo na esquadra da localidade de Baguia, a 40 quilómetros sudeste de Baucau, a segunda cidade timorense, que feriu quatro agentes policiais.

Entre os feridos estão três elementos do Corpo de Segurança Pessoal do presidente do Parlamento Nacional, Vicente da Silva Guterres, que estava numa casa próxima para um velório de um familiar.

O debate parlamentar tem como único ponto na agenda a audiência ao ministro do Interior, Longuinhos Monteiro, e da Defesa, Cirilo Cristóvão, e poderá resultar na ativação da lei de segurança nacional que prevê o envolvimento conjunto operacional das várias forças de segurança timorenses – policiais e militares.

Uma resolução nesse sentido – cujo texto ainda não é conhecido – foi aprovada numa reunião extraordinária do Conselho de Ministros na segunda-feira.

ASP // JCS

Mauk Moruk nega envolvimento no ataque à esquadra da vila timorense de Baguia

Díli, 10 mar (Lusa) – O ex-comandante da guerrilha timorense Mauk Moruk negou envolvimento no ataque da madrugada de domingo à esquadra da vila de Baguia, mas em entrevista à Lusa confirmou que participaram elementos do grupo que lidera.

“Foram os próprios homens do Vicente que se atacaram uns aos outros. Se eu tivesse ali, na linha da frente, limpava o sarampo aos homens todos porque já fizeram demasiado”, afirmou, numa entrevista à agência Lusa, ao telefone.

“Se estivesse lá dizia que tinha estado. A verdade é que não estive. Quando dou as ordens admito e confirmo. É a minha honestidade e dignidade que prevalecerá. Sou um cristão e não quero mentir”, garantiu.

Apesar disso e depois de insistência da Lusa Mauk Moruk confirmou que nos incidentes estiveram envolvidos membros do CRM (Conselho da Revolução Maubere), organização que lidera.

“Eu já disse mais de uma vez. Isto foi uma questão de batatada entre familiares. Houve problemas, sei que ali estavam alguns elementos do CRM (Conselho da Revolução Maubere), a polícia apoiou o presidente e depois houve uma reação brutal”, afirmou.

“Estávamos preparados para mobilizar cinco mil homens. Mas como percebemos que eram problemas familiares deixamos a coisa”, disse.

Tanto o primeiro-ministro timorense, Rui Araújo, com o ministro do Interior, Longuinhos Monteiro, responsabilizaram Mauk Moruk e os seus homens pelo ataque que causou quatro feridos, na localidade de Baguia, a 40 quilómetros sudeste de Baucau, a segunda cidade timorense.

Entre os feridos estão três elementos do Corpo de Segurança Pessoal do presidente do Parlamento Nacional, Vicente da Silva Guterres, que estava numa casa próxima para um velório de um familiar.

Mauk Moruk, que disse à Lusa estar “numa vila fronteiriça”, garantiu que não se entregará às autoridades timorenses, considerando não reconhecer a sua legitimidade.

ASP // JCS

Família de português preso preventivamente em Timor-Leste inicia campanha nas redes sociais

Posted: 10 Mar 2015 08:47 AM PDT

 

Díli, 10 mar (Lusa) – A família de um cidadão português preso preventivamente em Díli desde outubro do ano passado e contra quem, até agora, ainda não foi formulada qualquer acusação, iniciou hoje nas redes sociais uma campanha de sensibilização para o caso.

A campanha, que pede ainda para que se enviem cartas às autoridades timorenses, refere-se ao caso de Tiago Guerra, que foi detido em Díli, juntamente com a mulher no passado dia 18 de outubro.

Inês Lau, irmã de Tiago Guerra e atualmente a residir no Brasil, é um dos familiares envolvidos na campanha, tendo já enviado uma carta ao primeiro-ministro, Rui Araújo, com conhecimento para o chefe de Estado timorense, Taur Matan Ruak, o chefe do Governo português, Pedro Passos Coelho e para o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário.

Na carta, a que a Lusa teve acesso, Inês Lau manifesta preocupação pela detenção do seu irmão sem que, até ao momento tenha sido feita qualquer acusação.

“Até à presente data, o Tiago continua detido em prisão preventiva em Bécora e a sua mulher está com um Termo de Identidade e Residência, impossibilitada de se ausentar do país”, disse.

“Sabendo que o Tiago, ao fim de cinco meses de detenção, ainda não foi formalmente acusado, nem tão pouco diretamente responsabilizado por qualquer crime por ele cometido, venho manifestar junto de Vossa Excelência a minha profunda preocupação pela situação do Tiago, agravada pelas insuficiências do sistema judicial de Timor-Leste”, escreve.

A irmã de Tiago Guerra apela à “intervenção pessoal” do chefe do Governo timorense para “a breve resolução desta lamentável situação”.

Nas mensagens de sensibilização sobre a situação do Tiago Guerra – que estão igualmente a ser divulgadas através de uma página do facebook – Inês Lau refere que a sua cunhada, Fong Fong Chan, continua impossibilitada de sair de Timor-Leste.

Os filhos do casal estão atualmente “a morar com os avós paternos em Portugal”.

Inês Lau denuncia as condições da prisão onde se encontra o irmão, referindo que está a partilhar uma cela com outros presos, “em débeis condições de higiene (sem água canalizada, cama ou sequer um colchão”.

“Aconselhados pelos advogados e acreditando na justiça e que tudo se resolveria com brevidade, visto o Tiago não ter cometido qualquer crime, pouco fizemos para tornar do conhecimento público esta causa que se tornou humanitária”, disse.

“Ao fim de quase cinco meses damo-nos conta de que nada mudou e de que se nada for feito, o Tiago permanecerá encarcerado indefinidamente, esquecido, inocente, e a sua mulher, Fong Fong, continuará impossibilitada de sair do país. Os filhos sentem muito a ausência dos pais e anseiam para que ambos regressem a casa”, escreve, pedindo que se gere uma “corrente de solidariedade”.

Não foi possível à agência Lusa obter junto do Ministério Público ou da procuradoria-geral timorense qualquer informação sobre o processo de Tiago Guerra.

ASP // FV

GUINÉ EQUATORIAL CRIA POLÉMICA ENTRE PORTUGAL E TIMOR-LESTE

Posted: 10 Mar 2015 08:33 AM PDT

 

A entrada da Guiné-Equatorial na CPLP voltou à cena política por uma razão inesperada: no prefácio aos seus “Roteiros”, Cavaco diz que Timor-Leste se empenhou na adesão e que era impossível dizer que não. O ex-Presidente timorense Ramos-Horta veio dizer que isso é uma “falsidade”.

Luísa Meireles – Expresso
Não era novidade para ninguém, em vésperas da X cimeira da CPLP, realizada em julho do ano passado, em Díli, que a Guiné-Equatorial iria ser aceite na organização, apesar de todas as polémicas.

Os grande apoiantes, Angola e Brasil, estavam de acordo, os países mais pequenos também e Timor, que pela primeira vez organizou uma cimeira da Comunidade, estava entre eles. Por várias vezes Xanana Gusmão, então primeiro-ministro, se deslocou a Malabo, capital da Guiné-Equatorial, com agendas que frequentemente se confundiram entre as da CPLP e a dos interesses de Timor.

Portugal resistira até ao limite. Atrasara o processo de entrada durante duas cimeiras seguidas (2010, 2012) e, finalmente, rendera-se à evidência. Com sete membros da CPLP a votar a favor, a negativa portuguesa podia por em causa o princípio do consenso e, pior, por em questão a sua própria presença.

Já se tinha inventado um roteiro para a Guiné cumprir, colocara-se como condição o uso do português e uma moratória, pelo menos, da abolição da pena de morte e fizera-se a verificação de progressos. Chegado o momento, o Governo rendeu-se às evidências. Perante a ameaça de uma eventual “cisão” na CPLP, isolando Lisboa, avançou. E o próprio Cavaco Silva, o rosto visível do “travão” à adesão da Guiné Equatorial teve de render-se à evidência dos novos tempos.

Trocado por miúdos, é isto que Cavaco afirma no seu prefácio: “Sendo a adesão fortemente apoiada pelos países africanos de língua oficial portuguesa, pertencentes ao mesmo espaço regional que a Guiné Equatorial, a que se juntava o Brasil e Timor-Leste, um veto de Portugal poderia, no limite, pôr em causa a própria sobrevivência da CPLP”. Ora, acrescenta, esta é um “ativo estratégico para Portugal”.

A surpresa em Díli
Cavaco partiu para Díli em perfeita sintonia com o Governo (a tal coordenação de posições em política externa de que também fala no seu prefácio). Timor preparava-se para assumir a presidência da organização e, diz o Presidente, era “a primeira vez que Timor-Leste era chamado a desempenhar uma tarefa de tal dimensão internacional. Tendo existido um grande empenho das autoridades timorenses na adesão da Guiné-Equatorial, um veto português significaria o fracasso da cimeira, com elevados danos reputacionais para Timor-Leste”, tanto mais que a cimeira de Díli era vista como um teste à sua entrada na ASEAN.

Assim foi. Só que, para grande surpresa da delegação portuguesa à chegada a Díli, tudo estava já preparado como se a decisão da adesão da Guiné-Equatorial já tivesse sido tomada. Na reunião prévia dos chefes de Estado e de Governo onde a questão devia ser deliberada, estava reservado um lugar à mesa para Obiang, o chefe de Estado daquele país.

Ao que sabe o Expresso – e foi noticiado na altura – Cavaco levantou a questão e a delegação portuguesa protestou. Obiang teve que ficar retido numa sala ao lado, até ser chamado para responder às questões que o coletivo de dirigentes decidira colocar-lhe. Só depois disso foi formalmente aprovada a entrada da Guiné-Equatorial na CPLP. Quem lá esteve deu conta do embaraço protocolar que tal exigência motivou.

Quando, finalmente, na cerimónia pública, Obiang entrou na sala da reunião dos chefes de Estado e de Governo, fê-lo ao som de música e foi acolhido com uma salva de palmas. As televisões mostraram: Cavaco não bateu palmas e ficou-se a olhar para ao lado.

Cavaco escreve no prefácio: “O insucesso da cimeira seria um golpe nos esforços de Timor-Leste para reforçar a sua credibilidade internacional. Neste quadro, uma questão não podia deixar de ser colocada: como reagiria Timor-Leste em relação a Portugal, encarado como o responsável pelo fracasso da Cimeira [se tivesse vetado a entrada]? Qual o efeito que isso teria sobre a difusão da língua portuguesa em Timor? Surpreende que muitos dos que defenderam ativamente o veto de Portugal à adesão da Guiné Equatorial tivessem ignorado os danos para Timor-Leste de uma tal decisão”.

Ramos Horta protesta agora, dizendo que é uma “falsidade” atribuir a Timor-Leste um papel de relevo no lóbi para a adesão da Guiné-Equatorial à CPLP e considera que essa falsidade “tem sido propagada nos media portugueses desde a Cimeira de Dili de Julho de 2014”.

E acrescenta: “De lembrar que na Cimeira de Luanda de 2010 registou-se um forte embaraço diplomático quando o Presidente da GE, estando presente e confiante que o seu país iria ser admitido, foi humilhado pelo veto de Portugal”. Aparentemente, a história não lhe deu razão.

Ramos Horta, todavia, foi escolhido pelo Presidente timorense Taur Matan Ruak para monitorizar e apoiar a adoção, por parte da Guiné Equatorial, das disposições estatutárias da CPLP, informa Cavaco no seu prefácio. Para já, não se conhece ainda nenhum relatório.

Portugal. AUSTERIDADE SEM FIM?

Posted: 10 Mar 2015 08:18 AM PDT

Pedro Goulart – Mudar de Vida

Apesar da obediência canina do governo PSD/CDS em relação aos centros imperialistas europeu e americano, e depois da festejada “saída” da Troika de Portugal — o fim do tempo do “protectorado”, segundo Portas — continuam as avaliações dos organismos troikanos, onde se tecem considerações e traçam orientações visando condicionar a futura governação do País.
Naquela que foi chamada a primeira avaliação pós-Troika, de Janeiro de 2015, o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que a passagem do salário mínimo português de 485 para 505 euros foi “prematura” e que o valor anteriormente garantido “não estava num nível tão baixo” que necessitasse do actual aumento. Sabendo que Portugal era, em 2013, o quarto país da zona euro a apresentar custos laborais por hora mais baixos, assim como o pouco que se pode adquirir com 485 euros mensais, é caso para perguntar: quem são as bestas que afirmaram que o salário mínimo de 485 euros, em Portugal, não era assim “tão baixo”?

No mesmo relatório, o FMI defende que os cortes salariais da função pública devem ser mantidos pelo maior prazo possível, até que os esforços de consolidação estrutural estejam concluídos. O Fundo também considera fundamental uma nova redução do número de funcionários públicos através de programas de rescisões amigáveis e do regime de requalificação (mobilidade especial), assim como ”poupanças mais ambiciosas de redução ou eliminação de suplementos salariais” no sector público. Além disso, considera que a reforma estrutural das pensões deve ser retomada.

Apesar dos desafios legais e da pressão política devido à proximidade das eleições legislativas, o relatório defende que o Governo deve avançar com medidas no curto prazo “para conter os custos salariais e de pensões”. Assim como com “poupanças mais ambiciosas de redução ou eliminação de suplementos salariais” no sector público.
O Fundo reitera a crítica feita pela Comissão Europeia no seu relatório de Dezembro, afirmando que Portugal continua “com desafios significativos” e que as reformas perderam gás depois da saída da Troika. Salienta, ainda, que a reversão de políticas adoptadas, quer por decisão política quer por imposição legal, é principal risco interno para para o avanço com as reformas necessárias e adverte que até às eleições podem aumentar as “tentações por políticas populistas”.

Contudo, esta austeridade sem fim à vista que as diversas instituições da Troika preconizam e pretendem impor, dirige-se sobretudo às classes trabalhadoras e ao povo em geral. Paraa Banca e para os grandes capitalistas ficam os lucros e a acumulação de capital. Também, e certamente, daqui resultaria uma Europa meridional reservada como região de força de trabalho mais barata, de subcontratação e turismo.

As responsabilidades dos técnicos da Troika e dos governantes locais

Se, com estes resgates, os dirigentes imperialistas têm as responsabilidades maiores na opressão e exploração das classes trabalhadoras e dos povos, os governantes locais — neste caso os governos de centro-direita, em Portugal — e os técnicos das organizações internacionais que elaboram as avaliações (quanto ganham estas bestas que consideram bastante um salário mínimo de 485 euros?) mantêm também altas responsabilidades. Os técnicos da Troika não são meros funcionários que se limitem a cumprir funções burocráticas. São mercenários do capital que, através de análises pseudo-científicas e das medidas indicadas como indispensáveis, e em cumplicidade com os governos locais, procuram impingir às classes trabalhadoras e aos povos as exigências do patronato. Uns e outros são corresponsáveis pelos crimes de espoliação que, nos países “ajudados”, se têm traduzido num enorme sofrimento para milhões de seres humanos.

Portugal. FASCISTAS DO PARTIDO SOCIALISTA QUEREM MUSEU PARA SALAZAR

Posted: 10 Mar 2015 07:28 AM PDT

Bocas do Inferno

Mário Motta, Lisboa

Mário Soares, Manuel Alegre e outros do Partido Socialista, como António Costa, deviam borrar as caras de negro antes de abrirem a boca sobre o denominado, mas falso, Partido Socialista. Deviam ter a dignidade de labutarem ferozmente pela purga de fascistas e neoliberais-profascistas que abundam no partido. Ou isso ou demitirem-se. Sob pena de se não o fizerem estarem a aldrabar aos portugueses quando referem o Partido Socialista. Que são de esquerda, como tanto propalam. O que parece é que já nem sabem o que é ser de esquerda. São tão de esquerda e socialistas quanto o recente exemplo do autarca de Santa Comba Dão. Um admirador salazarista que pugna pelo Museu de Salazar naquela terra de má memória, que foi berço do fascista e torcionário ditador que enfernizou a vida a milhões de portugueses.

O jornal i aborda exatamente a luta dos fascistas santacombenses, militantes do falso Partido Socialista incluídos. Um museu salazarista só teria cabimento sob a janela histórica de quanto o fascista Salazar torturou Portugal e assassinou portugueses. Salazar representa um regime hediondo que decerto não será mostrado no museu criado pelos seus aduladores. Santa Comba Dão devia ter vergonha por ter parido aquele terrível ditador, em vez do orgulho que ostenta ao ponto de pretender criar um museu. Devia excomungar Salazar, em vez de o querer perpetuar e homenagear. O mal que fez a Portugal e aos portugueses nunca será esquecido ou perdoado pelas famílias dos antifascistas que lutaram contra o tenebroso regime salazarista. Nem mesmo as famílias dos que não lutando abertamente era categóricos descontentes e opositores secretos que só não saíam à luz do dia por temerem a PIDE, a polícia polícia assassina que servia o salazarismo fascista.

Mais ainda que atualmente a fome e a miséria grassava em Portugal. A repressão era gigantesca. Portugal pertencia a meia-dúzia de famílias eleitas e protegidas por Salazar. Famílias negreiras que exploravam os trabalhadores portugueses com base em princípios esclavagistas que nos campos e nas fábricas os levavam a trabalharem de sol a sol para conseguirem uma minúscula côdea de pão. Foi verdade, uma sardinha tinha de ser suficiente para três pessoas… com essa côdea de pão. Salazar era o criador de um Portugal negro, atrasado em todos os aspetos, gerador do analfabetismo, proibitivo da aquisição do conhecimento que abundava pelo mundo ocidental democrático mas que estava proibido de ser divulgado em Portugal. Paraisso existia a censura nos jornais, nos livros, no cinema, no teatro, nas artes de um modo geral.

A estupidificação e analfabetismo político que ainda existe em Portugal deve-se ao salazarismo. É por isso que salazaristas da modernidade, como Cavaco Silva, Passos Coelho ou Paulo Portas, são eleitos e se mantêm nos poderes de mão dada com banqueiros criminosos e grandes empresários da mesma estirpe. Com corruptores e corruptos. É devido aos chamados brandos costumes incutidos pelos salazaristas que o povo português está numa espiral de retrocesso ao passado negro que é motivo de orgulho dos de Santa Comba Dão e do Portugal ignorante que é fascista sem dar conta disso. Vai daí dizem-se democráticos, cristãos na democracia, sociais democratas, socialistas. Dizem-se e pensam que são. Tal é o grau de embrutecimento que o salazarismo impingiu aos seus pais e se tornou genético. Por isso são como são. Por isso consideram dever um Museu a Salazar onde certamente enaltecem o maior responsável pelo atraso a que Portugal ainda está votado. Enaltecem não só um fascista mas também um criminoso que já foi e continua a ser julgado e condenado pelos que viram suas famílias perseguidas, que ainda eram jovens se sentiam perseguidos e tinham bem presente que todo o cuidado era pouco para não caírem nas garras da polícia política, a PIDE, os assassinos a soldo de Salazar. Que os encarcerava nas prisões da ditadura depois de torturados e voltarem a ser torturados. Quando não eram assassinados.

E é destes aduladores fascistas que o Partido dito Socialista está a ser composto sem oposição interna. Nem mesmo daqueles que combateram o fascismo salazarista e foram perseguidos e presos por esse regime. A pouca vergonha no dito PS mostra o que vem de trás com Mário Soares e outros em perfeita sintonia com aqueles que travaram o processo democrático, a independência e revolução despoletada em 25 de Abril de 1974.

Estamos esclarecidos. Afinal são todos uns vendidos ao grande capital. Não é por acaso que foram para a política, para ministros, deputados e etc. Com o fito de enriquecerem. E enriqueceram. Enquanto os portugueses receberam e recebem migalhas.

Disse, com verdade, Maria José Morgado, da Procuradoria-Geral da República: “Há políticos pobres que ao fim de uns anos estão milionários.”

Como é dito no texto de Pedro Rainho, no jornal i, que pode ler a seguir: “A decisão de avançar com a obra é de um socialista. Câmara vai pedir apoios a Bruxelas”.

Bruxelas vai financiar maioritariamente um espaço saudosista e de homenagem ao tenebroso ditador e assassino de tantos portugueses e cidadãos das ex-colónias?

Não será para admirar. São muitos os fascistas que se sentam no Parlamento Europeu sob as falsas vestes de democratas. São muitos os que ocupam cargos relevantes nos vários organismos da UE.

Democratas? Socialistas?

Autarca socialista pede apoios a Bruxelas para Museu Salazar

Pedro Rainho – jornal i

A decisão de avançar com a obra é de um socialista. Câmara vai pedir apoios a Bruxelas

A primeira parte do museu Salazar abre portas, no máximo, dentro de dois anos. O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, Leonel Gouveia, assegura ao i que se trata de um “projecto prioritário” para a autarquia, numa altura em que o município já se prepara para apresentar uma candidatura a fundos comunitários para financiar a intervenção.

Na rua Prof. António dr Oliveira Salazar, a via principal que atravessa o Vimieiro, estão alinhadas lado-a-lado a casa onde o antigo governante nasceu, o espaço onde “aprendeu as primeiras letras”, uma antiga casa para visitas e mais uma casa onde viveu, e que agora está ocupada pelo sobrinho-neto Rui Salazar. Metros acima está a escola de largas paredes de pedra onde Salazar fez a instrução primária. Apenas esta pertence inteiramente ao município e é por aqui que o projecto vai arrancar.

O espaço serviu de escola até 2009 – nas janelas ainda estão as colagens de trabalhos dos antigos alunos da terra. Agora, de portas fechadas, o destino passa por albergar a “primeira fase” da casa-museu. “A ideia é criar um centro interpretativo” quer da figura de Salazar quer do período do Estado Novo, diz Leonel Gouveia.

O projecto, longe de ser consensual, é desejado por muitos habitantes do Vimieiro e das localidades em volta. No Rojão Grande, a poucas centenas de metros da rua onde ficará o museu, os clientes do Café Ideal já tinham posto em marcha uma simbólica recolha de donativos. Pretendiam, com isso, contornar o eventual argumento da falta de verbas que a autarquia pudesse apresentar para justificar a falta de avanços no projecto.

Os receios parecem ser infundados. O presidente da câmara garante que a casa-museu é “um projecto prioritário a que dará toda a força e apoio” e, com vista a uma candidatura já ao próximo quadro comunitário, um historiador e um arqueólogo estão neste momento a fazer o trabalho de casa. “A escola tem condições para  servir de início ao projecto”, considera a autarquia.

Até ao Verão deverá ser possível apresentar a candidatura aos fundos comunitários. A “intervenção ao nível da remodelação dos espaços”, adaptando a escola às características de um museu, mas também o “recurso a novas tecnologias” audiovisuais arrancará assim que as verbas forem desbloqueadas. “Está nos nossos planos concluir esta primeira fase até ao final do mandato”, refere Leonel Gouveia. Na prática, até 2017, as portas do museu estarão abertas ao público.

A intervenção nos restantes edifícios ficará para uma fase posterior, quando a câmara estiver na posse de todo o espólio de Salazar. Em 2006, Rui Salazar doou ao município o terço da herança que lhe coube por direito. Os outros dois terços continuam com o irmão do sobrinho-neto do antigo governante, e o actual executivo até já teve reuniões com o segundo herdeiro para abordar a doação, mas “ainda não houve entendimento a esse nível”.

De resto, só quando tiver todos os edifícios na sua posse, a autarquia poderá pensar em alargar a casa-museu a mais espaços, mas enquanto isso não acontece as casas vão apresentando sinais evidentes de degradação. O telhado da casa onde Salazar nasceu, por exemplo, há meses que ameaça ruir. Mantém-se no sítio graças a uma trave que impede o colapso. “Estamos a intervir nos espaços onde o nível de degradação é mais visível”, ressalva o autarca.

A defesa de um projecto como a casa-museu de Oliveira Salazar tem um peso político difícil de ignorar. André Alves, um dos principais dinamizadores do Grupo de Admiradores de Oliveira Salazar (GAOS), garante que o autarca que tomar a decisão de abrir as portas do museu “nunca mais de lá sai”, numa referência ao apoio que a população dá ao projecto. Mas, internamente, a decisão de avançar levanta ondas no partido. Mesmo assim, o socialista não desarma. “Santa Comba Dão tem essa figura da história e temos que a valorizar e dar a conhecer aos portugueses”, diz.

Portugal. ANTÓNIO VITORINO (PS) OCUPA CARGOS EM 12 EMPRESAS

Posted: 10 Mar 2015 04:42 AM PDT

Ana Sá Lopes – jornal i

António Vitorino tornou-se sócio da empresa Cuatrecasas quando ainda era deputado, em 2005. O seu currículo empresarial rivaliza com o político, o que perturba o objectivo Belém

Dias antes de decidir demitir-se do PS por causa do episódio dos “chineses”, Alfredo Barroso insurgiu-se contra o apoio do PS a uma possível candidatura de António Vitorino a Belém: “É um facilitador de negócios”, escreveu no Facebook. “É o Proença de Carvalho do PS”, afirmou ao i.

A acumulação de António Vitorino de uma uma série de cargos de topo em várias empresas, discriminados na página ao lado, é a sua “menos-valia” numa candidatura presidencial. A separação entre política e negócios não foi apenas o mantra da campanha de António José Seguro nas primárias – propositadamente afirmada para atingir Sócrates e as suspeitas que se avolumavam à volta do ex-primeiro-ministro. Muitos socialistas que votaram no actual secretário-geral, António Costa, não se revêem no currículo de Vitorino para corporizar uma candidatura presidencial apoiada pelo PS.

Portugal. ENIGMAS PRESIDENCIAIS

Posted: 10 Mar 2015 04:26 AM PDT

Inês Cardoso – Jornal de Notícias, opinião

Se Portugal vivesse ainda em regime monárquico, Cavaco Silva poderia ser eternizado com o cognome de “quebra-cabeças”. Se interpretar os seus longos silêncios em períodos de turbulência, nos últimos oito anos, nem sempre foi fácil, o chefe de Estado tem apurado igualmente a habilidade para dizer o que diz não dever ser dito.

Sobre as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social, pronunciou-se salientando que “um presidente da República de bom senso não deve entrar em lutas político-partidárias”. Leitura correta, não fosse o caso de ao mesmo tempo dizer que as referidas controvérsias “já cheiram a campanha eleitoral”, com isso minimizando e esvaziando a situação concreta de incumprimento por parte do primeiro-ministro.

Um presidente de bom senso também sabe que não deve indicar o perfil do seu sucessor, mas Cavaco Silva considera que os puzzles são brinquedos pedagógicos e ontem libertou algumas peças para que comentadores e jornalistas se entretenham a ver que nomes resultam do jogo. O futuro inquilino de Belém deverá ter “experiência” no domínio da política externa, bem como formação e capacidade para analisar os dossiês relevantes para o país.

Para alguns analistas, de fora do perfil traçado ficariam Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa. Mas como bons quebra-cabeças admitem várias respostas, houve também quem lesse na declaração um apoio a Marcelo – incluindo o próprio. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros achou bem ver sublinhada a importância da política externa, mas apressou-se a excluir-se do círculo de possíveis candidatos.

O que não se ouviu ninguém dizer é que a declaração de Cavaco Silva pudesse ser lida como inequívoco apelo à escolha de Rui Rio, o que é claramente uma falta de visão estratégica quanto a quebra-cabeças. Se o presidente da República esvaziou em tantos momentos do mandato as funções presidenciais, se os seus índices de popularidade caíram a níveis tão baixos e lhe faltou assertividade, parece evidente que Cavaco terá querido apontar alguém diferente de si mesmo – portanto, o contrário do que disse. Sorte que os quebra-cabeças contam pouco nas próximas eleições presidenciais.

Portugal. Peticionário pela demissão de Passos Coelho pede debate no Parlamento

Posted: 10 Mar 2015 03:48 AM PDT

 

O promotor de uma petição pública eletrónica para a demissão do Governo PSD/CDS-PP, devido à polémica com a carreira contributiva do primeiro-ministro, pediu diretamente à presidente da Assembleia da República para levar o assunto a plenário

Segundo o próprio Luís Moreira, militante do BE, mas que frisa tratar-se de uma iniciativa sem qualquer “âmbito partidário” ou “chancela de qualquer partido ou movimento, com ou sem assento parlamentar”, o documento “conta, neste momento, com a força bruta dos números”: em menos de uma semana ultrapassou 17.500 apoiantes.

“Venho pela presente, e na qualidade de autor e primeiro signatário da petição, solicitar a V.Exa., atendendo à simples expressão numérica da indignação que grassa pelo país, que torne esta petição merecedora da sua melhor atenção, bem como que promova o seu registo e apresentação para debate na casa cujos destinos superiormente orienta”, lê-se na missiva enviada à segunda magistrada de Portugal.

Luís Moreira destaca na mensagem que as assinaturas coligidas são “mais de quatro vezes o número exigido para apresentação à Assembleia da República (4.000), duas vezes o número exigido para a legalização de um partido político e para a apresentação de uma candidatura à Presidência da República (7.500)”.

A legislação estipula que “qualquer petição subscrita por um mínimo de 1.000 cidadãos é, obrigatoriamente, publicada no Diário da Assembleia e, se for subscrita por mais de 4000 cidadãos, é apreciada em plenário da Assembleia”, embora o texto em causa se dirija a Cavaco Silva.

Aquelas iniciativas têm de ser apreciadas pelas comissões parlamentares competentes, as quais devem produzir um relatório em 60 dias, incluindo a proposta das medidas julgadas adequadas, nomeadamente aos ministros respetivos e outras entidades.

A petição promovida pelo engenheiro de 52 anos intitula-se “Demissão imediata do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho” e cita ainda vários artigos da Constituição da República Portuguesa para justificar o seu objetivo.

Lusa, em Notícias ao Minuto

Nota PG: A petição tem neste momento (10:47) 17.835 assinaturas.

ASSINE A PETIÇÃO

EXPRESSO CURTO, MORNO, COM ALERTA SOBRE DOUTORES BANDIDOS

Posted: 10 Mar 2015 03:33 AM PDT

 

Por uma questão de boa educação quase sempre começamos com um bom dia. Hoje não dizemos isso. O Expresso Curto está servido com esses tais bons dias inclusos. Chega de bons dias quando sabemos que a vida em Portugal é uma grande seca e um coio onde se alapam os que nos esmifram até ao tutano os dias bons que podiam ser bons dias.

No Expresso Curto, hoje servido por Pedro Santos Guerreiro, ele fala de eleições. Da corrida a Belém e dos que se julgam presidenciáveis para substituir o desastre nacional que é Cavaco Silva. Essas eleições só terão lugar daqui por quase um ano. Antes vão acontecer as legislativas e será aí que os portugueses terão a grande oportunidade de mudar de vida, dando um pontapé nos traseiros de Passos Coelho e Paulo Portas – que se vão coligar numa aliança que lhes garanta a continuidade no saque a Portugal e aos portugueses. Será nessas eleições que nos devemos agora concentrar, o resto é folclore com bailarinos do tipo Marcelo Rebelo de Sousa e Santana Lopes. Tipos que não se cansam de mostrar as carantonhas quase em todo o lado. Ligamos os televisores e lá estão eles. Pegamos num jornal ou revista e lá estão eles. Ligamos o rádio e lá estão eles. Pegamos no rolo do papel higiénico para limpar o traseiro… e lá estão eles! Estão em todas!

Assim cansa. Ou nem vão candidatar-se ou nem vão ter votos. Começaram cedo demais e o resultado vai ser um desastre. Não desastre maior que se Cavaco continuasse em PR mas semelhante. Quer Marcelo, quer Santana, são mais do mesmo, com vantagens na ausência de dislexia e na estupidez natural que sobressai em Cavaco. Para além das crises de ganâncias e opacidades do camurso alapado em Belém.

Não vale. Esta prosa já vai a mais e ainda é cedo para isto. Fique com este Expresso Curto… morno. Até amanhã e cuide-se. Eles andam por aí no saque. Cuidado. Confundem-se facilmente com todos nós, até parecem cidadãos normais. Mas não são. Têm cursos superiores de bandidos. Doutores bandidos. Muito cuidado.

Obrigado, tio Balsemão Bilderberg, por este cafézinho.

Redação PG

Bom dia, este é o seu Expresso Curto

OS HOMENS DO PRESIDENTE

Pedro Santos Guerreiro, diretor executivo

O PSD que olhe para a Maia, onde Belmiro de Azevedo olhou para o Bloco de Esquerda e propôs que a Sonae passe a ter dois presidentes. Desde que não seja Zeinal Bava e Henrique Granadeiro, talvez funcione. Ou Marcelo e Santana, que têm em comum o amor pelo partido, o amor por deitar tarde e o amor pela Presidência. Dividirem o palácio de Belém seria inovador: um governo, uma maioria, dois presidentes…

A corrida à corrida a Belém está a transformar-se numa comédia, como se viu pelo afã com que Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes se consideraram presidenciáveis, numa interpretação criativa do que pensa Cavaco Silva. Depois de ter falhado em 2013 uma proposta de acordo entre PS, PSD e CDS para um governo de Salvação Nacional, o Presidente dedicou parte do prefácio do seu livro Roteiros deste ano a desenhar o perfil do seu sucessor. Um tomo que, segundo o Nicolau Santos, ficará “muito bem na estante a criar pó”. Se Marcelo comentasse Marcelo diria que Marcelo soltou a franga; se Santana comentasse Santana diria que Santana anda por aí à procura de vir para aqui. Como diria Herman José nos anos 90, “eu é que sou o presidente da junta de salvação nacional”.

Presidente foi Belmiro de Azevedo, quase desde o princípio até quase ao fim da sua carreira de quase 50 anos, que agora parece chegar ao fim. A proposta de que Paulo Azevedo e Ângelo Paupério dividam a presidência executiva da Sonae parece ser na prática duas passagens de testemunho: a de Belmiro para Paulo como “chairman” (presidente não executivo); a de Paulo para Paupério como “CEO” (presidente executivo). Paupério é um histórico da Sonae e já em 2007 fora uma das hipóteses para a liderar.

A fotografia na primeira página de quase todos os jornais de hoje não é quem entra, é mesmo quem sai: Belmiro de Azevedo. Aos 77 anos, o gestor “não quer nem sabe estar quieto”, diz o editorial do Diário Económico. No DN, Fernando Câncio traça o perfil do presidente. Deste, não do outro: Belmiro, “o filho da costureira e do carpinteiro que fundou uma dinastia”.

Belmiro não é a única fotografia nas primeiras páginas do dia. O Correio da Manhã noticia que, em cinco meses, o Novo Banco descontou 13 milhões de euros para as pensões da equipa de Ricardo Salgado. Estes descontos agravaram os prejuízos do banco, que foi o mais perdulário de todos num ano em que, dos grandes, só o Santander teve lucro. No Expresso Diário, somámos: os prejuízos da banca em 2014 foram de mil milhões de euros. E isto sem contar, claro, com a anormalidade das perdas semestrais de 3,6 mil milhões com que o BES se despediu de nós em julho.
Hoje, Faria de Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, vai ser ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Espírito Santo. Uma aposta que vai dizer que o grande desafio da banca é a rentabilidade?

O Bloco de Esquerda quer que nem mais um BES (nem mais um BPN, um BPP, um Banif, um BCP) nos ameace e fez uma proposta “para acabar com a promiscuidade na banca”. A proposta de Mariana Mortágua e Catarina Martins é simples: os bancos devem deixar de poder vender títulos que financiem grupos económicos com que tenham relações. Assim o BES não teria vendido papel comercial do GES. Segundo o Diário de Notícias, também o PSD e o CDS hão de apresentar propostas, no sentido de “apertar o cerco aos conglomerados mistos, como o GES, delimitando os negócios cruzados.”

Quem nunca tinha ouvido falar do BES era Marc Roche, autor de “Banksters – Uma Viagem ao Submundo dos Banqueiros”, que esteve em Lisboa para apresentar a obra. Como Cavaco, também Roche escreveu um prefácio, mas sobre o colapso do BES. Roche deu uma longa entrevista ao Expresso, que será publicada hoje no Diário. Para abrir o apetite: os banqueiros escapam sempre, só os traders, os “soldadinhos” nos computadores, ou os bodes expiatórios são julgados e encarcerados; os reguladores também escapam ao juízo, saem por uma porta e entram por outra, diz.

OUTRAS NOTÍCIAS
Está tudo doido a falar das novidades da Apple, apresentadas ontem, o que confirma o talento da empresa para ter grande visibilidade mediática sem gastar um tostão em publicidade. O grande foco de atenção é o Apple Watch, o relógio com que até poderemos falar: “Estou à espera disto desde os cinco anos”, disse o presidente, Tim Cook. Também os finíssimos computadores Notebook foram apresentados: “Só não são leves é nos preços”. Estes portáteis podem ser o futuro, mas não o presente, qualifica o The Verge.

Berlim mostra o seu crescente mal-estar com o Syriza, mas o Eurogrupo continua a negociar com a Grécia, mas agora são “questões técnicas” sobre como implementar o acordo de princípio já firmado na semana passada. Maria Luís Albuquerque diz que estamos na mesma, como a 20 de fevereiro, mas o ministro estrela do encontro de ontem voltou a ser o grego Yanis Varoufakis, que aliás não cumprimentou a ministra portuguesa, “uma vez que ficou sentado do outro lado da sala”.

Dois helicópteros chocaram na Argentina nas filmagens de um “reality show”. Todos os que viajavam morreram: dois pilotos argentinos e oito passageiros franceses, incluindo os desportistas medalhados Florence Arthaud, Alexis Vastine e Camille Muffat.

Nicolás Maduro pediu ao parlamento venezuelano para legislar contra a ameaça imperialista americana. É a reação à decisão de Obama de considerar a Venezuela uma ameaça à segurança nacional.

A Liga Portuguesa contra o Cancro é a entidade preferida pelos contribuintes na consignação de parte da colecta do IRS e donativo do benefícios social do IVA, noticia o Negócios. Ao todo, as Instituições Particulares de Solidariedade Social vão receber este ano 12,7 milhões.

Os encargos líquidos do Estado com parceiras público-privadas dispararam quase 60% no ano passado, para 1,544 mil milhões de euros, revela o Público. O valor está dentro das previsões, que foram refeitas para acomodar diversas derrapagens.

FRASES
“Consegue ou não o Partido Socialista, sob a liderança de António Costa, modernizar-se, e afirmar-se como mais liberal (essa palavra para alguns maldita) e reformador”?, pergunta António Carrapatoso no Observador.

“O próprio Cavaco pode servir como referência [para o perfil do próximo Presidente da República]. É com atenção como ele faz. E fazer diferente”,Bartoon, no Público.

“O que Cavaco Silva não percebeu foi que esta simples distração [de Passos Coelho com os seus descontos para a Segurança Social] faz ruir a caixa-forte ideológica deste Governo”, Fernando Sobral, no Negócios.

“O caso Tecnoforma é mais grave do que o caso da Segurança Social. O caso PT é mais grave do que o caso Tecnoforma. O caso BES é mais grave do que o caso PT. E o caso Sócrates, a provar-se, é o mais grave deles todos.” João Miguel Tavares, no Público.

“Os banqueiros estão acima da lei”, Marc Roche, na Rádio Renascença

O QUE EU ESTOU A LER
“O meu namorado do Estado Islâmico: a vida oculta de uma repórter com um terrorista” (tradução livre) é a história de Anna Erelle, jornalista parisiense de 32 anos, que criou o perfil falso de “Melodie” nas redes sociais para entrar em contacto com guerrilheiros no Daesh, o auto-proclamado Estado Islâmico. Algum tempo depois, começou a “namorar” à distância com Abou-Bilel, um jiadista na Síria. “Quando aqui chegares, serás tratada como uma princesa”, escreveu-lhe. A relação evoluiu ao ponto de “Melodie” se tornar conhecida na comunidade online. No final, desmascarada, ficou ameaçada de morte: “Irmãos de todo o mundo: se a virem, matem-na”, escreveram. A história vem contada no New York Post.

As “noivas da Jihad” são um fenómeno crescente, com centenas de mulheres a voarem para a Síria desde a Europa para se casarem com guerrilheiros jiadistas que nunca viram. No sábado, houve notíciapela primeira vez de uma mulher morta em combate: Ivana Hoffmann tinha 19 anos.

Não é um fim muito bem disposto da newsletter de hoje, concedo, o mundo é o que é e a vida está como está. Mas o sol em Portugal também brilha como brilha, neste março de adeus ao inverno. Amanhã estará aqui o Martim Silva para lhe servir seu o Expresso Curto.

Tenha um dia bom.

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