SEIXAS DA COSTA FIGURAS NACIONAIS EM ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS

in diálogos lusófonos

Portugal deve promover figuras nacionais em organizações internacionais – Seixas da Costa

Quarta-Feira, 21 Novembro de 2012
O embaixador de Portugal em França defende que o país deve promover a “colocação de figuras nacionais” em cargos de destaque em organizações internacionais, para investir na “imagem do país”. Francisco Seixas da Costa, que cessa funções como diplomata em Paris no fim de janeiro de 2013 e será a partir de fevereiro, diretor executivo do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, em Lisboa, diz, por outro lado, que a promoção da língua portuguesa em França ficou “aquém” das suas “ambições”.

Numa entrevista à Agência Lusa, Francisco Seixas da Costa afirmou que “a esmagadora maioria das pessoas conhece Portugal, mas sabe pouco” sobre o país, defendendo que, “por isso, torna-se muito importante que a representação (de Portugal) no exterior passe uma imagem positiva”.  “Quando nós temos como presidente da Comissão Europeia um português (Durão Barroso), quando nós temos (um português) como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados (António Guterres), quando nós temos um alto representante para a Aliança das Civilizações (Jorge Sampaio), quando temos o vice-presidente do Banco Central Europeu (Vítor Constâncio), tudo isto são fatores que funcionam como elemento de prestígio para Portugal”, exemplificou.
“O facto de o nome de Portugal estar ligado ao exercício de funções prestigiantes no quadro internacional é um elemento que nos ajuda a melhorar a imagem”, defendeu o embaixador, acrescentando que Portugal “deve e pode promover uma ação de colocação de figuras nacionais em lugares importantes nas diversas áreas”. O diplomata destacou ainda a necessidade de, depois, se “manter com esses funcionários e com essas entidades uma relação que também seja benéfica para Portugal”.
Na sua perspetiva, a diplomacia portuguesa é “uma espécie de almofada de continuidade, e que está ao serviço da política externa (do país)”. Assim, mesmo com as mudanças de Governo, e apesar de “algumas variações, aqui e ali, é a diplomacia portuguesa (que garante) alguma coerência global à imagem externa do Estado português”. “Portugal está no meio de uma crise complexa sob o ponto de vista da sua dívida ao exterior e não foi isso que abalou as possibilidades de ser eleito para o Conselho de Segurança das Nações Unidas”, exemplificou.

Língua “aquém” das “ambições” 
Sobre o seu trabalho em França, Francisco Seixas da Costa considera que o trabalho de proteção e promoção da língua portuguesa ficou “aquém” das suas “ambições”. “Se olhar para trás, e olhando para aquilo que eram as minhas ambições, o resultado ficou aquém. Não pude, de facto, levar à prática o salto em frente que tinha pensado ser possível”, disse à agência Lusa Francisco Seixas da Costa.
Quando chegou a Paris, em 2009, o diplomata assumiu a questão da defesa da língua portuguesa como “cavalo de batalha”. Mas pelo caminho, conta, encontrou alguns obstáculos. “Em primeiro lugar, nunca foi possível criar, no quadro global dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), um trabalho organizado – porque esse trabalho não existe também à escala mundial -, que (permitisse) promover em conjunto a língua portuguesa”, explicou. Por outro lado, acrescentou, começou a tornar-se evidente que “a promoção da língua portuguesa não está nas prioridades das autoridades francesas”, ora devido a “pressões que têm a ver com o politicamente correto”, ora a “um conjunto de aspetos de natureza comunitária mais prementes, em relação a outro tipo de comunidades estrangeiras”.
Isto, sublinhou, “não obstante o esforço fantástico que muitas pessoas dentro da administração pública francesa que têm responsabilidades no ensino da língua portuguesa têm procurado fazer”. “Globalmente, sinto alguma frustração pela circunstância de não se ter avançado muito mais”, afirmou, lembrando que a este cenário se juntou “uma restrição do número de professores que o Estado português disponibiliza para o ensino primário francês”, no quadro de “uma restrição que atingiu globalmente toda a ação externa e interna” portuguesa.
Como ponto mais positivo do trabalho no seu último posto diplomático no estrangeiro, Francisco Seixas da Costa destacou a economia: “Se há um fator de (confiança) neste ambiente de crise é a atitude otimista que eu tenho recolhido por parte dos empresários portugueses que para aqui vêm”, afirmou. “A França, que é o nosso terceiro cliente, é um caso de sucesso nos últimos anos. O turismo para Portugal aumentou exponencialmente nesses anos. Na parte comercial estamos com um ‘superavit’ histórico. (Isso) indicia um bom trabalho da parte das empresas portuguesas aqui em França”, acrescentou. Entre o que fica por fazer, o embaixador cessante destaca a “reconstituição de uma unidade na área cultural, que permita dar continuidade ao trabalho mas também estruturar melhor o tipo de ação que (se pretende) por parte do Instituto Camões em França”.
Francisco Seixas da Costa tem 64 anos e é um dos mais experientes diplomatas portugueses. Desempenhou funções diplomáticas na Noruega, em Angola e no Reino Unido, tendo também sido embaixador nas Nações Unidas, na Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e no Brasil. Deixa o posto em Paris no fim de janeiro de 2013 e assume, a partir de fevereiro, funções como diretor executivo do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa.

http://www.mundoportugues.org/content/1/10916/portugal-deve-promover-figuras-nacionais-organizacoes-internacionais-seixas-costa/
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