ao1990 e os casos do frances, ingles e castelhano

O acordo e os casos inglês, português, francês e espanhol  
 
  Malaca Casteleiro, o “pai” do Acordo Ortográfico, defende que a unificação do português é uma medida de pragmatismo que visa acima de tudo promover a língua portuguesa no mundo. Mas será o acordo determinante para o futuro da língua de Camões?
 
No caso do inglês, do francês e do espanhol, por exemplo, existe algum tipo de acordo semelhante que unifique a ortografia nos países que assumem estas como as suas línguas oficiais?
No caso da língua inglesa, refere o “British Council”, não existe qualquer tipo de acordo ortográfico em termos gerais; apenas foi criado um “International Legal Agreement”, destinado a uniformizar a terminologia jurídica utilizada nos países que têm o inglês como língua oficial.
O caso francófono é diferente. A mais recente posição oficial sobre o assunto, de 2005, foi tomada pela Delegação Geral para a Língua Francesa e para as Línguas de França — uma estrutura de reflexão na alçada do Ministério da Cultura francês — e confirma o que havia já sido aprovado, em 1990, pela Academia Francesa, acolhendo uma série de rectificações que haviam sido recomendadas pelo Conselho Superior da Língua Francesa.
«Pequenas rectificações com vista a suprimir as anomalias, as excepções e as irregularidades», lê-se na informação fornecida por Françoise Sabatelli, adida de cooperação educativa da Embaixada de França em Portugal. «Tais rectificações não atingiram, em média, mais do que uma palavra por página num livro normal», mas, apesar de as rectificações serem ensinadas em muitos países francófonos, em França são ignoradas pelos professores, talvez pelo facto de serem simples recomendações e não imposições.
O espanhol, segundo fonte do Instituto Cervantes, também não é regido por nenhum tipo de acordo, dado que a nível ortográfico os vários países sempre coincidiram.
No entender de Casteleiro, o Acordo Ortográfico irá facilitar a comunicação entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em relação ao facto de não existir um acordo do mesmo tipo nas outras línguas, o linguista refere que, no caso inglês, «as diferenças entre as variantes são demasiado marginais para dar azo a um acordo»; já nos casos francês e espanhol, as academias de ambos os países conseguiram manter uma ortografia idêntica nos vários países, pelo que a questão nunca se pôs — salvo as correções já referidas.
Para Ivo Castro, professor de Linguística na Faculdade de Letras de Lisboa, «a questão tem cem anos». «O caso português é diferente dos outros. Não é comparável ao espanhol e ao francês, em que existiu um acordo entre academias e não entre governos. As coisas seriam mais naturais caso fossem conduzidas por academias e não por medidas governativas», diz. 
 
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