EDUARDO BETTENCOURT PINTO uma palavra no regaço de abril:

A PALAVRA

Deixo cair uma palavra no regaço de abril: é uma semente. Podia ser a primavera mas esta vem devagar, soturna, a tropeçar na chuva. Há uma visão de sombras no centro do verde onde cai. A palavra arrasta-se pelo chão como um país apedrejado. Não é um poema nem um grito mas o silêncio de um homem frente à janela. Perco a palavra como uma gaivota as asas sobre o mar. Afunda-se na escuridão. Os meus dedos ajudam-na a cantar por um momento entre as colunas de mais uma noite sem templos.

[EBP]

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lusofonias.net

Chrys Chrystello jornalista, tradutor e presidente da direção e da comissão executiva da AICL