PONTE PEDRINHA AUTOR TIMORENSE

ANDANÇAS DE UM TIMORENSE Prefácio de José...
Daniel Braga 15 August 15:11
ANDANÇAS DE UM TIMORENSE
Prefácio de José CraveirinhaAutor: Ponte Pedrinha(hENRIQUE bORGES)
Temas: Lusofonia, Literatura
Colecção: Timor – História, Política e Literatura
Ano:1998

Sinopse:
«Andanças de um Timorense é […] a voz que faz o som; o som que se torna a Palavra, o Silogismo, a Alusão, a Temporalidade e o momento do Vazio ou da Vitória; da Mensagem, da Beleza e da pura respiração. E sem curvar a cabeça ao inspirar o encanto da redescoberta, a negação da letargia e o redescobrir da luz do sol no belo espaço de uma Pátria, a Pátria autêntica», eis algumas palavras de José Craveirinha sobre este primeiro romance do luso-timorense Ponte Pedrinha.

PONTE PEDRINHA
Ponte Pedrinha é o pseudónimo literário de Henrique Borges, natural da vila de Same, situada na região montanhosa de centro de Timor-Leste. O Autor pertence a uma família luso-timorense que se vê obrigada a abandonar Timor-Leste em 1975, na sequência da guerra civil, tendo-se refugiado primeiro na Austrália e depois em Portugal, a partir de 1976.Membro da Resistência Timorense, integra neste momento o corpo diplomático de Timor-Leste em Portugal.

(in Apresentação de Andanças de um Timorense de Ponte Pedrinha – Henriqueta Maria Gonçalves / Secção de Letras / UTAD)

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ESTÁTUA PERDIDA DE DOM BOAVENTURA DE MANUFAHI

Sábado, 6 de Agosto de 2011 Lá fui eu, mais...
J M Domingues Silva 15 August 11:55
Sábado, 6 de Agosto de 2011
Aqui está ela!…

Note-se o nome de “D. Boaventura” escrito no “kaibauk” preso na testa
Nem tudo o que parece é… O dedo esticado
é o indicador e não o anelar,
como se pode confirmar na foto acima…
Localização da estátua; vejam-se as coordenadas
na parte de baixo da imagem do Google

Qual a história desta estátua? Onde deveria estar e não está? Mais perguntas para perguntar… Alguém sabe as respostas?

Lá fui eu, mais uma vez, perscrutar a cidade…
… em busca de uma estátua “perdida”! 🙂
Expliquemo-nos!
Há dias um amigo mostrou no seu mural do FB uma estátua (metálica) identificada como sendo de D. Boaventura de Manufahi e que estaria “perdida” algures em Fatuhada, um dos bairros de Dili. Estavam reunidas todas as condições para me pôr em campo e ir “xeretar” a região.E hoje, sábado, lá fui eu. 8h30m da manhã, mais ou menos, saí do hotel e segui a pista que o meu amigo R.Fonseca me tinha dado: dois quarteirões antes da embaixada australiana virar à direita e procurar a dita cuja.

Desconhecendo a geografia do local, acabei por me meter na Rua da Mesquita e, claro, não dei com nada. Virei para o interior do bairro e andei às voltas mas… nada!
Acabei por ir até à embaixada e então voltar para trás e só então dei com a entrada de uma rua, meio manhosa, que era a segunda depois da embaixada. Meti-me por ela e fui andando e nada de estátua.
Quando começava a pensar que a estátua se tinha esfumado, verifiquei que a rua estreitava com um prédio que quase fecha a rua. Ultrapassei-o e… ó pra ela! Lá estava a estátua, de pé, assente no chão.
Aqui está ela!…

(in O Livro das Contradições) http://livrodascontradisoens.blogspot.pt/2011/08/la-fui-eu-mais-uma-vez-perscrutar.html

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MORREU O ÚLTIMO SOBREVIVENTE TIMORENSE DA 2ª GRANDE GUERRA

Rufino Alves Correia, considerado o último...
J M Domingues Silva 15 August 11:37
Rufino Alves Correia, considerado o último sobrevivente dos timorenses que combateram ao lado das forças australianas na II Guerra Mundial morreu quarta-feira e foi hoje 22 Abril 2010 a enterrar, com honras militares, no cemitério de Santa Cruz, em Díli. Rufino Alves Correia, que tinha 94 anos, integrou em 1942 a 2ª companhia independente, uma unidade de elite, como soldado, na guerra de guerrilha das tropas australianas atrás das linhas inimigas. Os jovens timorenses eram geralmente incumbidos de fornecer informações, de tratar do abastecimento alimentar e de encontrar abrigo nas aldeias. Rufino Correia foi um dos poucos timorenses a participar diretamente em ações de combate, nomeadamente no ataque às posições nipónicas na cidade de Díli pelo pelotão B, segundo Paul Cleary, jornalista e escritor australiano, autor de “Os homens que saíram do chão”. O Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, na impossibilidade de estar presente nas exéquias, enviou de Phnom Penh, onde se encontra em visita oficial, uma mensagem de condolências, prestando tributo “a um verdadeiro herói que demonstrou uma bravura extraordinária em jovem”. “Rufino emergiu do período mais trágico da história da Humanidade como uma inspiração geracional”, refere Ramos-Horta na sua mensagem, lembrando que “nunca esqueceu os amigos australianos nem foi jamais esquecido pelos soldados australianos a quem serviu”. O Chefe de Estado timorense havia condecorado Rufino Alves Correia com a Medalha Presidencial de Mérito, por ocasião do 10. aniversário da consulta popular que determinou a independência, a 30 de agosto de 1999, “pelo serviço que prestou a Timor-Leste e à Humanidade”.

Notícia da Lusa

No medal for a Timor war hero

Lindsay Murdoch, DarwinApril 23, 2010

SIXTY-FOUR years was not enough time for Australia to award a medal to Rufino Alves Correia for his heroism when he was shot and wounded while trying to protect Australian commandos in World War II.

Mr Correia, 90, was buried in Dili yesterday, six months after a petition signed by 24,000 people was presented to federal MPs asking them to back an award to honour the sacrifices Timorese made to help the Australians.

Between 40,000 and 50,000 Timorese – in a population of only 650,000 – were killed or starved to death in Japanese-occupied East Timor.

Mr Correia was one of the last surviving ”criados” who fought alongside Australians.

Australian soldiers deployed in East Timor yesterday presided over his funeral, a rare honour for a non-Australian citizen.

But Canberra is still considering the petition for a special Timorese Order of Australia that was organised last year by East Timor’s Mary Mackillop mission. ”Sadly, Rufino died without the full recognition he deserved for his bravery,” said Mary Mackillop’s Susan Connelly. She said there has not been adequate recognition of the assistance the Timorese gave the Australians. Mr Correia, known as Rufino, was proud of the time he spent with the Australian commandos. Every year he would attend the Anzac Day service in Dili.

”Rufino has never forgotten his Australian friends and similarly has never been forgotten by the Australian soldiers he served beside,” East Timor President Jose Ramos Horta said yesterday.

But in 2006, before Mr Correia travelled to Melbourne to take part in an Anzac Day parade, he told The Age that he always wondered why the Australians ”never came back to help us after the war”.

Read more: http://www.theage.com.au/national/no-medal-for-a-timor-war-hero-20100422-tfva.html#ixzz1cAlBDmpv

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PRÉMIO NOBEL DA PAZ, DOM CARLOS FILIPE XIMENES BELO

D. Carlos Ximenes Belo Bispo residente e administrador apostólico da diocese de Díli entre 1983 e 2002. Nasceu em 1948, em Wallakama, uma aldeia perto de Vemasse, em Baucau, na ponta leste de Timor.Estudando sempre em escolas missionárias, graduou-se em 1973, no Seminários de Dare, nos arredores de Díli. Depois partiu para Lisboa, onde estudou no Colégio Salesiano Novitiate. Tendo regressado por um curto período de tempo a Timor-Leste, lecionou no Colégio Salesiano em Fatumaca. Entre 1975 e 1976, esteve em Macau, no Colégio Dom Bosco, não presenciando a chegada das tropas indonésias ao território timorense. Pouco tempo depois, partiu para Portugal, onde estudou filosofia religiosa na Universidade Católica de Coimbra. Depois, foi enviado para Roma, onde estudou na Universidade Salesiana loc

al. De volta a Lisboa, em 1980, foi ordenado padre. No ano seguinte, voltou a Timor com a intenção de ajudar a manter viva a religião católica, bastante limitada pela presença e pelo domínio dos indonésios, maioritariamente muçulmanos.O enorme contacto com a juventude, em parte devido às necessidades de apoio à comunidade, e as crescentes pressões diretas do domínio das autoridades militares indonésias, levaram-no a resistir abertamente, recusando-se sempre a obedecer às regras do invasor. Em 1983, foi nomeado administrador apostólico da diocese de Díli. Desde então, tem travado uma luta cerrada para defender os direitos humanos e a autodeterminação do povo timorense. A 12 de novembro de 1991, após o massacre de Santa Cruz, o bispo acolheu centenas de fugitivos que procuravam refúgio das tropas indonésias. Devido ao seu apoio e às suas denúncias à comunidade internacional da violência e opressão exercidas contra o povo timorense, o bispo tornou-se o alvo de várias tentativas de assassínio.Em 1 de outubro de 1996, foi galardoado, juntamente com José Ramos-Horta, o porta-voz internacional para a causa de Timor Leste desde 1975, com o Prémio Nobel da Paz, a mais prestigiada distinção política mundial.Em 1999, a situação política em Timor Leste agravou-se após a realização de um referendo sobre a autodeterminação dos timorenses, realizado a 30 de agosto, cujo resultado foi favorável à independência do território. A casa de D. Ximenes Belo foi alvo de um dos sucessivos ataques que as milícias integracionistas fizeram no território, pelo que o bispo se viu forçado a abandonar Timor Leste.Em 2001 recebeu, juntamente com Alexandre (Xanana) Gusmão e José Ramos-Horta, o título de Doutor “Honoris Causa” pela faculdade de Letras da Universidade do Porto.Já depois da independência do território, em novembro de 2002, D. Ximenes Belo resigna ao cargo de bispo de Díli, alegando razões de saúde.

LUIS CARDOSO E RUY CINATTI (TIMOR)

Crónica de uma travessia – A época do...
Daniel Braga 14 August 21:41
Crónica de uma travessia – A época do Ai-Dik-Funam
(Autor: Luís Cardoso)
Editora: Publicações Dom Quixote

Apreciação:
(Urbano Tavares Rodrigues, 1997)

Timor não tem ainda uma literatura. Há, é certo, os poemas de Xanana Gusmão, que são interessantes e são dele, que lhes confere um valor especial. E há ainda a poesia, cheia de boa vontade e sentimento nacionalista, de Fernando Sylvan, artisticamente fraca, muito oratória e  romântica, com uns pós de pitoresco. Este livro de Luís Cardoso, Crónica de Uma Travessia, subtitulado “A Época do Ai-Dik-Funam”, sob certos aspectos fascinante, participa da biografia, do romance e efectivamente da crónica. Narra as peripécias do autor, desde a infância timorense, no campo, à viagem com o pai, enfermeiro, para a ilha de Ataúro, à vinda para o exílio em Portugal, os estudos de Agronomia, a participação no Conselho Nacional da Resistência Maubere, o convívio com os timorenses do Vale do Jamor. Pelo meio da narrativa, em que se equilibram o relato e o comentário de acontecimentos e aparecem pessoas e nomes como o de Ramos Horta, o de Manuel Carrascalão e se fala em Zeca Afonso, em Adriano Correia de Oliveira, etc., equilibram o realismo e o fantástico (este intimamente associado às vivências de Timor, mas também a um modo de viver e sentir). Passa neste livro um sopro de mistério, através do entrosamento de duas culturas, uma delas ainda carregada de elementos mágicos.
José Eduardo Agualusa tem razão quando aponta em Luís Cardoso, no seu prefácio, um escritor a caminho da sua obra.

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Rui Cinnati Não era timorense, mas amou Timor...
Daniel Braga 14 August 20:57
Rui Cinnati
Não era timorense, mas amou Timor como ningem

Rui Vaz Monteiro Gomes Cinatti (1915-1986) nasceu em Londres e faleceu em Lisboa. Licenciado pelo Instituto Superior de Agronomia de Lisboa em 1941, partiu para a Inglaterra onde estudou Etnologia e Antropologia em Oxford. Entre 1943 e 1945 desempenhou o cargo de meteorologista aeronáutico da Pan-American Airways e entre 1946 e 1948 exerceu a função de chefe de gabinete do então governador do Timor Português . Exercerá pouco depois o cargo de chefe dos Serviços da Agricultura do Governo de Timor. Seria mais tarde nomeado investigador da Junta de Investigação do Ultramar. Em 1967 instala-se definitivamente em Lisboa. Entre 1940 e 1953 coordena com Tomás Kim e José Blanc de Portugal os Cadernos de Poesia. Obras principais: Ossonobó (1936), Nós Não Somos Deste Mundo (1941), Anoitecendo a Vida Recomeça (1942), Poemas Escolhidos (1951), O Livro do Nómada Meu Amigo (1966), Sete Septetos (1967), Crónica Cabo-Verdeana (1967), O Tédio Recompensado (1968), Borda d’Alma (1970), Uma Sequência Timorense (1970), Memória Descritiva (1971), Conversa de Rotina (Sociedade de Expansão Cultural, Colecção de Poesia “Convergência”, 1973), Os Poemas do Itinerário Angolano (1974), Paisagens Timorenses com Vultos (1974), Cravo Singular (1974), Timor-Amor (1974), O A Fazer, Faz-se (1976), Import-Export (1976), Lembranças para São Tomé e Príncipe – 1972 (1979), Poemas (1981), Manhã Imensa (1982).

Ruy Cinatti: Poeta, “Agrónomo e Etnólogo”, Instigador de Pesquisas em Timor
(Autor: Cláudia Castelo)

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língua portuguesa em timor-leste XIMENES BELO

 

A Língua Portuguesa em Timor-Leste

Por D. Carlos Ximenes Belo, SDB*

O contacto dos Portugueses com os Timorenses data de 1512, quando depois da Conquista de Malaca os navegadores lusos sulcavam os mares da Insulíndia, em demanda de especiarias, cravo, noz moscada, canela e sândalo. Na altura, a língua do comércio naquelas paragens era Malaio. Porém ao longo do século XVI e XVII, a língua franca era o Português. O ensino da língua Portuguesa em Solar, Flores, Timor e Ilhas circunvizinhas, foi implementado, sobretudo, pelo missionários dominicanos. Pois nos finais do século XVI fundaram um seminário menor em Solor para ensinar os meninos da Ilha a ler, contar. Nos princípios do século XVI, com a perda de Solar para os Holandeses, abriram outro seminário em Larantuca. Na Ilha de Timor, onde a presença dos dominicanos se fez sentir com maior intensidade, abriram-se escolas rudimentares nos reinos, junto das capelas e igrejas, que não eram senão barracões coberto com colmos de palmeiras ou coqueiros ou de capim. Na segunda metade do século XVIII, fundou-se o primeiro seminário em Oe-cusse, durante o governo do Bispo do Bispo Frei António de Castro (1738-42). Em 1747, abria-se um segundo seminário em Manatuto. Não dispomos de relatórios dos Frades, sobre o funcionamento, o programa de estudos, nem o número de alunos, e muito menos de sacerdotes formados, fruto daquelas duas instituições. Em 1769, por causa do cerco dos Topasses e da ameaça dos holandês, a Praça de Lifau foi incendiada, e mudou-se a capital para Dili. Presume-se que em Dili, os dominicanos residentes na Praça de Dili, tivessem fundados escolas. O certo é que em 1772, o comandante de um navio francês François Etienne Rosely depois de ter visitado Lifau, Dili e outras povoações costeiras, fazia este comentário: “Quase todos os chefes falam Português e nos reinos vizinhos dos Portugueses é a língua geral (…). Conheci alguns muito sensatos, espirituais, engenhosos, sinceros e de boa fé, entre os quais um, muito versado na História da Europa”.Ao longo do século IX, verificou-se a diminuição de missionários dominicanos. E isso teve consequência na acção missionária e naturalmente do ensino do Português. Entre os anos 1830 a1856, o primeiro padre Timorense, Frei Gregorio Maria Barreto dirigia uma escola rudimentar nos reinos de Oe-Cuuse, Ambeno e Dili. Em 1863, o governador Afonso de Castro fundou ma escola régia em Dilui, destinada aos filhos dos Chefes e de outros principais. A direcção dessa escola foi entregue ao segundo padre Timorese, Jacob dos Reis e Cunha. O grande desenvolvimento das escolas das missões deu-se em 1878, quando o padre António Joaquim de Medeiros, mais tarde Bispo de Macau, estabeleceu o programa da educação da juventude timorense com a abertura de escolas rurais em Manatuto, Lacló, Lacluta, Samoro, Oe-Cusse, Maubara, Baucau, etc. A instrução, a certa altura era tão absorvente que os padres, dedicavam-se mais às escolas do eu à missionação. Essa situação mudou tempestivamente com o governo do Bispo Dom José da Costa Nunes. Em 1924, fundou-se a escola de Preparação de Professores-catequistas. Os timorenses que tinham sido aprovados nessa escola, e depois de serem nomeados professores, foram colocados em diversas estações missionárias, tornado-se agentes principais do ensino da Língua Portuguesa nas aldeias e no sucos. Em 1935, o Governo da Colónia de Timor decidiu entregar o “ensino primário, agrícola, profissional às Missões Católicas, sob a superintendência do Governo da Colónia” (Portaria Oficial, n.º 14). Em 1936, fundou-se o Seminário Menor em Soibada, pelo padre Superior daquela Missão, Jaime Garcia Goulart. E em 1938, funda-se o primeiro liceu. Pode-se afirmar que em 1940, 4 % dos Timorenses falavam o Português, isto é os funcionários, os professores e os catequistas, os “liurais” e chefes, aqueles que tinha tirado a 3 ª e a 4ª classe em Dili e no Colégio de Soibada.

Até á invasão das tropas estrangeiras, Australianos e Holandeses num primeiro momento, e depois, os Japoneses, o ensino ficou paralisado. Depois do Armistício de 1945, e da retomada da soberania em Timor, retomou-se o ensino, reabrindo-se colégios e escolas. Em 1960, com o major da Engenharia Themudo Barata, como Governador da Província, assiste-se a um surto de escolas municipais. E em 1963, o Exército começa a dedicar-se ao ensino, nas escolas dos sucos., escolas essas situadas nos lugares de mais difícil acesso. Até 1970, havia no Timor Português um Liceu (de Dili), um Seminário Menor, onde se ministrava o ensino secundário. Uma Escola de Enfermagem, Uma Escola de Professores do Posto, Uma Escola Técnica, em Dili, e em Fatumaca, uma Escola Elementar de Agricultura. Nesse havia em Timor 311 escolas primárias, com 637 professores e 34.000 alunos. Até 1975, data da invasão da Indonésia do território de Timor, apenas 20% dos Timorenses falavam correcta e correntemente o Português. Como se explica esta situação? Vários factores: a distância (20 mil quilómetros da Metrópole); reduzido orçamento destinado ao ensino e instrução; reduzido número de professores; a falta de interesse da maioria de famílias (agricultores); só dois semanários ( A Voz de Timor e a Província de Timor), um quinzenário, a Seara (propriedade da Diocese de Dili); apenas 2 emissoras. Tudo isso pouco contribuiu para a difusão da Língua. A existência de 21 línguas ou dialectos, o que permitias aos falantes, usarem o Português, só no âmbito da escola ou nos actos oficiais.

O Período da Ocupação indonésia (1976-1999). O ensino da Língua portuguesa foi banida e proibida em todo o Território, excepção feita ao Externato de São José. A Diocese de Dilui, contudo, publicava os seus documentos (quer da Câmara Eclesiástica ou do paço episcopal) em Português. A guerrilha comunicava-se em Português. Nalgumas repartições do Estado, poucos timorenses, informalmente comunicam-se em Português. Houve casos em que um outro jovem foi esbofeteado por saudar o missionário com um “Bom-dia, senhor padre!”.

Hoje, embora o Português seja considerado a Língua oficial de Timor, a par do Tetum, (art. 13 da Constituição de RDTL), a sua implementação depara-se com grandes obstáculos. Há sectores da sociedade timorense que são contra o uso da Língua Portuguesa; as línguas nacionais(21) e línguas estrangeiras (O Bahasa e Indonesia e o Inglês) são fortes concorrentes do Português. O timorense, às vezes, recorre-se ao uso do idioma mais fácil para a comunicação (Tetum, Bahasa, Inglês). Existência de insuficiente número de professores, de livros, de jornais e de rádios e da televisão. Ainda não está generalizado o costume de leitura entre os já “alfabetizados”, sobretudo, leitura de livros, especialmente os da Literatura.

Desafios: continuar a apostar no ensino e na prática da Língua Portuguesa. Para isso, exige-se maior empenhamento dos governantes; na maior distribuição de livros e de outro material, maior implantação da rádio e da televisão nos Distritos e Su-distritos. Daqui, a necessidade cooperação de todos os Países da CPLP.

Num mundo globalizado, o actual panorama da existência de 4 Línguas em Timor (Tetum, Português, Inglês e Bahasa Indonésia), é enriquecedor e vantajoso. Pois cada Língua é uma janela aberta para o Mundo. Por outro lado está o orgulho da preservação da própria identidade nacional. E aqui vale a mensagem do Poeta: “A minha Pátria é a minha língua” (Fernando Pessoa).

*Dom Carlos Filipe Ximenes BeloAntigo Bispo de Dili e Premio Nobel da Paz de 1996.