HUMBERTO DELGADO, NUNCA SE FEZ JUSTIÇA

E nunca se fez justiça!!!

Humberto Delgado, o general que desafiou Salazar, foi assassinado e nunca se fez justiça

Ministro da Justiça entrega processo relativo ao homicídio ao Arquivo Distrital de Lisboa

Alberto Costa fez a entrega do “processo comum colectivo nº. 469/04.4TCLSB” em cerimónia a realizar no Tribunal da Boa Hora, Lisboa, com a presença de Noronha do Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, da família de Humberto Delgado e de Mário Soares, ex-advogado no processo, entre outras personalidades.

A morte do “general sem medo”, que desafiou Salazar ao garantir que o demitiria da chefia do Governo caso fosse eleito nas presidenciais de 1958, ocorreu a 13 de Fevereiro de 1963. Humberto Delgado foi morto por agentes da PIDE, após ter sido atraído para uma cilada em Badajoz (Espanha), montada em redor de uma pretensa reunião com militares portugueses, oposicionistas a Salazar.

Segundo o Ministério da Justiça, o processo relativo ao assassínio de Humberto Delgado é composto por 18 volumes, 45 apensos e “vai ficar sob custódia do Arquivo Distrital de Lisboa a título de depósito, que se converterá em incorporação decorridos os prazos de conservação previstos em portaria de gestão de documentos dos tribunais”.

Entretanto, a tese de que Humberto Delgado foi espancado até à morte – e não morto a tiro como se tem sustentado até agora – é defendida por Frederico Delgado Rosa na primeira biografia do general, que será lançada a 07 de Maio na Assembleia da República.

“Humberto Delgado – Biografia do General Sem Medo” é o título do livro, um trabalho de sete anos de Frederico Delgado Rosa, neto do general.

“A maneira como foi assassinado não fui eu que a inventei”, afirmou à Lusa o autor, que disse basear-se na autópsia feita pelas autoridades franquistas apontando “sucessivas contusões cranianas” como a causa da morte de Humberto Delgado.

Segundo o autor, a ideia de que Delgado foi morto a tiro pela PIDE “foi uma mentira conveniente que permitiu ilibar muita gente”.

Depois do 25 de Abril de 1974, a Justiça portuguesa começou a trabalhar no caso sem ter acesso ao processo espanhol, apontou Frederico Delgado, doutorado em Etnologia e que nos últimos anos tem-se dedicado à investigação da carreira militar e política do avô.

“O processo criminal ficou viciado à partida e quando chegaram tardiamente elementos do processo espanhol já estava construído um dogma em relação ao ‘como’ do crime”, disse o investigador, acrescentando que para isso contribuíram depoimentos dos próprios elementos da PIDE que foram detidos.

FC/EO.

Lusa/Fim

@ Agência Lusa

 

http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/5fc7af029b2ea5359a996f.html

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