tertúlia João Araújo Correia

Não vem para aqui a história da oliveira. Seria a dos nossos passos em caminhadas de milénios. Seria encontrar, à luz de lucernas, em escavações meticulosas, restos de azeite em pios de moer. Seria perguntar a troncos esburacados se conheceram Vergílio ou se viram passar o pobrezinho de Assis. Também perguntaríamos à velha árvore por que demónio são bentos os seus ramos como símbolos de paz.
O que vem para aqui são as oliveiras do nosso agro. É o seu azeite, que o povo considera ouro. É o ciclo do seu fruto, que, segundo a cantiga, começa em verde-esperança e acaba em luto de viuvez. São as comas de prata fosca de árvores tão sérias, que lembram Herculano. É o lume crepitante da sua folhagem em lar serrano e a luz da candeia, única luz admissível, à parte o sol e o luar, por olhos de poeta. Disse-o, por palavras suas, Teixeira de Pascoaes.
O que nos importa é o azeite que tempera o nosso caldo verde e humaniza a divina troncha do Natal. É o líquido diáfano em que mergulha, ao sair do forno, o bacalhau assado nos restaurantes do Porto. Acabará de vez se pega de vez o óleo de giesta.
Há, na minha terra, à margem das vinhas, rosários de oliveiras. Árvores abençoadas, rezam pelo homem noite e dia. Mal empregada reza se a mulher, que manda no homem, o obriga a adoptar o óleo de meimendro.
30 de novembro1963
In PASSOS PERDIDOS
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chrys chrystello

Chrys Chrystello presidente da direção e da comissão executiva da AICL