Casa de Rui Barbosa lança obra com as origens da língua portuguesa

Edição do dia 21/10/2014
21/10/2014 21h18 – Atualizado em 21/10/2014 21h19
Casa de Rui Barbosa lança obra com as origens da língua portuguesa
Pesquisadores fizeram um levantamento de como eram escritas as palavras da língua portuguesa há mais de 500 anos. Obra não está à venda.

Pesquisadores brasileiros fizeram um levantamento de como eram escritas as palavras da língua portuguesa há mais de 500 anos. No Rio de Janeiro, a Casa de Rui Barbosa, um dos centros de pesquisa mais importantes da nossa língua, lançou uma obra que parece um dicionário e traz as origens do nosso idioma.
Vamos começar com uma “pregunta”: em que língua está escrita a frase mostrada no vídeo? Parece português, mas tem palavras muito diferentes.
“Parece português…”, diz uma menina.
“Parece latim, não sei”, conta uma mulher.
“Grego?”, pergunta uma jovem.
“Acho que não é língua nenhuma, acho que é uma invenção”, afirma uma mulher.
Jornal Nacional: Isso aqui é português medieval, de antigamente.
Senhor: Ah, é?
O português dos primeiros navegadores, que chegaram ao Brasil em 1500, mudou muito nesses mais de cinco séculos, tanto na forma falada quanto na forma escrita. É difícil até entender a letra daquela época. Isso se transformou numa barreira para compreender o que faziam e o que pensavam essas pessoas que ajudaram a nos formar. Mas graças ao trabalho de um grupo de pesquisadores, a partir de agora é possível conversar com o passado.
Quando o vocabulário do português medieval começou a ser feito, computadores eram artigo raro. O pesquisador Cláudio Mello Sobrinho foi um dos que anotaram as palavras, uma por uma. “Foi o enfrentamento de um texto escrito em caracteres absolutamente estranhos”, conta.
A pesquisadora Ivette Savelli reuniu tudo num arquivo que guarda até hoje. Fichas, gavetas, um método que os jovens de hoje poderiam chamar de “medieval”.
Eles levaram 35 anos para juntar 170 mil palavras e vencer muitos desafios. Uma palavra simples, “amigo”, por exemplo, aparece escrita de 18 maneiras diferentes.
“Olhar a língua no seu passado, no seu presente e no seu futuro, é como se você pegasse um álbum de família, em que você, tão distante do seu bisavô ou tetravô, você vê nele certas características que aparecem no seu filho”, afirma Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras.

A obra não está à venda. Os mil exemplares desse trabalho pioneiro já foram encomendados por universidades de vários países. São 4.282 páginas, para nenhuma “pregunta” ficar sem “reposta

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